Jornal da Unicamp https://jornal.unicamp.br/ Thu, 05 Feb 2026 18:25:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://jornal.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/32/2024/03/cropped-logo_unicamp_512-32x32.png Jornal da Unicamp https://jornal.unicamp.br/ 32 32 Núcleo de Segurança Farmacêutica analisa fraudes em alimentos e eficácia de remédios https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/02/05/nucleo-de-seguranca-farmaceutica-analisa-fraudes-em-alimentos-e-eficacia-de-remedios/ Thu, 05 Feb 2026 18:22:13 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55307 Projeto reúne três laboratórios de alta complexidade e oferece suporte técnico para questões de segurança da população

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O Núcleo de Segurança Farmacêutica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp reúne três laboratórios de alta complexidade em áreas distintas – análise de alimentos, genética e toxicologia – para darem suporte técnico aos órgãos públicos que fiscalizam a segurança de alimentos e remédios. O projeto que começou a tomar forma em 2019, quando os professores da FCF Rodrigo Catharino, Patricia Moriel e José Luiz da Costa participaram de um edital do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

“Ficamos sabendo do edital a duas horas do prazo de encerramento, foi uma correria”, lembra Moriel. “Foi sem pretensão. A gente achou que não ia dar certo, mas era uma grande oportunidade que juntava várias linhas diferentes, e decidimos tentar”.

Os professores os professores da FCF, José Luiz da Costa (à esquerda), Patricia Moriel e Rodrigo Catharino: edital do Ministério da Justiça e Segurança Pública para compra de equipamentos
Os professores os professores da FCF, José Luiz da Costa (à esquerda), Patricia Moriel e Rodrigo Catharino: edital do Ministério da Justiça e Segurança Pública para compra de equipamentos

Com as expertises diferentes de cada um, submetemos a proposta, que podia ter somente três parágrafos, apresentamos os orçamentos dos equipamentos que queríamos e que já tínhamos feito anteriormente, e deu certo”, continua Moriel.

“Não imaginávamos que o projeto seria aprovado”, diz Costa. “Costumo dizer que jogamos na loteria e ganhamos”, brinca Catharino.

Em 2020, em plena pandemia, os três receberam seus equipamentos e colocaram as máquinas para funcionar. O montante de R$ 9 milhões veio do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), gerido pelo Ministério da Justiça, uma ferramenta financeira que concentra recursos de multas e condenações judiciais para financiar projetos.

Catharino, hoje coordenador do Núcleo, comanda um laboratório voltado à análise de alimentos, Moriel atua na área de genética, e Costa trabalha com toxicologia. Embora estejam localizados em espaços físicos distintos dentro da Unicamp, os três laboratórios compartilham o mesmo objetivo: atuar de forma integrada na promoção da segurança farmacêutica em prol da sociedade.

“Foi o nosso compromisso com o projeto aprovado: gerar um novo senso de estabilidade e segurança. Não é apenas fazer análises pontuais, mas criar um conceito que ajude as pessoas a se sentirem realmente seguras em relação aos produtos farmacêuticos que utilizam no dia a dia”, afirma Costa, que também coordena o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), localizado no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. “O Núcleo, portanto, funciona como um ‘fiel da balança’, garantindo suporte técnico.”

Moriel, por sua vez, destaca que nem todos os pacientes respondem da mesma forma a um medicamento e que reações adversas ou falta de eficácia podem estar relacionadas a fatores genéticos. “O trabalho do laboratório consiste em analisar genes ligados ao metabolismo de fármacos”, explica.

Já no laboratório coordenado por Catharino destacam-se equipamentos de alta resolução, que permitem identificar, em poucos minutos, a composição química de amostras extremamente complexas. “Esse tipo de análise nos permite identificar adulterações, fraudes e também valorizar produtos de pequenos produtores, ganhando impacto social e comprovando a qualidade e a autenticidade do que a agricultura social e ecológica hoje produz”, afirma. “Em muitos casos, trata-se de situações em que há suspeita de fraude ou adulteração, mas não existe outro laboratório público acessível para esse tipo de avaliação.”

O Laboratório de Farmácia Clínica, coordenado por Patrícia Moriel estuda os genes que estão relacionados com as enzimas
O Laboratório de Farmácia Clínica, coordenado por Patrícia Moriel, estuda os genes que estão relacionados com as enzimas

Análise farmacogênica

No Laboratório de Farmácia Clínica, Moriel explica que o objetivo é entender a razão de algumas pessoas responderem a certos medicamentos e outras não. “Buscamos respostas, e é aí que entra a genética”, diz. “Mas é claro que a genética não vai responder a tudo, porque quando uma pessoa tem uma reação adversa ou há inefetividade, são muitos fatores que estão ali embutidos, como interação medicamentosa, uma questão ambiental ou até mesmo estar tomando o remédio de maneira errada.”

“No laboratório, fazemos a análise farmacogenômica, que é estudar os genes que estão relacionados com as enzimas e os transportadores que metabolizam os fármacos. Com o projeto, ampliamos nossa capacidade de execução de testes com dois equipamentos, um PCR de tempo real e um sequenciador genético”, completa.

A partir de parcerias com o Hospital de Clínicas e outros hospitais públicos brasileiros, o projeto tem ampliado sua atuação. “Hoje, um dos nossos maiores problemas é que a farmacogenética conhecida vem da Europa e dos Estados Unidos. Mas nós somos muito diferentes geneticamente, somos uma população totalmente miscigenada. Nosso estudo ganha mais importância porque a gente está analisando usuários do SUS [Sistema Único de Saúde]”, completa. “Os dados gerados refletem a realidade da população brasileira, o que contribui para o avanço da chamada medicina personalizada no contexto nacional.”

Moriel cita ainda a implementação de testes farmacogenéticos no HC para pacientes em tratamento oncológico com medicamentos de alto risco. “Esses testes, hoje realizados de forma rotineira, ajudam a prevenir reações adversas graves e já beneficiaram centenas de pacientes, além de embasar teses de doutorado e outras pesquisas acadêmicas. Desde a implantação do laboratório, tivemos cinco teses de doutorado defendidas que usaram nossos equipamentos para pesquisas com pacientes. Então, se cada tese analisou de 100 a 150 pacientes, podemos calcular uma média de 800 pacientes já beneficiados”.

José Luiz Costa é responsável pelo Laboratório de Toxicologia Analítica, espaço de referência que atende órgãos públicos, empresas e a sociedade civil
O professor José Luiz Costa é responsável pelo Laboratório de Toxicologia Analítica, espaço de referência que atende órgãos públicos, empresas e a sociedade civil

Papel estratégico

No Laboratório de Toxicologia Analítica, Costa ressalta o papel estratégico do trabalho de análise. “Quando há um crime, a polícia faz a análise. Mas, quando existe apenas uma suspeita, uma dúvida ou uma necessidade do governo, muitas vezes não há um laboratório disponível para esse tipo de teste. Surgimos como esse espaço de referência, capaz de atender órgãos públicos, empresas e a sociedade civil”, explica o professor, que leciona as disciplinas de Toxicologia e Análises Toxicológicas na FCF.

Entre os trabalhos realizados recentemente, destacam-se as análises de metanol relacionadas aos casos de contaminação em bebidas alcoólicas registrados no ano passado. Esses exames foram feitos no próprio laboratório, utilizando equipamentos específicos de alta complexidade. “Os casos diminuíram após a retirada dos estoques contaminados, mas ainda existe preocupação com novos surtos, especialmente em períodos como o Carnaval, quando há maior consumo de bebidas alcoólicas. Situações semelhantes já ocorreram no Natal, como o surto registrado na Bahia”, lembra. O laboratório recebe amostras regularmente da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, que envia materiais para análise de metanol duas vezes por semana.

O laboratório conta com um equipamento de cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), muito usado no controle de qualidade farmacêutico. “As amostras, como comprimidos, são diluídas e inseridas em frascos específicos antes de serem injetadas no equipamento para análise. Esse tipo de sistema é semelhante ao utilizado na indústria farmacêutica, mas em menor escala”, explica.

No Laboratório Innovare de Biomarcadores, de responsabilidade de Rodrigo Catharino, as análises incluem café, maionese, carne, óleos, metanol e outros produtos
No Laboratório Innovare de Biomarcadores, de responsabilidade de Rodrigo Catharino, as análises incluem café, maionese, carne, óleos, metanol e outros produtos

Relevância na saúde pública

No Laboratório Innovare de Biomarcadores, Catharino destaca que as tecnologias são capazes de separar e caracterizar substâncias em níveis de precisão raramente disponíveis fora de grandes centros de pesquisa. As aplicações e análises realizadas são diversas e incluem itens como café, maionese, cogumelos, carne, óleos, metanol em bebidas, suplementos alimentares e outros produtos, totalizando mais de 23.000 análises em 50 projetos diferentes em poucos anos.

“Em um país com histórico recente de problemas envolvendo bebidas contaminadas com metanol, suplementos adulterados e alimentos fraudados, o trabalho do Núcleo ganha relevância não apenas para a saúde pública, mas também para a economia. Quando uma commodity como o café é adulterada e vendida a preços muito baixos, isso impacta diretamente a imagem e a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional”, afirma.

Muitas análises são motivadas por questões que emergem no debate social ou ganham destaque na imprensa. “Casos de suplementos que não contêm o que prometem no rótulo, medicamentos vendidos como naturais, mas que escondem fármacos sintéticos em sua composição, e alimentos adulterados fazem parte das investigações e, em alguns casos, os resultados servem de subsídio para alertas às autoridades e órgãos de fiscalização”, afirma.

“Apoiados pelo conceito de segurança, conseguimos obter informações importantes de cosméticos, bebidas e vírus, por exemplo, dispondo da inteligência artificial em nossos desenvolvimentos e culminando na criação de sensores à base de grafeno em parcerias. Assim se desenvolve o núcleo de segurança, com um olhar que se baseia nas tecnologias analíticas de ponta, para o desenvolvimento e criação de novos conceitos e produtos que geram segurança social no futuro”, completa.

Os serviços prestados pelo Núcleo variam conforme a complexidade da análise, o tipo de amostra e a demanda envolvida
Os serviços prestados pelo Núcleo variam conforme a complexidade da análise, o tipo de amostra e a demanda envolvida

Ampliação do acesso

Os serviços prestados pelo Núcleo variam conforme a complexidade da análise, o tipo de amostra e a demanda envolvida. Algumas avaliações são rápidas, enquanto outras exigem mais tempo, preparo e alto custo tecnológico. Ainda assim, a proposta é ampliar o acesso e tornar o Núcleo mais conhecido pela comunidade.

Além da consolidação institucional, entre os próximos passos do Núcleo estão a criação de um site e a ampliação das parcerias com outros setores da Unicamp, da indústria e do poder público. Uma segunda fase do projeto está prevista até o fim de 2026, com a ampliação das atividades e do alcance das ações.

Foto de capa:

Núcleo reúne três laboratórios de alta complexidade para darem suporte técnico aos órgãos públicos que fiscalizam a segurança de alimentos e remédios
O Núcleo reúne três laboratórios de alta complexidade para darem suporte técnico aos órgãos públicos que fiscalizam a segurança de alimentos e remédios

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Deserto avança no Nordeste brasileiro, aponta mapeamento desenvolvido em doutorado https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/02/04/deserto-avanca-no-nordeste-brasileiro-aponta-mapeamento-desenvolvido-em-doutorado/ Wed, 04 Feb 2026 19:31:49 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55261 Novas áreas têm apresentado um risco potencial para o crescimento do fenômeno

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O fenômeno da desertificação vem avançando no Brasil, principalmente nos estados do Nordeste. Novas áreas têm apresentado um risco potencial para o crescimento do fenômeno, em função das mudanças climáticas e da intensificação das ações humanas no manejo do solo. É o que aponta a pesquisa de doutorado desenvolvida no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp por Mariana de Oliveira.

Oliveira estudou o fenômeno da desertificação como membro do grupo de pesquisas coordenado pelo professor Marcos César Ferreira, do IG. O grupo cria modelos de risco para detecção e análise de problemas ambientais e vem observando como os fenômenos climáticos afetam solos, vegetação e recursos hídricos. 

O estudo, realizado durante o doutorado de Oliveira, criou um modelo de risco da desertificação nas condições geográficas brasileiras, utilizando o método de regressão logística,  com base em dados empíricos, mapas e imagens de satélite. Foi mapeada a probabilidade de ocorrência da desertificação a partir de cinco variáveis geográficas de risco (temperatura terrestre, manejo do solo, vegetação, média de chuvas e densidade populacional).  A pesquisa identificou uma provável nova mancha do fenômeno em uma área ainda não mapeada no Ceará e novas áreas de risco à desertificação no estado do Ceará.

Para Flávio Rodrigues do Nascimento, coordenador do Departamento de Combate à Desertificação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a metodologia desenvolvida no estudo contribui para o monitoramento das áreas degradadas e para o diagnóstico mais preciso daquelas mais suscetíveis ao avanço da desertificação.

Assista ao programa Vida em Pesquisa:

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Exposição na Galeria de Arte apresenta técnicas artísticas antigas e modernas  https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/02/03/exposicao-na-galeria-de-arte-apresenta-tecnicas-artisticas-antigas-e-modernas/ Tue, 03 Feb 2026 19:40:54 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55190 Trabalhos compõem parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos alunos de Artes Visuais

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Quem visitar a Galeria de Arte do Instituto de Artes (Gaia) da Unicamp vai se deparar tanto com obras produzidas com técnicas seculares como com criações apoiadas nas novas tecnologias, que compõem parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos 15 expositores. A edição de 2026 da Exposição dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp estreou na quinta-feira, dia 29/1, e poderá ser vista até 4 de março.

“Temos desde coisas muito tecnológicas de som e de vídeo até processos mais arcaicos dos primórdios da fotografia e a gravação em pedra. Esses extremos mostram que não importa o suporte ou a matéria que são usados; o que importa é o fator poético — como a pessoa usa a matéria-prima”, destacou o coordenador da Gaia, o professor Sérgio Niculitcheff durante a abertura da mostra que contou com um bate-papo com os artistas.

A edição de 2026 da Exposição dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp pode ser vista até 4 de março
A edição de 2026 da Exposição dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp pode ser vista até 4 de março

Niculitcheff ressaltou a qualidade dos trabalhos. “Essa exposição é resultado da produção poética dos alunos que já passaram pela etapa de qualificação. Como são trabalhos de pós-graduação, possuem um corpo teórico e poético mais sofisticado.” 

Conforme o professor, a exposição configura uma etapa importante de reflexão na jornada acadêmica, uma vez que permite ao aluno repensar o trabalho em andamento e selecionar o que será apresentado. “Uma coisa é você fazer o trabalho no ateliê, que só você está vendo, e outra é disponibilizar ao público. A função da obra de arte, na realidade, é você mostrar para as outras pessoas e ter um retorno”, disse o docente. 

A visitação da exposição é gratuita e pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, exceto em feriados. A Galeria está localizada no Térreo da Biblioteca Central (Rua Sérgio Buarque de Holanda, s/nº – Cidade Universitária, Campinas). 

Memória familiar

André Eduardo Fonseca é um dos expositores com o trabalho “Entre:camadas de ausência”, composto por um conjunto de obras feitas com objetos biográficos — a partir de um arquivo pessoal construído ao longo dos anos com itens de sua família: fotografias, brinquedos, óculos, canecas, facas e outros. 

“Meu trabalho vem com uma temática da memória familiar. No mestrado, me concentrei nas fotografias. Nesse primeiro momento [do doutorado], o objeto que eu mais explorei foram as facas do meu avô”, contou ele. O familiar de origem humilde, que trabalhou na lavoura e em frigorífico, mantinha uma relação especial com seu conjunto de facas, que, conforme Fonseca, se tornaram “quase um autorretrato”.

Focado na gravura, o artista usou técnicas de litografia (gravura com matriz de pedra) para representar uma adaga nordestina e documentos do seu arquivo familiar. No trabalho com placas de cobre, deixou que a corrosão ocorresse sem limite de tempo. “Fica uma coisa meio ‘ruína’. Me interesso muito por essa coisa meio falha, apagada. Também passei a ver a matriz [a placa de cobre usada para fazer a impressão] como um objeto interessante para ser exposto.”

Em outro caso, o próprio objeto, outra faca, recebeu gravações por meio de um processo de eletrocorrosão. “Acho que a vivência familiar é um microcosmo desse sentimento que a gente trabalha da vivência social. Então, um vestígio de um brinquedo é como rememorar o que eu passei, como me construí como pessoa, como foi a relação com os meus avós e meus pais. Tento trazer um pouco de tudo isso para o trabalho.”

Contrastes do tempo

Dayan de Castro participa da exposição com “Neurastenia: impressões do nascer do sol” e apresenta dois projetos que se complementam, também relacionados à sua própria história de vida, tendo nascido no Cerrado brasileiro. 

A primeira parte é um trabalho chamado “Sibilas”: rostos de produtoras rurais de pequenas comunidades do semiárido mineiro, impressas em mármore por meio de uma técnica do século 19 denominada Van Dyke Brown. “As sibilas são antigas profetisas romanas que, segundo a lenda, eram mulheres tão velhas quanto a Terra e, por saberem tudo o que se passou, conseguiam dizer o que viria. Aqui, temos a ideia de questionar quem seriam as sibilas contemporâneas”, comentou o artista.

Em contraste com a vida pacata dessas mulheres, a outra parte do trabalho é composta de paisagens que mostram “um tempo da monocultura, um tempo da destruição e um tempo muito mais rápido”. São imagens também produzidas por meio de um processo antigo de impressão fotográfica chamado goma bicromatada.

Castro, que é fotógrafo, registrou as imagens em visitas à região durante os últimos 15 anos. Esse trabalho, que pensa a relação com o tempo, resultará, além da tese acadêmica, em um romance que está em vias de publicação e leva o mesmo nome da exposição. 

Livro de artista

O trabalho apresentado pela doutoranda Fabiana Grassano, intitulado “Percursos bahienses”, é inspirado em uma temporada da artista na Bahia. A designer de livros pesquisa desde 2016 o livro de artista  — uma forma de expressão artística concebida no formato de livro.

“A minha pesquisa é a materialidade no processo de criação do livro de artista. Trabalho com encadernação, diferentes materiais como acrílico, papel, gravura e diferentes tipos de impressão”, explicou a artista. 

Em uma das obras apresentadas, um livro sanfonado impresso em papel fotográfico, Grassano expõe rastros e restos da natureza e da passagem humana pela Praia do Sargi (BA), desde conchas e pegadas até lixo. “A forma contínua do livro, essa linearidade, faz parte dessa narrativa de uma caminhada”, contou. 

Outro projeto, de fotografia em acrílico, da série “Reflexos marítimos”, traz imagens do mar refletindo o céu em diferentes momentos, que quando sobrepostas dão a ilusão de ser uma coisa só. “Essa sobreposição vai se revelando quando você vai passando as páginas transparentes”. 

A doutoranda apresenta, ainda, um conjunto de fotogravuras encavográficas (tipo de impressão em baixo-relevo com uma matriz metálica e em polímero) intituladas “Natureza pulsante”. “São imagens que têm uma força visual maior, todas impressas em azul”.

Foto de capa:

Mostra é composta por parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos 15 expositores
Mostra é composta por parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos 15 expositores

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Tecnologia aumenta a solubilidade de cúrcuma, quercetina, carotenoides, urucum e vitaminas lipossolúveis https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/02/03/tecnologia-aumenta-a-solubilidade-de-curcuma-quercetina-carotenoides-urucum-e-vitaminas-lipossoluveis/ Tue, 03 Feb 2026 16:36:00 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55250 Pesquisadores da FEA desenvolveram processo, disponível para licenciamento para empresas dos setores de alimentos, suplementos e cosméticos

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Compostos naturais amplamente utilizados pela indústria, como cúrcuma, urucum, carotenoides e vitaminas lipossolúveis, têm reconhecido potencial nutricional, mas costumam apresentar baixa solubilidade em água. Essa característica impede que ultrapassem a barreira intestinal com eficiência, reduzindo a biodisponibilidade — isto é, a fração do nutriente que de fato é absorvida e aproveitada pelo organismo —, além de dificultar sua incorporação em produtos líquidos ou em formulações que exigem maior estabilidade.

“Há nutrientes que têm dificuldade para atravessar a membrana intestinal e ser absorvidos, porque não se dissolvem em água. Nossa combinação de nutrientes contorna essa barreira. Embora o composto seja hidrofóbico, a formulação faz com que ele se disperse melhor no meio aquoso, aumentando a chance de ser absorvido”, explica Ariel Antonio Campos Toledo Hijo, um dos inventores e egresso da Facldade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde concluiu seu mestrado, doutorado e pesquisa de pós-doutorado.

Também participou do desenvolvimento o professor Antonio José de Almeida Meirelles, da FEA. A tecnologia — que é resultado de uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — melhora o desempenho de compostos como cúrcuma, urucum, carotenoides e vitaminas A, D, E e K quando incorporados a suplementos, alimentos funcionais e bebidas.

“A principal vantagem está em potencializar a ação fisiológica desses compostos sem recorrer a aditivos sintéticos ou tecnologias industriais complexas, mantendo o apelo deformulações naturais e alinhadas ao chamado clean label, termo usado pela indústria para designar produtos com listas de ingredientes simples, reconhecíveis e livres de substâncias artificiais”, complementa Toledo Hijo.

Tecnologia testa solubilidade e dispersão de compostos bioativos naturais
Tecnologia testa solubilidade e dispersão de compostos bioativos naturais

Aplicação e rotas industriais

Os testes foram conduzidos em TRL 4 (Nível de Maturidade Tecnológica 4, na sigla em inglês), que indica a validação da tecnologia em ambiente de laboratório usando protótipos funcionais. Isso corresponde a uma etapa intermediária de maturidade tecnológica, na qual os princípios já estão demonstrados e as primeiras aplicações começam a ser testadas de maneira estruturada. Ensaios in vitro realizados posteriormente ao desenvolvimento da tecnologia pelos cientistas confirmaram a melhoria da absorção.

“A baixa complexidade do processo e o uso de matérias-primas amplamente disponíveis favorecem a adoção por empresas interessadas em comercializar ingredientes funcionais, produtos imunológicos e até cosméticos de base natural”, observa Toledo Hijo.

Demandas do mercado e da sociedade

Ao aprimorar a solubilidade e a absorção de ingredientes já consolidados, a tecnologia oferece um caminho para formulações naturais mais eficientes, alinhadas às demandas de consumidores que buscam produtos limpos e sustentáveis, com abordagem compatível com os princípios daquímica verde e consistentes em desempenho nutricional.

O depósito do Certificado de Adição foi realizado com base em uma estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp, responsável pela proteção intelectual e pela aproximação da Universidade com potenciais licenciados. Segundo Toledo Hijo, a tecnologia está disponível para empresas dos setores de alimentos, suplementos, cosméticos e ingredientes bioativos interessadas em avançar para etapas de validação industrial e desenvolvimento de novos produtos.

Além das aplicações diretas, a pesquisa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) ligados à saúde e bem-estar (ODS 3), inovação (ODS 9) e produção responsável (ODS 12), reforçando a importância da pesquisa acadêmica na criação de soluções alinhadas às demandas do mercado e da sociedade.

Como licenciar

A Inova Unicamp disponibiliza uma vitrine tecnológica no Portfólio de Tecnologias da Unicamp. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, com ou sem exclusividade, tais como patentes, cultivares, marcas, software e know-how. O contato e negociação são realizados diretamente com a Agência de Inovação da Unicamp pelo formulário de conexão com empresas.

A Inova Unicamp também oferece ativamente as tecnologias para as empresas, com a intenção de que o conhecimento gerado na Universidade chegue ao mercado e à sociedade em forma de soluções inovadoras.

Foto de capa:

Combinação apresenta baixa complexidade de processo e utiliza matérias-primas amplamente disponíveis
Combinação apresenta baixa complexidade de processo e utiliza matérias-primas amplamente disponíveis

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Inteligência Artificial ajuda a entender e combater o comportamento sedentário  https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/01/30/inteligencia-artificial-ajuda-a-entender-e-combater-o-comportamento-sedentario/ Fri, 30 Jan 2026 18:41:19 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55158 Tecnologias vestíveis como smartwatches e anéis inteligentes surgem como aliadas para estimular mudanças de hábitos

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Quando um novo ano começa, muita gente coloca entre suas resoluções a de vencer o sedentarismo. A Ciência já comprovou que praticar atividade física garante saúde e bem-estar, mas dar o primeiro passo exige determinação. “Ser sedentário não significa apenas não praticar exercícios físicos. O sedentarismo está relacionado, sobretudo, ao excesso de tempo em comportamentos de baixo gasto energético, como permanecer sentado ou deitado por longos períodos ao longo do dia. Uma pessoa pode, por exemplo, passar de oito a dez horas sentada no trabalho e ainda frequentar a academia regularmente. Nesse caso, ela é fisicamente ativa, mas apresenta um alto nível de comportamento sedentário no cotidiano”, afirma o pós-doutorando Vitor Tessutti, da Faculdade de Educação Física (FEF) da Unicamp e especialista em ciências da saúde e corrida.

Vencida a barreira inicial, como acertar a quantidade de exercícios? “Para uma vida saudável, o ideal é fazer 75 minutos de atividade vigorosa por semana, que podem ser divididos em 15 minutos por dia, em cinco dias, e de 150 a 300 minutos semanais de atividades leves e moderadas, justamente para quebrar o comportamento sedentário”, explica. 

“Muitas vezes, as pessoas deixam de se movimentar porque acreditam que só vale a pena se exercitar por longos períodos, quando, na prática, pequenas mudanças distribuídas ao longo do dia já fazem diferença, como caminhar ou subir escadas, por exemplo”, completa Tessutti. Ele e o doutorando Alexis Aldo Mendoza, do projeto Viva Bem, núcleo de Saúde e Bem-Estar do Laboratório de Inteligência Artificial Recod.ai, do Instituto de Computação (IC) da Unicamp, trabalharam em um estudo com cerca de cem voluntários para coletar dados e desenvolver um modelo de IA voltado para o comportamento sedentário, com a ajuda dos chamados dispositivos vestíveis, como smartwatches e anéis inteligentes. 

Em seu quinto ano de atividades, o Viva Bem , coordenado por Emely Silva, investiga dez aplicações de IA para saúde e bem-estar em parceria com a indústria, incluindo a detecção do comportamento sedentário. “A pesquisa com dispositivos vestíveis poderá, num futuro próximo, dar indicações de atividades para que uma pessoa saia desse comportamento sedentário e melhore antes que ocorra algum problema crítico de saúde”, explica Silva. “A IA é uma amiga, mas ela tem que ser usada de forma crítica. É o futuro que a gente gostaria. Precisamos entender como ela vai poder ajudar, e por isso deixo um convite aberto para quem quiser participar das nossas pesquisas no núcleo”, completa. 

 A coordenadora do Viva Bem, Emely Silva (na tela); Vitor Tessutti (à esquerda) e Alexis Aldo Mendoza (à direita): dez aplicações de IA para saúde e bem-estar em parceria com a indústria, incluindo a detecção do comportamento sedentário
A coordenadora do Viva Bem, Emely Silva (na tela); Vitor Tessutti (à esquerda) e Alexis Aldo Mendoza (à direita): dez aplicações de IA para saúde e bem-estar em parceria com a indústria, incluindo a detecção do comportamento sedentário

Desafios fora do laboratório

“A partir de sensores de movimento e sinais fisiológicos, como a frequência cardíaca, é possível estimar os níveis de atividade física ao longo do dia. Mas o grande desafio é identificar com precisão o comportamento sedentário fora do laboratório, no cotidiano. Por exemplo, ao trabalhar sentado, digitando, o movimento das mãos pode confundir o sensor do relógio, fazendo parecer que a pessoa está ativa, quando na verdade permanece sentada”, alerta Mendoza.

“Para resolver isso, criamos uma rede neural chamada XNet. O diferencial do nosso trabalho foi desenvolver um modelo que não olhasse apenas para o movimento bruto, mas também para a repetição e frequência desses movimentos, combinando essas informações de uma forma inteligente”, explica.

Para lidar com as limitações, os estudos combinaram dados de movimento com sinais fisiológicos. “Especialmente a frequência cardíaca, apesar de ela poder ser influenciada por fatores como café ou estresse. Mas a combinação com dados de movimento melhora a identificação da intensidade das atividades, especialmente quando se trata de diferenciar comportamentos sedentários de atividades leves”, completa.

Mendoza conta que, a partir das técnicas de aprendizado de máquina e redes neurais, os dados coletados foram segmentados em janelas. “O modelo faz a previsão da intensidade da atividade para cada intervalo. Também foi desenvolvido um sistema de análise visual. Além da precisão, a transparência é fundamental. As ferramentas de análise visual permitem compreender quais sinais e momentos são mais relevantes para a tomada de decisão do sistema.”

A detecção automática do comportamento sedentário abre caminho para intervenções personalizadas, como alertas para pausas ativas, definição de metas diárias e recomendações adaptadas à rotina de cada pessoa. “Mais do que estimular a prática de exercícios, essas estratégias valorizam pequenas mudanças no cotidiano, reforçando a ideia de que reduzir o tempo sentado é fundamental”, destaca Tessutti. 

Para uma vida saudável, o ideal é fazer 75 minutos de atividade vigorosa por semana, que podem ser divididos em 15 minutos por dia, em cinco dias
Para uma vida saudável, o ideal é fazer 75 minutos de atividade vigorosa por semana, que podem ser divididos em 15 minutos por dia, em cinco dias

Equivalente metabólico

Do ponto de vista fisiológico, o comportamento sedentário é definido por atividades com gasto energético muito baixo, geralmente abaixo de 1,5 MET (múltiplo equivalente metabólico, medida que estima o gasto energético de atividade física para um indivíduo).

Esse valor é medido a partir da respiração e do consumo de oxigênio do corpo. A quantificação em METs permite classificar as atividades do dia a dia em quatro níveis: comportamento sedentário, atividades leves, moderadas e vigorosas. Permanecer sentado ou deitado por longos períodos se enquadra no nível mais baixo dessa escala.

“Em uma rotina de trabalho, por exemplo, normalmente a pessoa fica sentada por quatro horas pela manhã, desloca-se para almoçar e depois permanece mais quatro horas sentada à tarde. O ideal é levantar a cada hora por cerca de três minutos, caminhar um pouco e depois retornar ao trabalho. Isso já ajuda a reduzir os impactos do sedentarismo”, afirma Tessutti. Por isso, a ideia de monitorar movimentos é vista como grande aliada. “Hoje, pelo celular, por exemplo, a pessoa já consegue se organizar, seja contando passos ou subindo escadas. O importante é estabelecer metas”, completa.

“As ferramentas ajudam as pessoas a se conhecerem melhor. A partir dos históricos [dos aplicativos] é possível observar que, depois de períodos maiores de atividades moderadas e leves, elas se sentem bem; já quando permanecem sentadas por muito tempo, costumam relatar dores nas costas ou baixa energia”, completa Mendoza. “O interessante é dar controle para a pessoa para que ela possa fazer as melhores escolhas.”

Mas Tessutti lembra que a tecnologia não deve ser a única aliada contra o sedentarismo, já que o ambiente e as políticas públicas têm papel fundamental nesse combate. “Longos deslocamentos, jornadas extensas de trabalho e falta de infraestrutura dificultam a prática de atividade física. Estratégias urbanas que favoreçam deslocamentos a pé e reduzam o tempo gasto em transporte podem contribuir significativamente para a redução do sedentarismo.”

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Estudo envolveu cerca de cem voluntários para coletar dados e desenvolver um modelo de IA voltado para o comportamento sedentário, com a ajuda dos chamados dispositivos vestíveis, como smartwatches e anéis inteligentes
Estudo envolveu cerca de cem voluntários para coletar dados e desenvolver um modelo de IA voltado para o comportamento sedentário, com a ajuda dos chamados dispositivos vestíveis, como smartwatches e anéis inteligentes

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Microesferas com cascas de jabuticaba e pequi aumentam a estabilidade de probióticos https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/01/27/microesferas-com-cascas-de-jabuticaba-e-pequi-aumentam-a-estabilidade-de-probioticos/ Tue, 27 Jan 2026 16:54:40 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55137 Disponível para licenciamento, tecnologia amplia a resistência desses micro-organismos em produtos vegetais e à base de frutas

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Probióticos auxiliam o equilíbrio da microbiota intestinal, fortalecem o sistema imunológico e melhoram a digestão.No entanto, incorporá-los a alimentos não lácteos ainda é um desafio para a indústria, pois esses micro-organismos são sensíveis a variações de acidez, temperatura e teor de açúcar.

Para contornar essas limitações, pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos  (FEA) da Unicamp desenvolveram microesferas que encapsulam probióticos, criando uma camada de proteção que viabiliza seu uso em produtos vegetais e à base de frutas. Essas microesferas funcionam como veículos  que mantêm os micro-organismos vivos por mais tempo, mesmo sob condições mais adversas. A tecnologia corresponde a um Certificado de Adição (CA) de patente anterior, criada também na FEA-Unicamp.

“Na primeira versão, desenvolvemos cápsulas com alginato de cálcio – um polímero natural extraído de algas – e casca de jabuticaba em pó. O uso dessa fruta, além de conferir cor natural, aumentou a estabilidade dos probióticos, permitindo que sobrevivessem em alimentos mais ácidos, como uma geleia”, explica o professor Juliano Lemos Bicas, docente da FEA-Unicamp e um dos inventores da tecnologia.

Tecnologia incorpora óleo de pequi à matriz composta por alginato de cálcio e casca de jabuticaba
Tecnologia incorpora óleo de pequi à matriz composta por alginato de cálcio e casca de jabuticaba

O novo processo aprimora essa técnica ao combinar diferentes métodos de encapsulação e incorporaro óleo de pequi à matriz composta por alginato de cálcio e casca de jabuticaba. Essa combinação formou camadas adicionais de proteção, criando emulsões duplas capazes de preservar os micro-organismos mesmo em condições mais adversas.

“Habitualmente aplicados em produtos lácteos, por conta do pH pouco ácido, os probióticos foram testados em ambientes extremos — com alta acidez e concentração de açúcar — e permaneceram viáveis”, detalha Bicas.

Os resultados apontam para uma maior resistência dos micro-organismos encapsulados frente a acidez, pressão osmótica e tratamentos térmicos rápidos.

“Esses dados mostram que a tecnologia pode ser aplicada em sucos, polpas, geleias e bebidas vegetais — alimentos nos quais, até então, os probióticos não sobreviviam por muito tempo”, ressalta o docente.

Ingredientes brasileiros

A tecnologia, desenvolvida em parceria com os pesquisadores Marina Felix Cedran e Fábio Júnior Rodrigues, ambos doutores em Ciência de Alimentos pela FEA-Unicamp, prioriza ouso de ingredientes nativos e oaproveitamento sustentável de subprodutos da agroindústria.

“A combinação de jabuticaba e pequi não só apresenta melhor desempenho como também valoriza a biodiversidade brasileira”, destaca Bicas.

Ricos em compostos bioativos, essas matérias-primas foram incorporadas à formulação como agentes de proteção e reforço nutricional. “Os resultados indicam que subprodutos e resíduos agroindustriais, por exemplo, que muitas vezes vão para compostagem ou alimentação animal, podem ter um uso mais nobre, trazendo benefícios reais à saúde humana”, afirma o pesquisador.

Microesferas encapsulam probióticos e criam camada reforçada de proteção
Microesferas encapsulam probióticos e criam camada reforçada de proteção

Avanço tecnológico

O próximo passo é ampliar a escala e validar a viabilidade industrial. O grupo já realizou testes em escala piloto, com apoio de parceiros industriais, utilizando uma tecnologia análoga (mas não idêntica à atual), o que ajuda a orientar os próximos passos para difundir a invenção até níveis mais altos de maturidade tecnológica.

A invenção foi patenteada com apoio da Agência de Inovação Inova Unicamp. Para o pesquisador, esse suporte é essencial para conectar a pesquisa à aplicação prática.

“A Inova tem uma estrutura muito organizada, que nos orienta desde a proteção intelectual até a interface com empresas. É o que garante que nossas pesquisas cheguem ao mercado”, avalia o pesquisador.

A tecnologia contribui para os Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 – Saúde e Bem-Estar ao oferecer alternativas alimentares mais inclusivas e promover o aproveitamento sustentável de resíduos vegetais.

Matéria publicada originalmente no site da Inova Unicamp.

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Estudantes da Fecfau elaboram plano de melhorias para o Residencial Jardim Bassoli, em Campinas https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/01/26/alunos-da-fecfau-apresentam-plano-de-bairro-para-o-residencial-jardim-bassoli/ Mon, 26 Jan 2026 16:45:11 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55075 Projeto de extensão pretende ouvir cerca de 1.500 crianças para elaborar documento colaborativo

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Estudantes da Fecfau elaboram plano de melhorias

para o Residencial Jardim Bassoli, em Campinas

Projeto foi desenvolvido a partir das demandas da comunidade, em especial das crianças

Estudantes e docentes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (Fecfau) apresentaram, aos moradores do conjunto habitacional Jardim Bassoli, na região oeste de Campinas, e a representantes do poder público municipal, ideias de melhorias para os espaços comuns e condomínios. O trabalho é resultado de uma ação de extensão, iniciada no primeiro semestre de 2025, em parceria com o Grupo Institucional do Poder Público (GIPP) do Jardim Bassoli, e foi desenvolvido a partir das demandas da comunidade, em especial das crianças.

A professora da Fecfau Fabricia Zulin: projeto piloto para criação de metodologia
A professora da Fecfau Fabricia Zulin: projeto piloto para criação de metodologia

A reunião ocorreu no Condomínio R, um dos 19 condomínios residenciais do bairro, em novembro. A expectativa é que a iniciativa sirva como um projeto piloto para a criação de uma metodologia replicável em outros territórios, com foco na ocupação mais sustentável dos espaços. “Essa foi uma primeira aproximação, porque pretendemos fazer um trabalho contínuo, de modo a colaborar e apoiar a governança [municipal]”, explicou a professora da Fecfau Fabricia Zulin.

Os projetos foram desenvolvidos por alunos da disciplina AU144 – Arquitetura de Interesse Social– ministrada pelas professoras Zulin e Silvia Mikami –, que conta com um vetor extensionista e já tem um longo histórico de trabalho com outras comunidades. Além disso, três alunas estão desenvolvendo seus projetos de Trabalho Final de Graduação (TFG), com base no Jardim Bassoli.

A disciplina uniu a proposta de pensar a expansão do bairro para uma nova área adjacente, ainda não urbanizada, com outra voltada para melhorias nos espaços públicos do atual Residencial Jardim Bassoli e nas áreas coletivas dos condomínios, a partir de um diagnóstico de campo.

Algumas das soluções das cinco equipes incluíam, por exemplo, áreas específicas para comércios, espaços de lazer e convivência e melhorias nas rotas até as escolas. A conexão do local com outros bairros seria solucionada por meio de uma passarela de ligação, e os estudantes projetaram uma nova sede do Projeto Gente Nova (Progen) – organização da sociedade civil que desenvolve trabalhos de convivência e fortalecimento de vínculos com crianças, adolescentes e adultos no Jardim Bassoli há quase 12 anos.

Dentro dos condomínios, pensou-se na criação de pequenos depósitos, pintura dos prédios, espaço para oficinas e reformas pontuais. “O trabalho se encaixa com o que está sendo discutido nas reuniões do GIPP e nas oficinas com as crianças”, reiterou a docente.

Para o aluno Isaac Silva, a disciplina descortinou uma nova visão da arquitetura e dos desafios de lidar com questões sociais complexas, a exemplo do grande número de moradores no conjunto habitacional – cerca de 7.500 – e da criminalidade presente no cotidiano da comunidade. “Ter essa noção, dentro da habitação social, é muito importante para nossa formação como arquitetos e urbanistas.”

Estudantes apresentam os projetos para representação do bairro; algumas das soluções das cinco equipes incluíam áreas específicas para comércios, espaços de lazer e convivência e melhorias nas rotas até as escolas
Estudantes apresentam os projetos para representação do bairro; algumas das soluções das cinco equipes incluíam áreas específicas para comércios, espaços de lazer e convivência e melhorias nas rotas até as escolas

Silva destacou o projeto do parque de lazer infantil, que contemplou medidas para lidar com o problema de saneamento, utilizando áreas verdes. “Conseguimos solucionar isso de uma forma legal com fitorremediação, plantas que eles podem plantar, além das hortas, que já são uma atividade comum aqui.”

Visibilidade

Elisângela da Costa é síndica do Condomínio R e se engaja nos assuntos da comunidade. Ela acompanha o projeto da Unicamp desde o início e conta que, quando os moradores se mudaram para o bairro (a partir de 2012), não havia serviços como posto de saúde, escola e creche. Apesar de algumas melhorias, “tem muita coisa que precisa ser adaptada ainda, porque o bairro não tem uma escola própria [somente creche]; o Cras [Centro de Referência de Assistência Social] foi colocado lá no Parque Floresta [bairro próximo] e fica longe para irmos. Também estamos lutando por um ecoponto.”

Para a assistente social e coordenadora do Progen, Rita Gonçalves, os projetos apresentados pela Unicamp reconhecem as demandas locais e a necessidade de políticas públicas para garantir o acesso a direitos. “Ainda que [o bairro] esteja em Campinas, está em um território muito distante. A Unicamp estar aqui traz visibilidade para essa comunidade que tem suas vulnerabilidades, mas também é potente. Envolver e ouvir a população constrói cidadania.”

Conforme Conceição Pires, servidora da secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Campinas, o GIPP do Jardim Bassoli – que foi instituído em 2024 e conta com representantes de diferentes secretarias municipais – é um caminho para construção dessas políticas públicas. “Não há solução pronta, esses espaços estão abrindo condições para um trabalho conjunto na construção de um plano de bairro, e a Unicamp pode colaborar nesse sentido.”

À esquerda, Elisângela da Costa, síndica do Condomínio R; A assistente social e coordenadora do Progen, Rita Gonçalves (à direita): reconhecimento das demandas locais
À esquerda, Elisângela da Costa, síndica do Condomínio R; A assistente social e coordenadora do Progen, Rita Gonçalves (à direita): reconhecimento das demandas locais

Olhar infantil

A interação com a comunidade aconteceu em diferentes momentos. Durante atividade do programa estadual “Viva o leite”, por exemplo, a turma aplicou um questionário e entrevistou mães. Em outras duas visitas, em abril e em junho, foram realizadas oficinas utilizando uma metodologia participativa de projeto de bairro com e para crianças e adolescentes, desenvolvida pela professora Matluba Khan, da Cardiff University (Reino Unido).

Na ocasião, devido a um convênio com a Unicamp, Khan estava em Campinas, com articulação do professor da Fecfau Sidney Bernardini. A professora treinou os alunos para a aplicação da metodologia e participou das oficinas no Jardim Bassoli, realizadas com aproximadamente 50 jovens de 7 a 14 anos.

Aplicação da metodologia em oficinas organizadas com aproximadamente 50 jovens de 7 a 14 anos
Aplicação da metodologia em oficinas organizadas com aproximadamente 50 jovens de 7 a 14 anos

Estudante da disciplina, Raíssa Demattê relatou que aprendeu a olhar para o planejamento urbano a partir da perspectiva e das escalas infantis, com atenção para demandas como bebedouros nas quadras, espaços de convivência, escolas, banheiros, pomares e outras. “Tudo isso faz parte de um planejamento que contempla todos os que convivem na comunidade. As crianças têm muito a acrescentar com esse olhar da rua em uma ‘altura menor.’”

“É impressionante como se interessam em mostrar seu cotidiano. Muitas vezes, essa visão é ignorada, então essa metodologia mostra a potência dessa percepção sobre os espaços”, ressaltou Zulin.

Nas oficinas, as crianças demarcaram em mapas áreas de que gostam e de que não gostam, fotografaram espaços do bairro durante uma caminhada e criaram maquetes e desenhos para simbolizar o bairro que desejam para o futuro. Depois, votaram as propostas que consideravam prioritárias a curto, médio e longo prazos. Em curto prazo, priorizaram a melhoria do parquinho ao lado do Progen, o fornecimento de água para todos (devido a problemas com as caixas d’águas de alguns condomínios) e o conserto das escadas de prédios, que apresentam problemas estruturais.

Nas oficinas, as crianças demarcaram em mapas áreas de que gostam e de que não gostam, fotografaram espaços do bairro e criaram maquetes e desenhos
Nas oficinas, as crianças demarcaram em mapas áreas de que gostam e de que não gostam, fotografaram espaços do bairro e criaram maquetes e desenhos

Continuidade

A partir dessa primeira experiência com a metodologia proposta por Khan, Zulin conta que a ideia é expandir esse projeto para incluir todas as crianças matriculadas nas escolas públicas no entorno do Jardim Bassoli – cerca de 1.500 jovens de 6 a 14 anos.

A proposta foi contemplada pelo edital da Pró-reitora de Pesquisa (PRP) “Mais Mulheres na Pesquisa” e prevê o fortalecimento da cooperação internacional entre a Unicamp e a Cardiff University, adaptando a metodologia ao contexto brasileiro.

Por meio da escuta das crianças, a partir de 2026, espera-se consolidar um Plano de Bairro preliminar colaborativo e autogerido. “Queremos criar uma plataforma em que seja possível a manutenção desse plano de forma que os moradores possam interagir, atualizar e aprimorar”, informou Zulin.

Foto de capa:

Projeto foi desenvolvido a partir das demandas da comunidade, em especial das crianças
Projeto foi desenvolvido a partir das demandas da comunidade, em especial das crianças

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AEL e Me Too Brasil assinam convênio para tratamento do maior acervo de lutas feministas da América Latina https://jornal.unicamp.br/noticias/2026/01/19/arquivo-edgard-leuenroth-e-me-too-brasil-assinam-convenio-para-tratamento-do-maior-acervo-de-lutas-feministas-da-america-latina/ Mon, 19 Jan 2026 20:35:29 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=55026 Coleção do Centro de Informação Mulher, doada para o AEL, reúne cartazes, vídeos e grande volume de documentos  

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AEL e Me Too Brasil assinam convênio para tratamento do maior acervo de lutas feministas da América Latina

Coleção do Centro de Informação Mulher reúne cartazes, vídeos e grande volume de documentos  

O Arquivo Edgard Leuenroth (AEL), do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, e a ONG Me Too Brasil assinaram um convênio para acelerar o tratamento do acervo do Centro de Informação Mulher (CIM), considerado o maior conjunto documental da América Latina dedicado às lutas feministas, doado à Universidade em 2023. 

Pelo acordo, a ONG, que atua no enfrentamento à violência sexual e no apoio jurídico, psicológico e social de mulheres, vai apoiar ações de preservação, higienização e acondicionamento do material, enquanto o AEL segue com a responsabilidade pela orientação técnica, restauro e elaboração da listagem para acesso público. 

“Tendo em vista o volume de documentos, ainda vai demorar para todo o acervo ser devidamente inventariado, mas o AEL dá acesso a consulentes interessados, seguindo as regras do arquivo, enquanto o material é processado. Neste momento, estão sendo feitas as primeiras etapas de tratamento, de higienização e acondicionamento do material em áreas específicas de guarda de acervos. À medida que o trabalho avançar, e também sob demanda, serão feitas exposições e debates”, adianta o diretor do Arquivo, Mário Medeiros. 

A advogada Marina Zanatta Ganzarolli: reconhecimento dos direitos humanos
A advogada Marina Zanatta Ganzarolli: reconhecimento dos direitos humanos

A iniciativa do convênio foi proposta pela presidente da ONG, a advogada Marina Zanatta Ganzarolli. “Para a Me Too Brasil, essa parceria com o Arquivo Edgard Leuenroth se insere no contexto da preservação da memória e da conservação não apenas dos movimentos de mulheres e feministas e do movimento LGBTQIAPN+, mas, especialmente, dos movimentos sociais populares que se organizaram em torno da defesa e do reconhecimento dos direitos humanos desses movimentos. Esse é um campo de interesse direto da instituição, considerando sua missão de acesso à justiça e de defesa dos direitos humanos das mulheres”, afirma. 

“Os documentos do CIM estavam armazenados em um contêiner. A nossa atuação entra justamente com esse aporte para que a conservação e a catalogação desse material sejam iniciadas, possibilitando que os documentos fiquem disponíveis para o maior público possível. Isso permite o desenvolvimento de mais pesquisas e estudos em torno da preservação e conservação dessas memórias, que são extremamente importantes.

Descobri que esse acervo estava armazenado em um contêiner porque tentei acessá-lo para o trabalho de campo do meu doutorado e não consegui”, ressalta Ganzarolli.

Além do tratamento do acervo, o acordo prevê a formação de uma rede de pesquisa dedicada à preservação da memória feminista e à prospecção e captação de novos acervos ligados ao combate à violência contra as mulheres. “A parceria com a Me Too Brasil vai possibilitar minimamente o acesso a essa documentação”, comemora a supervisora da preservação e difusão do AEL, Castorina Augusta Madureira de Camargo. 

Marta Baião, diretora do CIM, e Mario Medeiros, diretor do AEL, durante assinatura do acordo de doação do acervo
Marta Baião, diretora do CIM, e Mario Medeiros, diretor do AEL, durante assinatura do acordo de doação do acervo (Foto: Divulgação AEL)

História preservada

Duas pesquisas foram fundamentais para a doação do acervo do CIM ao AEL. “Sob minha orientação, a aluna de mestrado Milene Marques Matos estudava a organização de mulheres negras em São Paulo no contexto da redemocratização após a ditadura e necessitava de material sobre o Conselho da Condição Feminina de São Paulo [que se tornou a dissertação “O feminismo é negro: Sueli Carneiro, ativismo intelectual e políticas para mulheres no Brasil”, 2022]. Na mesma época, a estudante de doutorado Iasmim de Araújo Vieira, sob orientação da professora Bárbara Castro, também buscava documentação sobre organizações feministas em São Paulo [que se tornou a tese “Entre conflitos e diálogos: demarcações de diferenças nas relações políticas e raciais entre mulheres nos Fóruns de Discussão Feminista em São Paulo (1981-1985), 2025]”. Assim, ambas as pesquisadoras chegaram ao CIM, onde encontraram o material e nos informaram da importância do centro e também das dificuldades pelas quais passava”, conta o diretor.

Chegada do acervo no AEL em março de 2023 (Fotos: Divulgação AEL)
Chegada do acervo no AEL em março de 2023 (Fotos: Divulgação AEL)

Na época, a sede do CIM, no centro de São Paulo, ficava em um prédio em litígio com o governo federal. “O acervo do CIM é certamente um dos grandes conjuntos documentais que preservam a memória de organizações de mulheres no Brasil. Desde 1981, quando foi criado, o CIM se propôs a preservar cartazes, livros, atas de reuniões e fotografias, entre outros materiais, não apenas do território nacional. Nele também existe farta documentação do continente americano, europeu, africano e asiático”, explica Medeiros. “O CIM foi criado por Miriam Botassi, Rosa Beatriz Gouvêa e Sônia Cailó, mulheres que infelizmente já faleceram, e o acervo estava sob a responsabilidade da atriz e ativista feminista Marta Baião e do ator e produtor cultural Décio Filho quando foi recebido pelo AEL. Após meses de entendimentos, recebemos o material, antes que o centro sofresse a ação de despejo. Isso ocorreu entre 2021 e 2022. O acervo chegou na Unicamp em 4 de março de 2023”, lembra o diretor. 

No ano passado, Ganzarolli entrou em contato com o Arquivo para saber das possibilidades de apoio ao tratamento do acervo. “Ela conhece bem o AEL também pelo fato de ser filha de uma antiga funcionária do arquivo, Elaine Zanatta. Para nós, essa cooperação é muito importante, pois fortalece o compromisso do arquivo com a preservação de histórias de mulheres e fomenta pesquisas e difusão pública”, diz Medeiros.

O acervo tem 238 metros lineares, incluindo 105 metros de documentação textual, 92 metros lineares de revistas e folhetos encadernados, 14 metros de jornais, 7 metros de fotografias, 10 metros de cartazes
O acervo tem 238 metros lineares, incluindo 105 metros de documentação textual, 92 metros lineares de revistas e folhetos encadernados, 14 metros de jornais, 7 metros de fotografias, 10 metros de cartazes

“Em relação a essa parceria especificamente, o meu envolvimento familiar com o Arquivo Edgard Leuenroth e com a Unicamp certamente teve uma influência significativa. Cresci acompanhando minha mãe, mãe solo, em seu trabalho entre os arquivos e junto aos estudantes que atuavam na conservação da documentação. Ela foi diretora do AEL por muitos anos, o que estabeleceu uma relação pessoal profunda com esse arquivo, reconhecido como o maior acervo de movimentos sociais da América Latina”, destaca Ganzarolli.

“Quando falamos de preservação, conservação e memória, faz muito sentido que esses acervos estejam reunidos em um único lugar. Na nossa opinião, o AEL é esse lugar, pois já abriga o acervo do Geledés Afro-Memória e o acervo do CIM, incorporado após o despejo da organização. Temos interesse que outros acervos também sejam encaminhados para o AEL, para que ele se consolide ainda mais como um grande polo de memória dos movimentos sociais”, completa a advogada.

Após a chegada do acervo, o AEL passou também a integrar a Rede de Arquivos de Mulheres (RAM). “É uma importante rede de instituições públicas e privadas que se dedica a salvaguardar e dar acesso à memória social de mulheres e produzir referências para o tempo presente e futuro”, destaca Medeiros.

Salvaguarda da memória

No Arquivo, a unidade de medida usada é o metro linear, que corresponde aproximadamente a uma prateleira de estante, explica o coordenador de Serviços, Humberto Innarelli. “O acervo do CIM é de grande porte. Estima-se um prazo de cerca de três anos para a organização completa. Hoje, o foco do AEL é a salvaguarda da memória. O acesso pleno vem depois.”

Segundo Marcos Vinícius Lopes, supervisor da seção de tratamento da informação, o acervo tem 238 metros lineares, incluindo 105 metros de documentação textual, 92 metros lineares de revistas e folhetos encadernados, 14 metros de jornais, 7 metros de fotografias, 10 metros de cartazes, com aproximadamente 5 mil itens, e 10 metros lineares de registros multimídia. 

O coordenador de Serviços, Humberto Inarelli e a supervisora da preservação e difusão, Castorina Augusta Madureira de Camargo
O coordenador de Serviços, Humberto Inarelli e a supervisora da preservação e difusão, Castorina Augusta Madureira de Camargo: unidade de medida é o metro linear

Cartazes que contam histórias

Entre os destaques do acervo estão cartazes que retratam momentos históricos do movimento feminista. “Tudo foi preservado com muita luta”, contou Marta Baião na ocasião da doação. “Os cartazes são preciosos, talvez uma das maiores coleções de cartazes feministas do Brasil, possivelmente da América Latina. Esse volume expressivo também se explica pela efervescência militante dos anos 1980, no contexto da transição democrática. Mais recentemente, com novos ataques a movimentos sociais, muitos acervos passaram a ser doados ao AEL, que hoje guarda cerca de 4 mil metros lineares de documentação”, destaca Innarelli.

Em visita ao AEL, o Jornal da Unicamp conferiu alguns dos cartazes da coleção. “Muitos dos nossos acervos têm bastante documentação textual, jornais e boletins, mas não têm o mesmo impacto visual que um cartaz. Para a comunicação nas redes sociais, cartazes e fotografias fazem muita diferença”, diz Marina Rebelo, da equipe de Difusão. Quando começaram o tratamento do material, “a sensação foi de que se abriu um universo novo para pensar a divulgação”, contou. 

“Nesse recorte de gênero, receber um conjunto com cerca de 5 mil cartazes é algo inédito. Para a Difusão, os cartazes são uma preciosidade, porque carregam a linguagem estética de cada geração, articulam pautas e comunicam rapidamente”, destaca. 

Além dos cartazes, há também fanzines, jornais, boletins, vídeos, DVDs, gravações e muito mais. “Muitas vezes, no calor da militância, não se percebe a singularidade histórica do material produzido. Nem todos os grupos e militantes têm essa consciência. O CIM tinha essa preocupação, o que permitiu um processo sistemático de captação”, completa Rebelo.

Leia mais:

CIM doa à Unicamp acervo sobre movimento feminista

Foto de capa:

A servidora Marina Rebelo, da equipe de Difusão: 5 mil cartazes
A servidora Marina Rebelo, da equipe de Difusão: 5 mil cartazes

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Sistema com IA auxilia diagnóstico de doenças raras em crianças https://portal.fcm.unicamp.br/2025/12/03/fcm-vence-premio-em-congresso-brasileiro-de-alergia-e-imunologia-com-sistema-com-ia-que-auxilia-diagnostico-de-doencas-raras-em-criancas/ Wed, 14 Jan 2026 18:44:00 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=54975 Pesquisa conquistou o primeiro lugar na categoria de tecnologia e inovação no Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia

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Docentes participam da elaboração de diretrizes para rastreamento do câncer do colo do útero https://portal.fcm.unicamp.br/2025/12/16/professores-da-fcm-participam-da-elaboracao-de-diretrizes-nacionais-para-rastreamento-do-cancer-do-colo-do-utero/ Wed, 14 Jan 2026 18:39:51 +0000 https://jornal.unicamp.br/?p=54969 Quatro professores do Departamento de Tocoginecologia integram grupo do Ministério da Saúde que recomendam teste de DNA-HPV como método principal

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