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Atualidades Cultura e Sociedade

Exposição na Galeria de Arte apresenta técnicas artísticas antigas e modernas 

Trabalhos compõem parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos alunos de Artes Visuais

Quem visitar a Galeria de Arte do Instituto de Artes (Gaia) da Unicamp vai se deparar tanto com obras produzidas com técnicas seculares como com criações apoiadas nas novas tecnologias, que compõem parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos 15 expositores. A edição de 2026 da Exposição dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp estreou na quinta-feira, dia 29/1, e poderá ser vista até 4 de março.

“Temos desde coisas muito tecnológicas de som e de vídeo até processos mais arcaicos dos primórdios da fotografia e a gravação em pedra. Esses extremos mostram que não importa o suporte ou a matéria que são usados; o que importa é o fator poético — como a pessoa usa a matéria-prima”, destacou o coordenador da Gaia, o professor Sérgio Niculitcheff durante a abertura da mostra que contou com um bate-papo com os artistas.

A edição de 2026 da Exposição dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp pode ser vista até 4 de março
A edição de 2026 da Exposição dos discentes do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Unicamp pode ser vista até 4 de março

Niculitcheff ressaltou a qualidade dos trabalhos. “Essa exposição é resultado da produção poética dos alunos que já passaram pela etapa de qualificação. Como são trabalhos de pós-graduação, possuem um corpo teórico e poético mais sofisticado.” 

Conforme o professor, a exposição configura uma etapa importante de reflexão na jornada acadêmica, uma vez que permite ao aluno repensar o trabalho em andamento e selecionar o que será apresentado. “Uma coisa é você fazer o trabalho no ateliê, que só você está vendo, e outra é disponibilizar ao público. A função da obra de arte, na realidade, é você mostrar para as outras pessoas e ter um retorno”, disse o docente. 

A visitação da exposição é gratuita e pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, exceto em feriados. A Galeria está localizada no Térreo da Biblioteca Central (Rua Sérgio Buarque de Holanda, s/nº – Cidade Universitária, Campinas). 

Memória familiar

André Eduardo Fonseca é um dos expositores com o trabalho “Entre:camadas de ausência”, composto por um conjunto de obras feitas com objetos biográficos — a partir de um arquivo pessoal construído ao longo dos anos com itens de sua família: fotografias, brinquedos, óculos, canecas, facas e outros. 

“Meu trabalho vem com uma temática da memória familiar. No mestrado, me concentrei nas fotografias. Nesse primeiro momento [do doutorado], o objeto que eu mais explorei foram as facas do meu avô”, contou ele. O familiar de origem humilde, que trabalhou na lavoura e em frigorífico, mantinha uma relação especial com seu conjunto de facas, que, conforme Fonseca, se tornaram “quase um autorretrato”.

Focado na gravura, o artista usou técnicas de litografia (gravura com matriz de pedra) para representar uma adaga nordestina e documentos do seu arquivo familiar. No trabalho com placas de cobre, deixou que a corrosão ocorresse sem limite de tempo. “Fica uma coisa meio ‘ruína’. Me interesso muito por essa coisa meio falha, apagada. Também passei a ver a matriz [a placa de cobre usada para fazer a impressão] como um objeto interessante para ser exposto.”

Em outro caso, o próprio objeto, outra faca, recebeu gravações por meio de um processo de eletrocorrosão. “Acho que a vivência familiar é um microcosmo desse sentimento que a gente trabalha da vivência social. Então, um vestígio de um brinquedo é como rememorar o que eu passei, como me construí como pessoa, como foi a relação com os meus avós e meus pais. Tento trazer um pouco de tudo isso para o trabalho.”

Contrastes do tempo

Dayan de Castro participa da exposição com “Neurastenia: impressões do nascer do sol” e apresenta dois projetos que se complementam, também relacionados à sua própria história de vida, tendo nascido no Cerrado brasileiro. 

A primeira parte é um trabalho chamado “Sibilas”: rostos de produtoras rurais de pequenas comunidades do semiárido mineiro, impressas em mármore por meio de uma técnica do século 19 denominada Van Dyke Brown. “As sibilas são antigas profetisas romanas que, segundo a lenda, eram mulheres tão velhas quanto a Terra e, por saberem tudo o que se passou, conseguiam dizer o que viria. Aqui, temos a ideia de questionar quem seriam as sibilas contemporâneas”, comentou o artista.

Em contraste com a vida pacata dessas mulheres, a outra parte do trabalho é composta de paisagens que mostram “um tempo da monocultura, um tempo da destruição e um tempo muito mais rápido”. São imagens também produzidas por meio de um processo antigo de impressão fotográfica chamado goma bicromatada.

Castro, que é fotógrafo, registrou as imagens em visitas à região durante os últimos 15 anos. Esse trabalho, que pensa a relação com o tempo, resultará, além da tese acadêmica, em um romance que está em vias de publicação e leva o mesmo nome da exposição. 

Livro de artista

O trabalho apresentado pela doutoranda Fabiana Grassano, intitulado “Percursos bahienses”, é inspirado em uma temporada da artista na Bahia. A designer de livros pesquisa desde 2016 o livro de artista  — uma forma de expressão artística concebida no formato de livro.

“A minha pesquisa é a materialidade no processo de criação do livro de artista. Trabalho com encadernação, diferentes materiais como acrílico, papel, gravura e diferentes tipos de impressão”, explicou a artista. 

Em uma das obras apresentadas, um livro sanfonado impresso em papel fotográfico, Grassano expõe rastros e restos da natureza e da passagem humana pela Praia do Sargi (BA), desde conchas e pegadas até lixo. “A forma contínua do livro, essa linearidade, faz parte dessa narrativa de uma caminhada”, contou. 

Outro projeto, de fotografia em acrílico, da série “Reflexos marítimos”, traz imagens do mar refletindo o céu em diferentes momentos, que quando sobrepostas dão a ilusão de ser uma coisa só. “Essa sobreposição vai se revelando quando você vai passando as páginas transparentes”. 

A doutoranda apresenta, ainda, um conjunto de fotogravuras encavográficas (tipo de impressão em baixo-relevo com uma matriz metálica e em polímero) intituladas “Natureza pulsante”. “São imagens que têm uma força visual maior, todas impressas em azul”.

Foto de capa:

Mostra é composta por parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos 15 expositores
Mostra é composta por parte das pesquisas de mestrado e doutorado dos 15 expositores
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