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Fotografia em preto e branco de uma pessoa adulta, com cabelos curtos, usando óculos de armação fina e camisa de botões listrada, com expressão levemente sorridente, em ambiente interno.
Carlos Almada é compositor, arranjador, pesquisador e professor da Escola de Música da UFRJ

A música popular sob novo olhar teórico

Livro de Carlos Almada formaliza abordagem inédita sobre harmonia na MPB

Fotografia em preto e branco de uma pessoa adulta, com cabelos curtos, usando óculos de armação fina e camisa de botões listrada, com expressão levemente sorridente, em ambiente interno.
Carlos Almada é compositor, arranjador, pesquisador e professor da Escola de Música da UFRJ

A música popular sob novo olhar teórico

Livro de Carlos Almada formaliza abordagem inédita sobre harmonia na MPB

Compositor, arranjador, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador, Carlos Almada articula teoria e prática no livro Funcionalidade harmônica em música popular, apresentando os fundamentos necessários tanto às novas pesquisas acadêmicas na área quanto ao ensino da música popular brasileira (MPB). A obra é resultado de uma série de pesquisas, que já haviam originado outros livros do autor, e se baseia em análises detalhadas e numa extensa experiência em sala de aula. Lançado em 2025 pela Editora Unicamp, o livro oferece uma metodologia inédita, que propõe múltiplas formas de compreender as funções harmônicas da música popular.

Almada desenvolve na obra um trabalho original e consistente, que busca suprir a falta de materiais didáticos adequados sobre harmonia musical em um momento de expansão dos cursos de música popular no Brasil – que carecem, muitas vezes, de uma base bibliográfica bem fundamentada. Um cenário explicado por um fato simples, mas que exige atenção e cuidado: a música, como grande parte dos objetos de estudo das ciências humanas, é um fenômeno vivo, sujeito a constantes transformações. Por conta disso, para que existam referenciais teóricos sólidos e sempre renovados, é necessário que as pesquisas da área sejam atualizadas de maneira recorrente, o que, na maioria dos casos, não acontece.

Em entrevista ao Jornal da Unicamp, o autor apresenta curiosidades sobre sua obra, além de comentar o processo de pesquisa e a elaboração do livro. Confira a seguir.

Jornal da Unicamp – Para que público a obra foi pensada?
Carlos Almada – O livro se destina, principalmente, a estudantes de cursos de graduação em Música, com foco naqueles que estão envolvidos (profissionalmente ou não) com a música popular. Além desse público-alvo, creio que o trabalho também poderá interessar a uma gama bastante ampla de leitores, professores, pesquisadores, instrumentistas, especialmente aqueles que buscam possíveis explicações para as inúmeras particularidades que encontram em suas vivências e experiências, sejam elas práticas ou teóricas, com a funcionalidade harmônica nos gêneros populares.

Jornal da Unicamp – O texto de capa diz que a obra apresenta uma perspectiva original e inédita sobre o campo de estudos da harmonia. Explique-nos melhor.
Carlos Almada – A elaboração do livro é resultado de muitos anos de reflexões, leituras e observações analíticas, tendo o vastíssimo universo da harmonia na música popular como campo de estudo. Ao longo de décadas como professor da disciplina Harmonia Funcional, bem como em minha própria trajetória como compositor, fui formando uma robusta base de dados. Mais recentemente, dediquei-me a formatar e a organizar esse conjunto de informações – conceitos, princípios, metodologias etc. – de maneira lógica e concatenada, gerando essa proposta sobre a ideia de funcionalidade harmônica em música popular. Um tema que, até onde sei, nunca havia sido abordado em termos rigorosamente teóricos.

Jornal da Unicamp – Como o livro contribui para a formação em música popular no Brasil?
Carlos Almada – O livro examina um tópico de grande interesse – e relativamente bastante explorado – na literatura sobre música popular: a funcionalidade harmônica. Porém, ao contrário de outras abordagens sobre o assunto – várias delas excelentes, aliás, não consiste em um manual prático sobre a disciplina, mas, como mencionei, em uma proposta teórica, sistemática e aprofundada. É importante acrescentar que essa proposta foi cuidadosamente construída a partir da observação da prática musical. O livro contribui para a formação em música popular no Brasil por trabalhar com uma generalização da ideia de função para outras lógicas dentro da área, além de ampliá-las. Desta forma, o título aborda o tema não apenas no âmbito da tonalidade, mas também dos modos diatônicos e das escalas simétricas, fornecendo uma perspectiva inteiramente nova. 

Jornal da Unicamp – De que maneira os métodos de análise e as abordagens teóricas apresentados no livro podem ser aplicados a outros repertórios musicais?
Carlos Almada – Interpreto que a pergunta se refira a repertórios que não apresentam níveis tão elevados de complexidade e diversidade harmônica quanto os que são observados, em geral, na chamada MPB, em contraposição àqueles externos ao universo da música popular, como é o caso da música de concerto. Neste caso, os métodos e as abordagens teóricas propostos no livro se aplicam a esses repertórios justamente por serem, em geral, complexos, centrífugos, dissonantes e inerentemente ambíguos. A harmonia da MPB se presta perfeitamente como objeto de estudo ideal para essa proposta, pois foi a partir de sua observação que foram extraídas as formulações e os métodos analíticos do livro, que, dentro dessas especificações, podem ser generalizados para abarcar inúmeros outros repertórios populares – das mais diversas estéticas, épocas e origens. 

Jornal da Unicamp – Ao longo de suas pesquisas, qual foi o maior desafio na elaboração do livro?
Carlos Almada – Essa é uma pergunta bastante complicada de responder. Os desafios foram, sem dúvida, muitos, já que escrever um livro que mantenha coerência, lógica e consistência no equilíbrio entre estrutura e conteúdo – e que seja, ao mesmo tempo, suficientemente informativo – requer grandes doses de esforço e planejamento. Sem falar que, frequentemente, envolve correções de rota e reelaborações de trechos extensos. Por isso, não consigo eleger aqui o “maior desafio”, mas ele certamente se encontra nesse amplo conjunto de questões que mencionei.


Capa do livro "Funcionalidade Harmônica em Música Popular", de Carlos Almada, publicado pela Editora Unicamp, com fundo cinza, título em letras vermelhas e um diagrama de nós e linhas coloridas representando relações harmônicas entre acordes, identificados por símbolos como Im7, VIIM7, bVIm7, bIIIM7, III, entre outros.
Capa do livro "Funcionalidade Harmônica em Música Popular", de Carlos Almada, publicado pela Editora Unicamp, com fundo cinza, título em letras vermelhas e um diagrama de nós e linhas coloridas representando relações harmônicas entre acordes, identificados por símbolos como Im7, VIIM7, bVIm7, bIIIM7, III, entre outros.

Título: Funcionalidade harmônica em música popular
Autor: Carlos Almada
ISBN: 9788526817883
Edição: 1ª
Ano: 2025
Páginas: 400
Dimensões: 16 cm x 23 cm

Banner promocional em fundo vermelho da Editora Unicamp com a seção "Lançamentos", apresentando três livros: "A Escola Capitalista na França" de Christian Baudelot e Roger Establet (336 páginas, 16x23 cm), "Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis (384 páginas, 14x21 cm) e "Musicar Local" organizado por Suzel Reily, Rose Hikiji e Flávia Toni (392 páginas, 16x23 cm), seguido do endereço da Livraria da Editora Unicamp na Rua Sérgio Buarque de Holanda, 421, Cidade Universitária Unicamp, e dos contatos www.editoraunicamp.com.br e vendas@editora.unicamp.br.
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