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Mural comemorativo dos 60 anos reúne história, diversidade e arte

Obra do artista Gelin, inaugurada no Ciclo Básico 2, propõe uma narrativa visual das seis décadas da Universidade

Logomarca da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) à esquerda, composta por um leque estilizado em preto com linhas radiais e três pontos vermelhos, acompanhada pela palavra "UNICAMP" em letras maiúsculas pretas, e logomarca comemorativa de 60 anos à direita, apresentando o número "60" em preto com um ponto vermelho integrado, seguido pela palavra "ANOS" em letras pretas minúsculas.

Há histórias que ocupam paredes inteiras. No Ciclo Básico 2, uma delas agora pode ser lida em cores, rostos e formas que atravessam seis décadas da Unicamp. Inaugurado nesta sexta-feira (2), o mural comemorativo dos 60 anos da Universidade reúne personagens históricos, referências à educação e à ciência e representações da diversidade da comunidade universitária.

Mais do que marcar uma data, a obra convida a olhar para a história da Universidade a partir de diferentes perspectivas. No mural, o fundador da Unicamp, Zeferino Vaz, aparece ao lado de uma das grandes referências da educação, Paulo Freire, professor da Universidade entre 1981 e 1991. Também estão representados uma pessoa indígena, um homem negro associado à área da saúde e uma mulher que representa uma engenheira, além das cores da bandeira LGBTQIA+.

A obra é assinada pelo artista de grafite e muralista Weslen de Almeida Arcangelo, conhecido como Gelin. Natural de Sumaré (SP), ele trabalha com grafite desde 2008 e tem no realismo uma de suas principais características. A partir de fotografias, utiliza técnicas de sombreamento e texturas para criar grandes retratos e cenas em paredes urbanas.

Para Gelin, transformar em imagens uma história tão extensa e simbólica foi uma tarefa que trouxe um sentimento especial. “Trazer minha arte para esse local, que está formando pessoas para a vida, foi muito importante. É um marco na minha carreira, na minha história como artista.” As cores ocupam grande parte da composição e ajudam a aproximar personagens e tempos distintos. “Gosto muito de cores, porque elas trazem essa energia que o brasileiro tem”, contou.

Ao assinar sua obra, Gelin deixou um desejo para a parede que agora passa a fazer parte da paisagem da Universidade: “Espero que essa arte perpetue por muito tempo e traga esse sentimento que tentei deixar ali na parede.”

Linha do tempo

O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, destacou que o mural é uma espécie de cronologia da própria Universidade. “Ele simboliza o nascimento, a cultura construída na educação, na pesquisa, no compromisso público, simboliza também nossas várias etapas. É como se fosse uma linha do tempo. Comemorar os 60 anos é muito bom, sobretudo com uma imagem tão bonita”, destacou.

O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, ressaltou ainda o caráter coletivo da obra. Para ele, o mural sintetiza diferentes momentos da trajetória institucional e, ao mesmo tempo, evidencia sua transformação. “A obra conta muito bem a evolução desta Universidade. A diversidade e a riqueza que a Unicamp vem ganhando, exatamente porque está ficando cada vez mais diversa”, disse.

Para a pró-reitora de Graduação, Mônica Cota, a presença de Paulo Freire no mural ganha significado especial por estar em um prédio dedicado ao ensino. “Temos um ícone da educação, o patrono da educação do país”, afirmou. Ela também chamou a atenção para a relação entre memória e futuro. “Espero que as gerações mais jovens que vejam esses painéis aprendam que tudo que temos no futuro depende de como foi nossa jornada no passado. E temos que aprender com os erros do passado para não repeti-los no futuro.”

A ideia de aproximar diferentes tempos da Universidade esteve no centro da concepção da obra. Na cerimônia de descerramento da placa comemorativa, Isabel Cristina Araújo Floriano, assessora da Coordenadoria-Geral da Unicamp (CGU), destacou que a proposta surgiu no âmbito do escritório de projetos da CGU e foi apresentada ao grupo responsável pelas comemorações dos 60 anos.

Segundo Floriano, a proposta de Gelin foi selecionada por sua linguagem visual e pela capacidade de reunir, por meio do grafite, diferentes dimensões da história e da identidade institucional. “Nosso intuito foi aproximar dois tempos, o passado e o presente: de um lado, a visão idealizada do Zeferino Vaz, com seu projeto de construção de uma instituição pública dedicada ao ensino, à pesquisa e à produção do conhecimento; do outro, a universidade que construímos coletivamente ao longo de 60 anos, uma instituição plural, aberta, diversa, inclusiva e comprometida com a sociedade”, afirmou.

Para a assessora, o mural não pretende apenas celebrar aquilo que já foi construído, mas também reconhecer os diferentes sujeitos que fazem parte da trajetória da Universidade. “A história da Unicamp não é feita por uma única pessoa, geração ou perspectiva. Ela é resultado de muitas trajetórias, de diferentes sujeitos e de uma construção coletiva que permanece em movimento.”

A aproximação com Gelin também passa pela Curadoria Hip Hop, projeto social fundado em 2022 e voltado aos quatro elementos da cultura hip hop – grafite, DJ, MC e breaking. Foi por meio da iniciativa que o artista foi convidado a participar do projeto do mural. Para Cleber Geraldo da Silva, o DJ Binho, diretor da Curadoria Hip Hop, o mural representa também o encontro entre uma trajetória iniciada com o grafite e um espaço de formação e produção de conhecimento. “Para nós é uma realização.”

Foto de capa:

Mural de arte urbana em estilo pop art com quatro retratos de pessoas em cores vibrantes (vermelho, laranja, verde, azul e roxo) dispostos verticalmente em uma fachada de edifício branco com painéis solares, tendo ao fundo céu azul com nuvens e vegetação, com logotipo "60" em roxo na base da obra.
O mural comemorativo dos 60 anos da Universidade reúne personagens históricos, referências à educação e à ciência e representações da diversidade da comunidade universitária
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