A Unicamp avança no cenário global da sustentabilidade e conquista a 4ª posição entre as universidades mais sustentáveis do Brasil e o 65º lugar no ranking mundial do UI GreenMetric World University Rankings 2026. O resultado, divulgado na última semana, durante cerimônia em Baku, no Azerbaijão, evidencia o reconhecimento internacional das ações desenvolvidas pela Universidade e a evolução de seu compromisso com a sustentabilidade.
“Esse resultado demonstra a evolução e a consolidação de uma agenda de sustentabilidade que vem sendo construída há anos na Universidade”, afirma Roberto Donato, diretor executivo de sustentabilidade da Unicamp. Para ele, a criação da Diretoria Executiva de Sustentabilidade (DExS) representa um marco nesse processo, ao fortalecer a articulação entre as diferentes áreas da instituição e conferir maior integração e consistência à política institucional de sustentabilidade.


“Nosso desafio é fazer com que a sustentabilidade esteja cada vez mais presente em todas as dimensões da vida universitária, da gestão ao ensino, à pesquisa e à extensão. O avanço no ranking mostra que estamos progredindo nessa direção e que a Universidade tem condições de ampliar ainda mais seu protagonismo na construção de soluções para os desafios socioambientais”, destaca.
A 17ª edição do UI GreenMetric ranking contou com a participação de 2016 instituições representantes de 110 países, tornando-o o maior sistema global de classificação de universidades dedicado à avaliação do desempenho das instituições na transição para a sustentabilidade.
Este ano, houve o acréscimo de uma nova categoria: Governança, Digitalização e Desempenho Integrado. As categorias já existentes eram: Meio Ambiente e Infraestrutura; Energia e Mudanças Climáticas; Resíduos, Água, Mobilidade e Ensino e Pesquisa, totalizando 54 indicadores de sustentabilidade avaliados.

Entre 2019 e 2026, a Unicamp apresentou evolução consistente em seu desempenho relativo no ranqueamento, passando de 72,8% para 88,9% da pontuação máxima. “O avanço foi acompanhado por melhorias expressivas em diferentes dimensões, especialmente em Ambiente e Infraestrutura, Energia e Mudanças Climáticas, Transporte e Ensino e Pesquisa, enquanto Resíduos e Água mantiveram resultados elevados ao longo do período”, explica Thalita Dalbelo, da Coordenadoria de Sustentabilidade da Unicamp (CSUS), ligada à DExS.
Ainda segundo Dalbelo, em 2026, a incorporação da dimensão de Governança, com desempenho de 88,6%, amplia a abrangência da avaliação institucional. No período, a posição nacional oscilou entre a 3ª e a 5ª colocação, alcançando a 4ª posição em 2026, enquanto a posição global passou do 80º para o 65º lugar. “Em conjunto, os resultados evidenciam o fortalecimento progressivo do desempenho da Unicamp nas diferentes dimensões avaliadas, reforçando a importância da continuidade das ações institucionais voltadas à sustentabilidade”, pontua a arquiteta da DExS.
Os números de 2026 foram divulgados cerca de um mês depois do 12º Congresso Internacional do UI GreenMetric – Rankings de Universidades Sustentáveis. O evento aconteceu entre os dias 24 e 26 de agosto no Umwelt-Campus Birkenfeld, da Trier University of Applied Sciences, na Alemanha, e teve como tema “Avançando na sustentabilidade dos campi por meio da governança, da digitalização e do desempenho integrado”.

Representada pela equipe da DExS, a Unicamp apresentou três trabalhos que abordaram diferentes dimensões da sustentabilidade universitária.
Dalbelo apresentou uma pesquisa sobre avaliação da circularidade em instituições de ensino superior e sobre o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS Unicamp), com foco em governança e planejamento territorial para a construção de um distrito de inovação sustentável. Regina Micaroni apresentou o trabalho sobre auditoria dos planos de gerenciamento de resíduos da Universidade.
De acordo com Donato, que liderou a comitiva da Unicamp no evento, além de compartilhar experiências institucionais em temas importantes como economia circular e gestão de resíduos, a participação da Unicamp favoreceu o intercâmbio com universidades de todo o mundo e o conhecimento de diferentes abordagens para a gestão sustentável dos campi. “Além de ampliar a visibilidade internacional de iniciativas desenvolvidas pela Universidade, nossa participação na rede UI GreenMetric fortalece a inserção da Unicamp nas discussões globais sobre sustentabilidade no ensino superior”, afirmou.
De polo siderúrgico a cidade das ciências
A comitiva da Unicamp também realizou uma visita técnica à Cité des Sciences (Cidade das Ciências), resultado de um projeto de regeneração urbana que transformou uma antiga área de produção siderúrgica em um polo de conhecimento, inovação e desenvolvimento econômico. A motivação da visita foi buscar lições sobre planejamento territorial que possam ser aplicadas no processo de ocupação do HIDS Unicamp. A cidade das ciências abriga o campus principal da Universidade de Luxemburgo e reúne edifícios como a Casa do Conhecimento, a Casa das Ciências Humanas e a Casa da Inovação.
A arquitetura de Belval combina elementos do patrimônio siderúrgico com construções contemporâneas. Os altos-fornos, que marcaram a paisagem industrial de Belval e funcionaram até o final da década de 1990, foram preservados como parte da memória e da identidade do território. Hoje, podem ser visitados pelo público e oferecem, do alto, uma vista panorâmica da região sul do país. Uma exposição permanente também apresenta a história da transformação da antiga área industrial em um novo distrito dedicado à ciência, à inovação e ao conhecimento. “A arquitetura mistura o patrimônio industrial dos altos-fornos de aço com arquitetura contemporânea de ponta”, observa Dalbelo.


A transformação de Belval também envolve um modelo de desenvolvimento territorial baseado na valorização imobiliária para financiar a revitalização urbana. O território pertence ao governo de Luxemburgo, que contratou uma incorporadora para administrar o desenvolvimento da área. A venda dos terrenos para empresas e instituições interessadas em se instalar no distrito contribui para financiar a implantação da infraestrutura.
A experiência de Belval apresenta pontos de contato com os desafios enfrentados pelo Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) da Unicamp, especialmente na articulação entre planejamento territorial, conhecimento, inovação e sustentabilidade. “É uma experiência que mostra como a transformação de um território pode preservar sua memória e, ao mesmo tempo, criar espaços voltados ao conhecimento, à inovação e a um futuro mais sustentável”, finaliza Dalbelo.
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