
O Capítulo Estudantil do American Institute of Chemical Engineers (AIChE) da Unicamp conquistou o primeiro lugar nacional na Chem-E-Car Competition, realizada durante a Brazil Student Regional Conference (BSRC) 2026, na Universidade Estadual de Maringá (PR), entre os dias 24 e 28 de agosto. O grupo de estudantes da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) também terminou em segundo lugar na competição Chem-E-Jeopardy e na terceira colocação na categoria Pôster Chem-E-Car.
Na competição Chem-E-Car a disputa envolve um pequeno carro, uma distância desconhecida e uma única chance de fazê-lo parar no lugar certo. Não há controle remoto nem piloto para corrigir a trajetória: depois que o veículo é colocado em movimento, os competidores precisam confiar nas reações químicas cuidadosamente planejadas para fazê-lo chegar o mais perto possível da marca.

Bruno Bianchessi Zago, um dos diretores da equipe, compara a dinâmica da prova a uma partida de bocha. “Gosto muito dessa analogia. Você solta o carrinho e ele tem que andar e parar de forma autônoma o mais próximo da marca possível”, explica. A distância a ser percorrida, entre 15 e 30 metros, só é conhecida pela equipe uma hora antes da disputa, o que exige que o sistema seja calibrado para diferentes possibilidades.
Na edição deste ano, a distância sorteada foi de exatamente 15 metros, e o carro da equipe da Unicamp parou a cerca de 18 centímetros da marca. “Foi uma precisão muito absurda, um resultado que nos garantiria facilmente o top 10 global”, destaca Zago, que comanda o grupo com o colega Rafael Lima Rodrigues. “Ele é o capitão da equipe e protagonista do projeto junto comigo.”
Para movimentar o veículo, a equipe utilizou uma célula a combustível alimentada por hidrogênio. Neste ano, houve uma mudança importante no projeto: em vez de produzir o gás a partir de reagentes domésticos, como anteriormente, os estudantes passaram a produzir hidrogênio por eletrólise da água.
Além de adaptar uma tecnologia existente para a pequena escala do projeto, o grupo projetou o próprio reator que gerou o combustível do carro. Segundo Zago, eles utilizaram um software de modelagem tridimensional para desenvolver o equipamento e depois buscaram uma empresa de usinagem para produzir as peças.

Engenharia mão na massa
O professor da FEQ Raphael Suppino, orientador do Capítulo Estudantil AIChE Unicamp, explica que a autonomia do veículo é parte essencial do desafio. Os próprios estudantes, explica Suppino, desenvolvem o projeto, fazem o design e montam o carro. Segundo o professor, a experiência permite aplicar, em um projeto concreto, conhecimentos que fazem parte da formação em Engenharia Química. “É um desenvolvimento de um projeto de engenharia mão na massa. Nós, como professores, cuidamos para que eles tenham um bom caminho, mas são eles quem tomam as decisões, montam e decidem o quê e como vão fazer.”
A experiência também extrapola a sala de aula e a própria competição. Ao participar de eventos, visitar outras universidades e apresentar o projeto ao público, os estudantes levam consigo os saberes produzidos na Universidade. “Não é só no primeiro lugar do pódio, mas a importância de levar o conhecimento gerado pela Unicamp para fora”, destaca.

A vitória em Maringá garantiu à equipe a classificação para a competição internacional, que será realizada em Minneapolis, nos Estados Unidos, entre os dias 6 e 9 de novembro. No ano passado, quando a Unicamp sediou a disputa, a equipe foi vice-campeã nacional na Chem-E-Car. Neste ano, além do primeiro lugar na prova do carro, o grupo conquistou mais resultados e estará na etapa internacional em mais dois desafios: na competição de perguntas e respostas, inspirada no tradicional formato Jeopardy da TV norte-americana, e na apresentação em formato de pôster sobre o projeto do carro. Na competição internacional do Jeopardy, a equipe irá defender o título da Unicamp, conquistado em Boston, na conferência do ano passado.
Criado em 2021 por iniciativa dos próprios estudantes, o Capítulo Estudantil do AIChE Unicamp reúne atualmente cerca de 40 integrantes, envolvidos em diferentes projetos. Na equipe que compete na Chem-E-Car, são oito estudantes, além de outros integrantes que colaboram com o desenvolvimento do projeto. O Capítulo Estudantil conquistou, no ano passado, o reconhecimento como Outstanding Student Chapter, título concedido aos capítulos estudantis de destaque da organização.
Despertar o interesse
A experiência também ultrapassa os limites da competição. O projeto, que foi apresentado durante o evento Unicamp de Portas Abertas (UPA) em agosto, será levado a escolas como parte das atividades de extensão e estará presente na Virada Tecnológica de Paulínia, de 17 a 19 de setembro. “Uma das nossas grandes motivações é exatamente essa, despertar o interesse dos estudantes do ensino médio”, afirma Zago.
Para o orientador, o projeto demonstra que a formação universitária pode acontecer também por meio da experimentação. “É importante o tempo de estudo, mas ele também pode ser usado em atividades práticas, tornando a teoria aplicável de forma lúdica e recompensadora”, ressalta.
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