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Direto na Fonte

Lei federal que proíbe celulares nas escolas completa um ano e apresenta cenário positivo

Um ano após ser sancionada, a Lei Federal 15.100/2025, que proíbe a utilização de aparelhos eletrônicos portáteis em escolas públicas e privadas do Brasil, ainda gera debate. O celular está no centro dessa discussão. Visando proteger a saúde mental e o aprendizado dos alunos, a medida apresentou pontos positivos, mas também impôs desafios aos pais, educadores e aos próprios estudantes. Um exemplo de avanço é demonstrado na pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação – formada por mais de 200 membros do Congresso Nacional – em parceria com especialistas. O trabalho mostrou que 83% dos estudantes ouvidos no País afirmaram estar “prestando mais atenção” aos conteúdos apresentados em sala de aula. O mesmo levantamento apontou que 77% dos gestores e 65% dos professores perceberam a diminuição de ocorrências envolvendo bullying virtual. Contudo, entre os alunos, apenas 41% tiveram a mesma percepção. Para o professor Carlos Miranda, da Faculdade de Educação, da Unicamp, simplesmente transformar o celular em um adversário do ensino é um erro. Mesmo não tendo sido criada para fins educativos, a ferramenta pode ser uma parceira em novas formas de aprendizado. Ainda de acordo com ele, o ano que passou serviu como um período de observação em relação ao ambiente encontrado nas escolas e as formas com que cada uma delas reagiu à nova legislação. “O celular é uma realidade na vida das pessoas, uma relação necessária com a tecnologia. O que precisamos fazer é refletir sobre o seu uso consciente”, opina Miranda. Já para Flávia Linhalis, pesquisadora do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED), que também atua no Programa de Pós-Graduação Multiunidades em Ensino de Ciências e Matemática – Mestrado e Doutora (Pecim), da Unicamp, experiências já confirmaram o poder que os celulares têm de capturar a atenção das pessoas, sobretudo estudantes em sala de aula. “As pessoas precisam entender que, para uma melhor chance no mercado de trabalho, é preciso saber ler e escrever corretamente pelo menos. A dancinha do Tik Tok não vai ajudar em nada”, comenta a pesquisadora. Livros Como fonte de informação para uma melhor percepção desse cenário, a professora Flávia indica duas obras: a primeira é “A Geração Ansiosa”, de Jonathan Haidt, que discute a epidemia de transtornos mentais (depressão, ansiedade) entre jovens desde os anos 2010, culpando a hiperconexão e o surgimento do smartphone e das redes sociais, que substituíram a “infância baseada no brincar” por uma infância “baseada no celular”. A segunda é “A fábrica de cretinos digitais: os perigos das telas para as nossas crianças”, de Michel Desmurget, obra baseada em evidências científicas que alerta sobre os perigos do uso excessivo de telas por crianças e jovens. O neurocientista francês demonstra que o tempo de tela prejudica o desenvolvimento cognitivo, QI, linguagem, atenção, sono e saúde física, resultando em um declínio inédito nas habilidades intelectuais da nova geração.

Ficha técnica

Produção e entrevista: Fábio Gallacci

Edição de vídeo: Aguinaldo Matos

Edição de áudio: Bruno Piato

Capa: Alex Calixto

Apoio: Erika Blaudt – Assessoria Faculdade de Educação/Unicamp

Coordenação geral: Patrícia Lauretti

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