O Terra Lume – Mostra Cultural do Lume Teatro, projeto anual de intercâmbio, formação e difusão das artes cênicas criado pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp (Lume Teatro), foi o vencedor da categoria Teatro no Prêmio Governador do Estado de São Paulo 2026, tradicional premiação da cultura paulista.
Nesta edição, 13 projetos foram reconhecidos em diferentes áreas da produção artística, com o objetivo de valorizar trabalhos realizados na capital, no interior e no litoral paulista. A premiação contemplou categorias como artes visuais, audiovisual, circo, dança, música, teatro, museus, incentivo à leitura e valorização do patrimônio cultural. A cerimônia foi realizada no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista, no dia 29 de julho, e distribuiu mais de R$ 400 mil em prêmios.

Para Jesser de Souza, ator, pesquisador e responsável pela coordenação de comunicação do Lume, o reconhecimento chega em um momento especialmente significativo para o grupo, que celebra quatro décadas de trajetória. A premiação também coincide com a retomada da circulação do espetáculo Kintsugi – 100 memórias, que estreou em 2019 e teve sua trajetória interrompida pela pandemia de covid-19.
A conquista do Prêmio Governador do Estado é resultado, segundo Souza, de um conjunto de fatores que ampliaram a visibilidade do Lume. Além dos 40 anos de trajetória, está a realização, há mais de 25 anos, das atividades na sede do grupo, que foi se transformando ao longo do tempo. “O que começou como uma programação de cursos passou a reunir apresentações, simpósio internacional, palestras, demonstrações técnicas e produções audiovisuais. Foi ganhando corpo”, conta.
Souza ressalta ainda que a indicação ao prêmio já representava, para o grupo, uma forma de reconhecimento. “A mera indicação para esse prêmio, que é tão importante, e concorrendo com as pessoas que foram indicadas junto conosco, já era uma premiação”, afirma.
O ator e pesquisador também destaca a diversidade dos projetos reconhecidos nesta edição. Para ele, um dos aspectos mais importantes da premiação foi a presença de iniciativas desenvolvidas no interior e no litoral do estado, sem que a capital concentrasse os reconhecimentos. “Há uma mudança no pensamento da função da arte para a sociedade, e ela tem que ser descentralizada mesmo”, avalia. “Esse reconhecimento tem que ser distribuído ao longo de vários lugares do estado, levando em conta as condições que cada conjunto ou pessoa tem para realizar o trabalho.”
O Prêmio Governador do Estado não foi o único reconhecimento recente recebido pelo Lume. O grupo também foi indicado ao Prêmio Shell, em uma categoria especial relacionada aos seus 40 anos de trajetória. A indicação considera a forma como o grupo narra sua história por meio de Kintsugi – 100 memórias.

O espetáculo mistura autoficção e fragmentos de cem lembranças pessoais e coletivas, utilizando a técnica japonesa de consertar cerâmicas com ouro e a metáfora do Alzheimer para discutir cicatrizes, dores e a beleza da imperfeição. A montagem tinha previsão de realizar, em 2020, uma circulação nacional de cerca de 180 dias, mas os planos foram interrompidos pela pandemia. “O espetáculo acabou transformado em uma apresentação realizada para três câmeras, em um teatro vazio, e transmitida pela internet. Agora, a montagem voltou a circular por cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília”, conta o ator.
O Lume já recebeu anteriormente o Prêmio Shell pela continuidade de sua pesquisa. Desta vez, concorre em uma categoria especial, ao lado de outros projetos. A cerimônia está prevista para março, no Rio de Janeiro. Para Souza, as premiações ajudam a dar visibilidade a uma trajetória construída ao longo de décadas, mas “o principal reconhecimento continua sendo a possibilidade de manter a pesquisa e a produção artística em movimento”.
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