A participação, durante o mês de março, do sociólogo chinês Qiu Zeqi, docente da Universidade de Pequim (PKU, na sigla em inglês), no Programa “Cesar Lattes” do Cientista Residente, do Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp, serviu para que alunos, docentes e pesquisadores brasileiros conhecessem mais sobre o desenvolvimento social, econômico e científico da China, sobre como o país chegou à elite da economia digital e sobre como a sociologia contemporânea chinesa prioriza a busca pelo bem-estar da população.
Na última atividade pública de Qiu na Unicamp, uma palestra sobre a sociologia na China, proferida no Auditório Fausto Castilho, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na quarta-feira (26), o professor percorreu a trajetória da disciplina no século XX e as mudanças que acompanharam os processos históricos do país desde o fim da Dinastia Qing, em 1911.
Um dos marcos desse processo ocorreu quando da publicação de uma tradução para o chinês, em 1903, do livro “The Study of Sociology”, do britânico Herbert Spencer (1820-1903), seguido do primeiro curso sobre essa disciplina, inaugurado em 1910, na PKU. Desde sua fundação, a República Popular da China começou a criar instituições, contratar sociólogos estrangeiros, formar recursos humanos e preparar uma bibliografia de referência em língua chinesa para que a sociologia pudesse florescer no ambiente acadêmico do país.
Depois de um período de refluxo, entre as década de 1950 e 1970, quando a sociologia viu-se deixada de lado em favor de outras disciplinas, a era de abertura e modernização iniciada por Deng Xiaoping (1904-1997) trouxe um novo impulso para seu desenvolvimento nas universidades chinesas, explicou Qiu. Atualmente, as pesquisas sociológicas se destacam em grandes universidades do país, como na própria PKU e na Universidade de Xangai.
“Em 1979, Deng Xiaoping afirmou: ‘Como vamos abrir nossas portas para o mundo, e realizaremos uma reforma econômica, precisamos saber o que está acontecendo na nossa sociedade. Então temos que retomar e recuperar a sociologia’. Ele criou uma espécie de política para restabelecer essa disciplina e meu professor foi incumbido disso”, relembrou Qiu, referindo-se a Fei Xiaotong (1910-2005), considerado um dos fundadores da sociologia chinesa.
A agenda de atividades de Qiu na Unicamp teve início no dia 11 de março, com uma palestra proferida na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em Limeira, sobre como conceitos e políticas desenvolvidos ao longo de séculos de história fizeram da China contemporânea um modelo de organização econômica e social. No dia 19, o cientista fez uma segunda palestra, no Instituto de Economia (IE), abordando a digitalização no país asiático e suas implicações sociológicas.
Em uma entrevista concedida ao Jornal da Unicamp, Qiu contou como a quinta visita dele ao Brasil serviu para mudar sua opinião sobre o país latino-americano e seu ambiente acadêmico e científico e como a China e o Brasil podem estreitar seus laços na busca por soluções para problemas comuns e pelo aperfeiçoamento dos debates em âmbito tecnológico e acadêmico. Além das palestras e dos encontros na Unicamp, o sociólogo esteve na Universidade de São Paulo (USP) e no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a convite do secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital, Henrique de Oliveira Miguel.


Jornal da Unicamp – Como o senhor avalia a experiência de ter sido cientista residente no IdEA?
Qiu Zeqi – Foi excelente. Acho que há vários aspectos em que a experiência foi bastante evidente. Primeiro, aprofundou minha compreensão sobre o ensino superior brasileiro e sobre a posição da Unicamp nele. Antes, eu só conhecia a Unicamp, mas não tinha ideia sobre a estrutura do ensino superior brasileiro e o papel que a Unicamp desempenha nessa estrutura. Por meio dessa visita, senti o respeito e o carinho que as pessoas têm pela Unicamp em suas conversas diárias. Especialmente ao compará-la com a Universidade de São Paulo, observei algumas das vantagens e características da Unicamp. Por exemplo, nas discussões com professores da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação [Feec] e nas palestras na FCA, no IE e no IFCH, por um lado, os professores integram sua pesquisa científica tanto na exploração científica quanto nas necessidades sociais, o que é muito semelhante às universidades chinesas. Talvez, como ambos são países em desenvolvimento, ambos temos um forte desejo por um desenvolvimento social e econômico. Por outro lado, por meio da Unicamp, também aprendemos que, no ensino superior brasileiro, cada Estado desempenha um papel extremamente importante e influente, especialmente no fornecimento de suporte financeiro às universidades, o que é muito diferente da China. Na China, o governo central realiza um grande planejamento geral e influencia o ensino superior. Para mim, entender o papel do ensino superior brasileiro na sociedade foi um grande ganho. Claro, esse entendimento baseia-se apenas em observações superficiais e pode estar incorreto. Segundo, aprofundou meu entendimento sobre a organização da pesquisa científica no Brasil. Durante a visita ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, uma observação inesperada foi que descobri que o MCTI lidera inúmeras instituições de pesquisa científica, o que é semelhante e diferente da China. Na China, os departamentos funcionais do governo central também têm muitas instituições de pesquisa. Por exemplo, o Ministério da Educação administra universidades e há instituições de pesquisa sob a gestão direta do Conselho de Estado, como a Academia Chinesa de Ciências e a Academia Chinesa de Ciências Sociais, que têm o mesmo nível administrativo que os departamentos funcionais. Pela experiência da China, para os países em desenvolvimento, essa é uma vantagem organizacional significativa. Especialmente quando se enfrentam os desafios da pesquisa científica, a intervenção das forças organizadas do Estado é crucial para resolver problemas específicos, como a digitalização da China e o combate à pobreza. Acredito que o Brasil deve ter suas próprias razões e processos para constituir tal vantagem organizacional. Infelizmente, devido ao pouco tempo, não tive a oportunidade de explorá-la em profundidade.
JU – De que maneira o período no Brasil o ajudou a entender melhor as especificidades do país?
Qiu Zeqi – Ele aprofundou minha compreensão sobre a sociedade brasileira. Na impressão de muitas pessoas, o Brasil não é uma sociedade bem organizada. Por exemplo, se as pessoas apenas observam a área ao redor da Catedral da Sé, em São Paulo, ou as favelas do Rio de Janeiro, essa impressão pode ser continuamente fortalecida. Durante esta visita, morei no bairro campineiro do Cambuí e vi um outro lado da sociedade brasileira: ordeira, pacífica, harmoniosa, educada e limpa. Ao mesmo tempo, também observei que as pessoas perto do meu apartamento alugado eram diligentes, trabalhadoras, sérias e sinceras. Por exemplo, os motoristas de Uber trabalham cerca de 12 horas por dia e, em qualquer loja, os clientes podem sentir a sinceridade e o entusiasmo dos donos do estabelecimento e da equipe de atendimento. Acredito que muitas pessoas que têm a oportunidade de mergulhar na sociedade brasileira terão a mesma experiência que eu. Infelizmente, não falo português, então só posso observar com meus próprios olhos e não pude ter conversas profundas com as pessoas. A visita também me permitiu observar o amor dos brasileiros por seu país e sua busca pelo desenvolvimento. Durante as trocas com professores universitários, alunos e pessoas da região do meu apartamento, mesmo por meio de uma comunicação fragmentada propiciada pelo software de tradução do meu telefone, eu podia sentir o amor dos brasileiros por seu país. Acredito que eles têm boas razões para amar seu país: muitos recursos naturais, um ambiente cultural diverso, grupos étnicos bem integrados e um progresso social e econômico contínuo. Também acredito na confiança dos brasileiros em seu país. Eles acreditam que suas vidas vão melhorar cada vez mais, o que é realmente apoiado pela força do país. Talvez por essa razão, a atitude de aprendizado e o entusiasmo dos brasileiros estejam entre os mais positivos que já vi. Acho que o trabalho do IdEA é, sem dúvida, de grande mérito na promoção do entendimento mútuo entre acadêmicos de diferentes países e no intercâmbio e na integração entre a Unicamp e outras universidades de classe mundial. Sem esse intercâmbio, eu não teria tido a oportunidade de observar a Unicamp, de trazer meu entendimento de volta para a China ou de ter o desejo e a ideia de promover futuros intercâmbios e ações de cooperação.
JU – Como foi a interação com alunos, professores e pesquisadores durante as três palestras de março?
Qiu Zeqi – Foi muito boa. Acredito que, no passado, o entendimento mútuo entre o Brasil e a China não foi suficiente. Durante as três palestras, professores e alunos demonstraram um grande interesse pela China. E sou muito grato por isso. Como chinês, espero que o mundo exterior possa entender a China objetivamente, por meio de fatos objetivos e observações no local, assim como eu vim a entender o Brasil. Também espero sinceramente que os professores e os alunos da Unicamp tenham a oportunidade de visitar a China, vê-la com seus próprios olhos e fazer seus próprios julgamentos sobre o país. Espero especialmente que eles possam ter a oportunidade de ter intercâmbios e de estudar na Universidade de Pequim, onde trabalho, e se comunicar com professores e alunos de lá. A experiência pessoal é uma maneira importante de obter conhecimento. Também estou disposto a contribuir para promover os intercâmbios e a cooperação entre a Universidade de Pequim e a Unicamp. Claro, durante os intercâmbios, também aprendi sobre algumas vantagens institucionais da Unicamp, que são particularmente dignas da atenção da China. Por exemplo, o sistema de aposentadoria e o sistema de relacionamento professor-aluno.

JU – De que outras atividades externas o senhor participou, além das palestras na Unicamp? Como foram essas interações?
Qiu Zeqi – Além das trocas na Unicamp, também participei da cerimônia de inauguração do Centro USP-China. Embora criado relativamente tarde, mais tarde que o da Unicamp, o Centro USP-China tem suas próprias características. Trata-se de um projeto apoiado diretamente pelo reitor da universidade e que fez parcerias com diferentes universidades chinesas em áreas-chave, como ciência agrícola, geografia e ciência ambiental, linguística, cinema, design e arquitetura, ciência da saúde e ciência aeroespacial e espacial, que são áreas em que a China é relativamente avançada. Claro, isso também me deu uma inspiração sobre como promover vantagens complementares na cooperação com a Unicamp para garantir o desenvolvimento de longo prazo da cooperação. Muitas pessoas compareceram à inauguração do Centro USP-China. Notavelmente, autoridades do Consulado Geral da China em São Paulo e representantes do escritório da Huawei em São Paulo também estavam presentes. Inspirado por isso, também vale a pena considerar se o desenvolvimento do centro de estudos sobre a China da Unicamp precisa introduzir um suporte corporativo. O intercâmbio no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação também foi muito inspirador. Na minha opinião, o governo brasileiro está realmente comprometido com o desenvolvimento científico e tecnológico e atribui grande importância aos intercâmbios com a China. Acho que o Brasil tem uma posição geopolítica única. Ele pode se comunicar tanto com os Estados Unidos quanto com a China e obter o que precisa de ambos os lados. No entanto isso também é uma faca de dois gumes, especialmente quando um lado pede que o país tome partido. No campo da ciência e tecnologia, acredito que há muitos aspectos complementares entre o Brasil e a China. Por exemplo, os campos selecionados pela USP e os campos de que a China precisa, como aviação (não aeroespacial), energia e tecnologia mineral. Durante as discussões, também senti a modéstia e a sinceridade das autoridades brasileiras. Por exemplo, embora os tópicos das conversas fossem muito focados, vários departamentos participaram das discussões, incluindo instituições de pesquisa sob o MCTI, o Ministério das Relações Exteriores, assessores especiais do gabinete do presidente da república etc. E houve alguns funcionários de outros departamentos participando online. Entendo que ambos os lados estão interessados um no outro. Também acredito que essa é a força motriz para a China e o Brasil aprofundarem ainda mais suas trocas.
JU – Sua visão sobre a ciência no Brasil mudou durante essa experiência?
Qiu Zeqi – Um mês é um tempo muito curto, e é difícil observar muitas coisas. No entanto, durante as conversas com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e com a equipe de pesquisa da Feec na Unicamp, vi o futuro promissor da ciência e tecnologia brasileiras. Autoridades, professores, administradores e cientistas brasileiros estão extremamente entusiasmados e trabalham duro na condução de pesquisas úteis que podem resolver problemas atuais e futuros. Por exemplo, as autoridades basicamente perguntam sobre soluções, e os cientistas não apenas se concentram em questões científicas, mas também mostram preocupação com as pessoas. Por exemplo, o projeto de conversão de linguagem de sinais para texto é cheio de preocupações humanísticas, e usar a ciência de dados e a inteligência artificial para resolver problemas médicos e agrícolas mostra uma grande preocupação social. O desenvolvimento científico e tecnológico da China também enfrenta um dilema. Por um lado, algumas pessoas defendem a realização de pesquisas científicas puras e a investigação da realidade; por outro lado, algumas pessoas acreditam que a ciência e a tecnologia devem ser desenvolvidas no processo de resolução de problemas práticos e na investigação da realidade. Esses dois pontos de vista existem desde que a ciência moderna foi introduzida na China e ainda persistem hoje. Acredito que tais debates são benéficos, pois nos ajudam a pensar constantemente sobre o valor e a importância da ciência e da tecnologia. Na China, sempre acreditamos que a ciência e a tecnologia são usadas para resolver problemas sociais, não para um número muito pequeno de pessoas desfrutar de jogos intelectuais. Nos tempos antigos, nossos ancestrais tinham a tradição de “buscar a aplicação prática do conhecimento”, e os debates de hoje dizem respeito ao choque entre as tradições chinesas e o pensamento moderno. Esses debates também promovem a compreensão da sociedade sobre as limitações e a direção da ciência e da tecnologia. Acredito que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia brasileiras também tem suas próprias tradições e demandas modernas. Infelizmente, não tive tempo suficiente para entender as tradições da ciência e da tecnologia brasileiras ou suas tradições de conhecimento.
JU – Esta foi sua quinta visita ao Brasil. O que mudou desde sua primeira experiência?
Qiu Zeqi – Do início dos anos 1990 até agora, esta é minha quinta vez aqui. Se minha memória não me falha, a primeira vez foi em 1994. Vim ver um projeto ambiental no Brasil, que tratava da produção de combustível a partir de resíduos biológicos, um projeto de utilização de resíduos que fazia parte de um projeto internacional do qual participei [Leadership for Environment and Development]. A segunda vez foi em 1996, para uma conferência das Nações Unidas sobre o progresso tecnológico e a redução da pobreza. Participei da conferência e representei a China na discussão e no compartilhamento dos esforços de redução da pobreza da China. A terceira vez também foi para uma conferência. Em 2019, participei do Seminário de Governança do Brics no Rio de Janeiro, n qual compartilhei a experiência de governança digital da China. Coincidentemente, essas três visitas foram todas em outubro, e visitamos São Paulo e o Rio de Janeiro. Então, nas três primeiras visitas, o que vi foi o Brasil urbano e as áreas ao redor das cidades. A quarta vez foi de julho a agosto de 2024. Vim com professores e alunos da Universidade de Pequim. Visitamos São Paulo, o Rio de Janeiro e Manaus, principalmente para entender o padrão de desenvolvimento e o status das empresas financiadas pela China no Brasil. Desta vez, fui convidado pelo IdEA na Unicamp para um intercâmbio. De uma perspectiva sociológica, as visitas anteriores foram apenas uma olhada superficial, não realmente uma compreensão profunda sobre a sociedade brasileira. Desta vez, tive uma estadia relativamente mais longa, mas foi apenas em uma pequena janela de observação. Para a sociedade brasileira, diversa e complexa, observar dessa pequena janela sem poder falar a língua não pode realmente ser considerado uma compreensão profunda. No entanto, por outro lado, essa janela também faz parte da vida do povo brasileiro. Se essa parte é típica e representativa, então talvez ainda tenha valor e significado. Acredito que o Brasil realmente mudou muito nos últimos 30 anos, e minhas observações sobre o Brasil também mudaram significativamente. Para simplificar, acho que os seguintes pontos também são muito importantes. Primeiro, a sociedade brasileira é uma sociedade muito independente. Quando digo “independente”, tenho vários indicadores em mente: a relação entre indivíduos e a sociedade, a relação entre indivíduos e o Estado, a estabilidade do sistema estatal e a progressividade do sistema social. Comparado com 30 anos atrás, acho que a sociedade brasileira é muito independente, independente do governo e do mercado, o que é muito diferente da sociedade chinesa. A sociedade chinesa está mutuamente inserida no governo e no mercado. A independência da sociedade brasileira é baseada na independência dos indivíduos. Em um fim de semana, entrevistei uma moça que vendia bebidas em meio período em um mercado de artesanato de Campinas. Ela era bancária, mas escolheu trabalhar aos fins de semana para economizar dinheiro a fim de comprar uma casa com o namorado. Comunicar-me com ela me fez sentir o senso de responsabilidade que os indivíduos têm em relação a si mesmos. Com base na independência individual, também há uma fronteira clara entre a sociedade e o Estado. Acredito que, em certo sentido, a independência social também é a base da estabilidade nacional. Claro, tudo tem dois lados. A independência social é importante, mas também tem seus aspectos negativos. Segundo, a atenção do governo brasileiro ao meio de vida das pessoas me impressionou profundamente. Uma comparação direta é que o governo começou a investir em favelas para melhorar o meio de vida das pessoas lá, e observamos melhorias óbvias durante a pesquisa de 2024. Além disso, o investimento do governo brasileiro em educação e assistência médica também me impressionou muito.

JU –De que maneira a sociologia chinesa pode se beneficiar da sociologia brasileira e como essa interação pode ocorrer?
Qiu Zeqi – A troca e a interação entre as duas disciplinas começam primeiro com a troca e a interação das pessoas. Se olharmos além da China e do Brasil, nossa observação dessa interação pode ser mais objetiva. Nas trocas com professores de sociologia da Unicamp, entendo que a sociologia chinesa dá mais atenção à solução dos problemas da China, enquanto a sociologia brasileira se concentra mais nos interesses pessoais dos sociólogos. Não há certo ou errado, nem superioridade ou inferioridade. Acredito que isso é moldado pelas tradições acadêmicas dos dois países. Como expliquei nas conversas com professores e alunos da Unicamp, a sociologia chinesa foi introduzida e desenvolvida no processo de salvar a nação da extinção e no processo de luta da China por seus direitos de desenvolvimento e solução de vários problemas. A única maneira de os sociólogos chineses aprenderem mais sobre a sociologia brasileira e aprenderem com ela é fortalecer as trocas. Por isso, gostaria de agradecer novamente ao IdEA.
JU – Como o Brasil pode aprender mais sobre a experiência da China no desenvolvimento econômico, social e científico de modo a beneficiar a população brasileira?
Qiu Zeqi – Ao ler esta pergunta, acredito que chegamos a um consenso, e nosso entendimento está em sincronia. Não se trata de o Brasil aprender com a China, mas da troca mútua e da cooperação entre a China e o Brasil. Como eu disse durante a conversa com autoridades do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Brasil tem muitas coisas dignas de aprendizado para a China e, claro, a China também tem muitas experiências, especialmente lições, que são importantes e cruciais. No entanto o ponto-chave é que os governos e a academia de ambos os países têm um objetivo comum: buscar o desenvolvimento social e econômico e lutar por uma vida melhor para as pessoas. Com esse consenso, outras questões são técnicas, e podemos buscar um ponto em comum, preservando as diferenças. Nesse sentido, o trabalho do IdEA é verdadeiramente meritório.
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