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Inovação Notícias

Terrae Didatica, revista editada no Instituto de Geociência, atinge conceito de excelência na Capes

Única publicação da área no país atingiu a faixa A3 do sistema de publicações científicas

A revista Terrae Didatica — editada no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp pelo docente Celso Dal Ré Carneiro, fundador da revista — atingiu o conceito A3 do Qualis Capes no novo sistema de avaliação das publicações científicas brasileiras, que entrou em vigor em 2025. A faixa A é reservada a periódicos de excelência. Trata-se de um importante reconhecimento, que atesta a qualidade da publicação e sua visibilidade. Além disso, o conceito obtido aumenta substancialmente as chances de a revista ser contemplada em editais concorridos do CNPq.

Lançada oficialmente em fins de 2005, a revista possui dois registros de ISSN: um para a versão impressa, que foi interrompida no final de 2016 por falta de recursos, e outro para a online, que sempre predominou nas consultas, devido à facilidade de acesso. Ao longo dos anos, a Terræ Didatica, editada ininterruptamente desde sua criação, ampliou a periodicidade e a quantidade de artigos científicos publicados. Entre 2005 e 2009, a revista publicou um número por volume; entre 2010 e 2013, passou a dois números por volume, alcançando três entre 2014 e 2017. Já em 2018, o periódico passou a ser trimestral, quando se fundiu com a Terræ, outra revista científica do IG. Desde que adotou o padrão contínuo de publicação, em 2019, a revista acelerou a difusão dos artigos aceitos. O número de publicações por volume é expressivo: foram 551 artigos e outras comunicações de 2005 até o final de 2025. Em pouco mais de 20 anos, a revista recebeu 794 contribuições. Isso significa que cerca de 30% das submissões foram rejeitadas por diferentes motivos.

O corpo de consultores editoriais Terrae Didatica é altamente qualificado, sendo formado por especialistas de diferentes áreas. “Essa característica, fundamental para que o material recebido seja avaliado da forma mais abrangente e isenta possível, exige tempo e dedicação dos consultores”, destaca Carneiro. “Agradecemos a todos eles pelo fato de colaborarem com a revista sem qualquer remuneração”, reforça. O periódico adota o regime duplo-cego, em que os autores desconhecem os nomes dos avaliadores durante a avaliação, e o avaliador tem dificuldade para identificar os autores. “Caso os pareceristas permitam ser identificados, os autores saberão os nomes de quem avaliou seus trabalhos. Muitas vezes eles agradecem pelas sugestões recebidas”, explica o editor-chefe. Esse trabalho “requer muita atenção aos detalhes, mas, ao mesmo tempo, exige um olhar de conjunto, para garantir que a revista permaneça aberta a quaisquer autores capazes de produzir trabalhos de boa qualidade, sem discriminação”, completa.

O professor Celso Dal Ré Carneiro, fundador da revista: periódico de excelência
O professor Celso Dal Ré Carneiro, fundador da revista: periódico de excelência

Historicamente, cerca de 20% dos trabalhos publicados a cada ano pela revista estão relacionados ao Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra (PPG-EHCT) do IG. A proporção pode ser considerada saudável, pois representa uma endogenia relativamente modesta. No volume 21, publicado em 2025, 11 dos 47 trabalhos estão relacionados a professores, estudantes ou ex-alunos do PPG-EHCT. Além disso, a comunidade nacional aceita bem os campos e temas de interesse abordados pela revista, resultantes de pesquisas originais e inéditas, de cunho acadêmico ou técnico-profissional, nas áreas de Ciências da Terra, Geologia, Geografia, História da Ciência, Educação, Ensino e outros campos relacionados às Ciências do Ambiente. Terræ Didatica também tem veiculado em suas páginas informações e relatos das atividades do Fórum Nacional de Cursos de Geologia.

Carneiro lembra que muitos fatores interferem nas avaliações da Capes, como a regularidade e pontualidade da publicação; o devido respeito a prazos ágeis de publicação; a qualidade do corpo editorial; o rigor na avaliação; a atualidade das contribuições; a inexistência (ou baixíssima incidência) de erros de formatação ou ortografia; a diversidade de fontes de indexação; a abrangência do público-alvo; a baixa endogenia; os temas abordados. “O conceito A3 é meritório e, de certa forma, justo, prevalecendo para todas as áreas de avaliação da Capes, uma vez que a revista foi assim classificada pela área-mãe (Área 46-Ensino)”, afirma.

O cenário de coexistência das revistas comerciais e das revistas de acesso livre mudou com a internet. “As editoras comerciais tiveram de se adaptar, mas continuam a ‘vender’ o acesso à maioria dos artigos que publicam, enquanto ‘douram a pílula’ ao oferecer alguns deles no formato open-access”, comenta Carneiro. Terrae Didatica sempre se manteve no padrão de revistas de acesso livre (open-access journals). Foi uma das primeiras revistas que passaram a ser veiculadas pelo Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos (PPEC) da Unicamp, cuja proposta é abrigar, em uma única plataforma, todos os periódicos editados e produzidos no âmbito da Universidade. O PPEC, que é uma iniciativa da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) gerenciada pelo Sistema de Bibliotecas (SBU), sugere que as revistas organizem toda a sua publicação em modalidade contínua. A revista do IG opera somente por volume desde 2019, sem subdivisão em fascículos.

Origens de Terrae Didatica

Carneiro descreve como se deu, entre 2004 e 2005, a criação da revista. “Alguns anos depois da criação dos cursos de graduação em Geologia e Geografia da Unicamp, o professor Bernardino Figueiredo, que havia sido diretor do Instituto e sempre foi um entusiasta da ciência, reuniu um grupo de docentes dos quatro departamentos do IG com a finalidade de lançar uma revista que publicasse os resultados das pesquisas do Instituto. O projeto era ambicioso, pois todos os artigos deveriam ser redigidos em inglês e a distribuição seria nacional e internacional.” Assim surgiu a revista Terræ, que passaria a ocupar o lugar deixado pelos extintos Cadernos do IG, apesar dea proposta ter sido acolhida com algum ceticismo pelos docentes, pois a obtenção de recursos poderia dificultar sua publicação. “Graças ao apoio de ex-alunos, em pouco tempo a Petrobras se dispôs a publicar um anúncio na contracapa, gerando uma receita que equilibraria os orçamentos”, conta Carneiro.

Meses depois, Figueiredo lançou a ideia de uma outra publicação periódica, predominantemente em português, com a intenção de divulgar os trabalhos e pesquisas do IG no campo educacional. A denominação seria Terræ Didatica, para vincular uma revista à outra. Assim, em 2005, a revista foi criada, mesmo com recursos escassos, com a missão de ser um veículo de difusão e de intercâmbio de artigos educativos, materiais didáticos e recursos de ensino-aprendizagem que atendessem ao público das áreas ambiental e de Ciências da Terra.

Em 2018, ocorreu a fusão com a Terræ, o queampliou o espectro temático da publicação, até então restrito ao segmento educacional. “O novo perfil possibilita acolher artigos resultantes de pesquisas científicas, educacionais ou mistas e abre a alternativa de compor conjuntos temáticos com resultados de investigações relevantes no plano internacional”, destaca o editor-chefe. A revista aceita artigos inéditos resultantes de pesquisas científicas ou educacionais; sínteses, reflexões, relatos ou análises críticas de projetos e propostas relacionados às Ciências da Terra; números temáticos ou monográficos sintetizando resultados de um ou mais grupos de pesquisa, além de materiais didáticos originais e recursos de ensino, em meio eletrônico. Entre esses últimos, são aceitos textos de apoio, sínteses, aplicações práticas e experimentos educativos; análises de mapas e outros documentos das Geociências que divulguem ou abordem aspectos do conhecimento regional ou mesmo global; relatórios de projetos, workshops, simpósios, congressos e qualquer outra atividade relevante relacionada às Ciências da Terra; traduções de textos altamente relevantes para o avanço das Geociências; e relatos de pesquisas científicas, educativas e propostas de desenvolvimento de pesquisas inovadoras em qualquer área das Ciências da Terra.”

Convite

Carneiro convida os autores a submeterem suas contribuições, tal como no editorial da edição de 2026:

Terræ Didatica está aberta para acolher contribuições de excelente qualidade, sempre com foco nas Geociências ou em campos multidisciplinares de pesquisa geocientífica e/ou de aplicação geoeducacional. A revista consolidou-se perante a comunidade nacional e internacional das Ciências da Terra, sendo escolhida, tanto por pesquisadores mais jovens quanto pelos experientes, para divulgar resultados de investigações originais e inéditas. Esperamos expandir a penetração da revista em 2026, ao mesmo tempo em que reiteramos a confiança no valor inestimável da difusão de ciência de boa qualidade.”

Interessados em enviar artigos podem entrar em contato com o editor-chefe da revista pelo email cedrec@unicamp.br.

Foto de capa:

A revista foi lançada oficialmente em fins de 2005
A revista foi lançada oficialmente em fins de 2005

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