Compostos naturais amplamente utilizados pela indústria, como cúrcuma, urucum, carotenoides e vitaminas lipossolúveis, têm reconhecido potencial nutricional, mas costumam apresentar baixa solubilidade em água. Essa característica impede que ultrapassem a barreira intestinal com eficiência, reduzindo a biodisponibilidade — isto é, a fração do nutriente que de fato é absorvida e aproveitada pelo organismo —, além de dificultar sua incorporação em produtos líquidos ou em formulações que exigem maior estabilidade.
“Há nutrientes que têm dificuldade para atravessar a membrana intestinal e ser absorvidos, porque não se dissolvem em água. Nossa combinação de nutrientes contorna essa barreira. Embora o composto seja hidrofóbico, a formulação faz com que ele se disperse melhor no meio aquoso, aumentando a chance de ser absorvido”, explica Ariel Antonio Campos Toledo Hijo, um dos inventores e egresso da Facldade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde concluiu seu mestrado, doutorado e pesquisa de pós-doutorado.
Também participou do desenvolvimento o professor Antonio José de Almeida Meirelles, da FEA. A tecnologia — que é resultado de uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) — melhora o desempenho de compostos como cúrcuma, urucum, carotenoides e vitaminas A, D, E e K quando incorporados a suplementos, alimentos funcionais e bebidas.
“A principal vantagem está em potencializar a ação fisiológica desses compostos sem recorrer a aditivos sintéticos ou tecnologias industriais complexas, mantendo o apelo deformulações naturais e alinhadas ao chamado clean label, termo usado pela indústria para designar produtos com listas de ingredientes simples, reconhecíveis e livres de substâncias artificiais”, complementa Toledo Hijo.

Aplicação e rotas industriais
Os testes foram conduzidos em TRL 4 (Nível de Maturidade Tecnológica 4, na sigla em inglês), que indica a validação da tecnologia em ambiente de laboratório usando protótipos funcionais. Isso corresponde a uma etapa intermediária de maturidade tecnológica, na qual os princípios já estão demonstrados e as primeiras aplicações começam a ser testadas de maneira estruturada. Ensaios in vitro realizados posteriormente ao desenvolvimento da tecnologia pelos cientistas confirmaram a melhoria da absorção.
“A baixa complexidade do processo e o uso de matérias-primas amplamente disponíveis favorecem a adoção por empresas interessadas em comercializar ingredientes funcionais, produtos imunológicos e até cosméticos de base natural”, observa Toledo Hijo.
Demandas do mercado e da sociedade
Ao aprimorar a solubilidade e a absorção de ingredientes já consolidados, a tecnologia oferece um caminho para formulações naturais mais eficientes, alinhadas às demandas de consumidores que buscam produtos limpos e sustentáveis, com abordagem compatível com os princípios daquímica verde e consistentes em desempenho nutricional.
O depósito do Certificado de Adição foi realizado com base em uma estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp, responsável pela proteção intelectual e pela aproximação da Universidade com potenciais licenciados. Segundo Toledo Hijo, a tecnologia está disponível para empresas dos setores de alimentos, suplementos, cosméticos e ingredientes bioativos interessadas em avançar para etapas de validação industrial e desenvolvimento de novos produtos.
Além das aplicações diretas, a pesquisa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) ligados à saúde e bem-estar (ODS 3), inovação (ODS 9) e produção responsável (ODS 12), reforçando a importância da pesquisa acadêmica na criação de soluções alinhadas às demandas do mercado e da sociedade.
Como licenciar
A Inova Unicamp disponibiliza uma vitrine tecnológica no Portfólio de Tecnologias da Unicamp. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, com ou sem exclusividade, tais como patentes, cultivares, marcas, software e know-how. O contato e negociação são realizados diretamente com a Agência de Inovação da Unicamp pelo formulário de conexão com empresas.
A Inova Unicamp também oferece ativamente as tecnologias para as empresas, com a intenção de que o conhecimento gerado na Universidade chegue ao mercado e à sociedade em forma de soluções inovadoras.
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