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Atualidades Inovação Pesquisa

Centro de Pesquisa Aplicada ‘Viva Bem’ trabalha com Inteligência Artificial voltada à saúde e ao bem-estar

Grupo interdisciplinar ligado ao Instituto de Computação desenvolve soluções para prevenção, monitoramento e cuidados

Foi lançado oficialmente, em evento realizado no Auditório do Instituto de Computação (IC) da Unicamp, na sexta-feira (3), o Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) “Viva Bem”. O projeto, que busca avançar nas potencialidades da Inteligência Artificial (IA) para desenvolver soluções capazes de ampliar a prevenção, o monitoramento e o cuidado com a saúde, conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da empresa Samsung.

A iniciativa aposta no uso de dispositivos “vestíveis”, como relógios e anéis inteligentes. Com um monitoramento contínuo e por meio da utilização de algoritmos avançados, é possível antecipar eventuais riscos à saúde e oferecer acompanhamento personalizado aos pacientes.

Durante a cerimônia de lançamento, o professor e diretor do CPA “Viva Bem”, Anderson Rocha, destacou que o objetivo é promover uma mudança de paradigma na medicina, substituindo um modelo predominantemente reativo – de busca esporádica ou reativa aos consultórios – por uma abordagem preventiva e personalizada.

“A saúde ainda é tratada, em grande parte, depois que os sintomas aparecem. O que buscamos é desenvolver tecnologias capazes de identificar sinais precoces e permitir intervenções antes que a doença se manifeste”, explicou Rocha. De acordo com ele, a proposta é utilizar IA para acompanhar continuamente indicadores fisiológicos obtidos por dispositivos como os relógios inteligentes e outros equipamentos, permitindo o monitoramento permanente da saúde em condições reais de vida. “O cuidado deixa de acontecer apenas no consultório ou durante uma consulta anual e passa a acompanhar a pessoa ao longo do dia, sete dias por semana”, afirmou.

A concretização do CPA “Viva Bem” é resultado de uma trajetória iniciada há cinco anos, reunindo pesquisadores do IC, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), da Faculdade de Educação Física (FEF), da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. Ainda de acordo com Rocha, a base científica consolidada permitiu estruturar um centro de pesquisa voltado tanto à produção de conhecimento quanto à aplicação prática das tecnologias desenvolvidas.

Linhas de pesquisa

O projeto está organizado em seis linhas de pesquisa, que incluem monitoramento contínuo da saúde, desenvolvimento de algoritmos embarcados para dispositivos móveis, integração de diferentes sinais fisiológicos, inteligência artificial explicável, modelagem da variabilidade biológica e engenharia de software para transferência das tecnologias à indústria.

Entre as aplicações previstas, estão métodos capazes de identificar precocemente alterações relacionadas a distúrbios do sono, doença de Parkinson, diabetes, ansiedade, estresse e outras condições clínicas. “O objetivo não é apenas indicar que existe um problema, mas compreender por que ele ocorre e oferecer informações que possam apoiar decisões clínicas com transparência e confiabilidade”, ressaltou Rocha.

Representando a Reitoria da Unicamp, a pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta, destacou que o novo centro é o amadurecimento de uma iniciativa tomada ainda durante a pandemia, que reforça a importância das parcerias entre universidade, empresas e agências de fomento. “A ciência do futuro depende dessa capacidade de integrar conhecimentos distintos e dialogar com diferentes setores da sociedade”, apontou. “Também precisamos garantir que a inovação tecnológica caminhe junto com princípios éticos e com a proteção das pessoas”, observou ela.

Cooperação

O coordenador-geral de Tecnologias e Parcerias em Inovação da Fapesp, Rodolfo de Azevedo, explicou que o modelo dos Centros de Pesquisa Aplicada foi criado para fortalecer a cooperação entre universidades e empresas em projetos de longa duração. Ele explicou que os CPAs contam com financiamento compartilhado entre a Fundação e as empresas parceiras, permitindo planejamento de até dez anos – cinco anos iniciais, com possibilidade de renovação por mais cinco. “O diferencial desse modelo é que a pesquisa nasce já conectada à aplicação prática. Não basta produzir artigos científicos; é preciso transformar conhecimento em soluções que cheguem à sociedade”, disse.

O evento também contou com a participação de Otávio Penatti, diretor de P&D em Inteligência Artificial da Samsung.

Foto de capa:

Pessoa em traje preto em pé à esquerda apresentando diante de três telas de projeção exibindo o texto "Viva Bem", enquanto aproximadamente vinte pessoas sentadas em cadeiras estão dispostas em semicírculo observando, com uma mesa de madeira ao fundo onde cinco pessoas estão posicionadas, em sala com paredes de madeira clara
O projeto busca avançar nas potencialidades da IA para desenvolver soluções capazes de ampliar a prevenção, o monitoramento e o cuidado com a saúde

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