Órgão máximo de deliberação da Unicamp, o Conselho Universitário (Consu) aprovou, nesta terça-feira (31), a concessão do título de Professor Emérito “Post Mortem” a dois professores do Instituto de Química (IQ). O Departamento de Química Orgânica indicou Oswaldo Luiz Alves, e o Departamento de Química Analítica, Lauro Tatsuo Kubota.
O professor Lauro Kubota nasceu em 20 de junho de 1964 em Goioerê, no estado do Paraná. Ele foi referência no Brasil na área de Química Analítica, especialmente em Eletroquímica, Biossensores, Dispositivos de Análise e Materiais Avançados para Sensoriamento. Suas linhas de pesquisa alinhavam inovação (novos materiais, plataformas de baixo custo, dispositivos portáteis) com aplicações relevantes. Sua produção científica alcançou alta visibilidade, tendo recebido mais de 24 mil citações (índice h = 85) no Google Scholar. Em 2025, integrou a lista dos 106 cientistas mais influentes do mundo.
Concluiu a graduação em Química na Universidade Estadual de Londrina-PR em 1986. Em 1993, obteve o doutorado em Química pela Unicamp. Após estágio de pós-doutorado na Lund University, na Suécia, e um período como docente na Faculdade de Ciências da Unesp-Bauru, ingressou na Unicamp em 1994 como professor assistente.
“Sua preocupação com a democratização do acesso à tecnologia, por exemplo, com plataformas em papel ou dispositivos portáteis de baixo custo para análise, engajou suas equipes em projetos com grande alcance social. Esse fator coloca em clara evidência a atuação de um professor que não apenas produziu ciência de qualidade, mas também contribuiu para formar pessoas e impactar o meio social”, diz o relatório elaborado pela comissão especial constituída para analisar a proposta de entrega da honraria e que contou com os professores Fernando Galembeck, José Geromel e Mário Saad. Kubota faleceu no dia 4 de outubro de 2024, aos 60 anos de idade.


Trajetória marcada pela inovação
Primeiro estudante negro do curso de Química da Unicamp, Oswaldo Luiz Alves construiu uma trajetória marcada pela inovação.
Sua atuação em inovação tecnológica resultou no depósito de 31 patentes, uma delas licenciada para a indústria. Destaca-se aqui o fato de que sua primeira patente foi depositada junto ao INPI em 1991, antes do início do movimento de inovação tecnológica na academia e da constituição, pela Unicamp, de sua Agência de Inovação, ocorrida em 2003.
Devido às suas conquistas nessa área, Oswaldo recebeu várias vezes da INOVA o Prêmio “Inventores Unicamp” – em 2009, 2011, 2017, 2018, 2020 e 2021, sendo o de 2011 na categoria “Tecnologia Absorvida pelo Mercado”.
“A Unicamp teve o privilégio de contar, por várias décadas, com um educador e cientista da grandeza de Oswaldo Luiz Alves, pesquisador exemplar que deixou sua marca na ciência brasileira e mundial e cuja carreira se notabilizou não somente por grandes conquistas científicas, mas também por sua personalidade generosa e afetuosa, sempre pronta a acolher e inspirar as gerações mais jovens”, diz o relatório da comissão especial, formada pelos professores Álvaro Crósta, Christiano Lyra Filho e Everardo Magalhães Carneiro.
“Acima de tudo, Oswaldo Luiz Alves foi um ser humano digno e ético que valorizou a importância da ciência, da cultura e das artes – grande apreciador da música que era, em especial do jazz – na formação das pessoas, além de se dedicar à inclusão acadêmica e social de pessoas oriundas de realidades historicamente excludentes”, continua o relatório.
Oswaldo Luiz Alves morreu em julho de 2021 em consequência de problemas cardíacos.
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