Na combinação entre ciência, formação e colaboração, a Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos, aberta nesta terça-feira (1º/9), no auditório do Instituto de Geociências (IG), reúne diferentes gerações de pesquisadores em torno de um desafio ambiental global. A resposta para esse problema dependerá, cada vez mais, da capacidade de produzir conhecimento e de trabalhar de forma conjunta.

A proposta da ESPCA em Microplásticos é oferecer formação multidisciplinar na pesquisa sobre a presença de micro e nanoplásticos no ambiente e seus impactos sobre os seres vivos. Organizada pela Unicamp e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a escola oferece, até 11 de setembro, uma programação que combina palestras, aulas teóricas e práticas e apresentações de pesquisas.
Na abertura, Cassiana Montagner, docente do Instituto de Química (IQ) e coordenadora da ESPCA em Microplásticos, destacou que o projeto foi criado para fortalecer a formação em uma área contemporânea e estratégica. “A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos foi pensada para empoderar jovens cientistas, promovendo a cooperação entre nossa comunidade.”


Dos 1.103 inscritos, foram selecionados 125 participantes, sendo 75 brasileiros e 50 estrangeiros, de 35 países. A seleção resultou em um grupo formado por pesquisadores de diferentes áreas, níveis de experiência e instituições, com forte presença do Sul Global. Do Brasil, há participantes de 19 estados. Para Montagner, os selecionados têm um papel importante na construção de respostas. “Acreditamos que cada um poderá ser protagonista dessa ação colaborativa.”
Walter Waldman, docente do Departamento de Física, Química e Matemática da UFSCar e vice-coordenador da ESPCA, também ressaltou a importância dessa imersão científica. “A Escola auxiliará cientistas do Brasil a se inserirem no debate global sobre esse tema, contribuindo para a formação de uma rede internacional.”
O representante da Fapesp, o professor Rodolfo Jardim de Azevedo, do Instituto de Computação (IC), coordenador de Tecnologias e Parcerias em Inovação da Fundação, destacou a articulação entre as instituições de pesquisa paulistas para a realização do evento. Segundo ele, Unicamp, UFSCar e as instituições de pesquisa do estado formam um ecossistema de excelência capaz de criar espaços voltados à ciência avançada. “É um chamado à ação, ao estudo, a novas oportunidades e ao que queremos conhecer no futuro”, afirmou.

A pró-reitora de Pesquisa da Unicamp, professora Ana Frattini, destacou a importância do evento para ampliar o conhecimento sobre microplásticos, seus impactos ambientais e os desafios regulatórios e ressaltou o papel da formação de jovens pesquisadores. “Precisamos produzir pesquisas que ampliem as fronteiras do conhecimento humano, para que ele possa ser utilizado na formulação de políticas públicas que tragam benefícios sociais reais e promovam a justiça ambiental.”
Para o professor Pedro Sérgio Fadini, pró-reitor de Pesquisa da UFSCar, o esforço dos organizadores para possibilitar o evento merece destaque. “O tema está entre os grandes desafios ambientais enfrentados pela humanidade. Precisamos entender os mecanismos de transporte, transformação e ação dos poluentes no ambiente e seus efeitos nos organismos”, apontou.
O físico Raul de Oliveira Freitas, que representou o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), destacou a importância da infraestrutura de pesquisa para avançar nos estudos sobre o tema. Freitas lembrou ainda sua colaboração em uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) que identificou microplásticos no cérebro humano, o que, segundo ele, reforça a urgência de compreender a presença e os efeitos desses materiais no organismo. “É uma situação realmente crítica”, alertou.

Oportunidades sem fronteiras
A pesquisadora paquistanesa Aamna Naeem, da Lappeenranta-Lahti University of Technology, da Finlândia, visita o Brasil pela primeira vez. Para ela, a ESPCA representa uma oportunidade de conhecer trabalhos desenvolvidos em diferentes partes do mundo e estabelecer novas possibilidades de colaboração. “É bom estar aqui para poder conhecer o que cada pesquisador está fazendo, entender as perspectivas para o futuro e descobrir como podemos colaborar”, afirmou.
Para a doutoranda Maria Fernanda Rosa da Silva, do campus Sorocaba da UFSCar, a participação representa também uma oportunidade de aprofundar conhecimentos em uma área na qual começou a atuar ainda no mestrado. Ela pesquisa microplásticos e pretende aproveitar a programação para ampliar sua formação e ganhar autonomia nos experimentos. “Tenho muito para aprender”, afirmou.
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