Há dez anos, a Faculdade de Educação (FE) da Unicamp passou a abrigar uma iniciativa marcada por um desafio central: aproximar a produção acadêmica sobre leitura da realidade concreta da sala de aula. Criado em 2016, a partir da integração dos grupos Alle (Alfabetização, Leitura e Escrita) e Aula, dedicado ao trabalho e à formação docente, o Grupo de Pesquisa Alle-Aula se caracteriza por sua produção científica, por formar pesquisadores e manter um diálogo permanente com a escola pública. Parte significativa dessa trajetória contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A primeira década do grupo vem sendo celebrada por meio de um ciclo de atividades iniciado em junho e com encerramento previsto para outubro, quando será realizado um evento presencial na Faculdade de Educação. Mais do que comemorar uma data, porém, a programação procura recuperar a história do Alle-Aula, avaliar sua atuação no presente e projetar os desafios que orientarão seu trabalho nos próximos anos.
Para o coordenador do grupo, professor Ezequiel Theodoro da Silva, referência nacional nos estudos sobre leitura e formação de leitores, a criação do Alle-Aula nasceu da necessidade de fortalecer os vínculos entre pesquisa, formação docente e práticas escolares.
“Desde o início, compreendemos que não basta produzir conhecimentos sobre a leitura. É necessário pensar como esses conhecimentos chegam à escola e se transformam em práticas de ensino, mediação e formação de leitores”, explica. “A própria palavra Aula, incorporada ao nome do grupo, expressa esse compromisso: pesquisar a leitura sem perder de vista aqueles que, todos os dias, enfrentam o desafio de formar leitores.”
O Alle-Aula é herdeiro de uma sólida tradição de estudos sobre alfabetização, leitura e escrita desenvolvida na FE-Unicamp, especialmente no âmbito do antigo grupo Alle. Ao incorporar a dimensão do trabalho docente, o novo grupo preservou esse legado e ampliou seu campo de atuação, conferindo maior atenção à escola, à sala de aula e aos processos de formação de professores.
Segundo Silva, esse movimento também procurou enfrentar uma questão recorrente na pesquisa educacional: a distância entre a produção teórica das universidades e as necessidades concretas do cotidiano escolar. “Na Faculdade de Educação da Unicamp já existia uma tradição muito forte de estudos da leitura. A constituição do Alle-Aula procurou preservar e ampliar essa herança, colocando maior ênfase na escola, na sala de aula, nos professores e nos processos de formação de leitores”, afirma.
Foto de capa:

