Na madrugada de 23 de outubro de 1969, o então estudante Carlos Lobão foi acordado com uma arma em sua cabeça. À força, ele foi levado por militares à sede da chamada Operação Bandeirantes (Oban), na Zona Sul da cidade de São Paulo. Era o primeiro ato de truculência que enfrentaria pelos próximos quatros anos de sua vida. Na delegacia foi despido, espancado e recebeu choques elétricos em diferentes partes do corpo – muitos enquanto estava pendurado em um instrumento de tortura conhecido como “pau de arara”. Anos depois, já formado, o geólogo Lobão foi um dos pioneiros do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, onde ingressou como aluno de mestrado em 1978. Ele ainda foi o primeiro geólogo do Brasil a se tornar mestre e também doutor em Educação. Na academia, dedicou-se a investigar a interface entre ensino e geociências, em uma época na qual não havia pesquisas sobre essa temática na América Latina. Hoje docente aposentado da universidade de Campinas, Lobão acredita que o espaço de democracia vivido nas últimas décadas no Brasil representa, na verdade, um movimento de recuo dos militares e que a tortura persiste, agora, contra a população marginalizada em geral. Para ele, que sofreu na pele as consequências de um regime repressivo, é preciso o constante fortalecimento das organizações civis para que o passado autoritário não retorne. “A elite brasileira é escravocrata desde sempre. A ditadura se retirou a contragosto, se autoanistiou”, afirma Lobão. O professor é o convidado desta edição do Um Tema podcast.
Ficha técnica
Produção e entrevista: Fábio Gallacci
Edição de áudio: Bruno Piato e Matheus Mota
Técnica: Rafaela Oliveira
Capa: Paulo Cavalheri
Coordenação geral: Patrícia Lauretti
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