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Atualidades Inovação Pesquisa

Cooperação com a Petrobras fortalece fase experimental do AmazonFACE

Recursos serão essenciais para viabilizar o maior experimento mundial de campo sobre os efeitos das mudanças climáticas em florestas tropicais

O programa científico AmazonFACE alcança um marco relevante para sua trajetória com o apoio da Petrobras à sua fase experimental. Por meio do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), a companhia oferecerá colaboração técnica e financiará o principal insumo científico necessário ao início da fase experimental de um dos mais ambiciosos projetos de pesquisa na atualidade sobre mudanças climáticas em florestas tropicais do mundo.

O aporte de R$ 113 milhões é decorrente de Termo de Cooperação firmado entre a Petrobras, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os recursos são administrados pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).

Além de atender à demanda dos insumos por aproximadamente cinco anos, o valor será utilizado para o pagamento de 24 bolsas de pesquisa pelo mesmo período, compra de equipamentos e material de consumo.

Os recursos são oriundos da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), prevista em lei e regulamentada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mecanismo determina que empresas do setor destinem parte de sua receita à realização de projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. A legislação (Resolução 918/2023 da ANP) prevê investimentos em projetos de PD&I que envolvam, entre outras modalidades, pesquisa básica e aplicada desenvolvida por instituições credenciadas pela ANP, como é o caso da Unicamp.

Em 2025, o programa AmazonFACE foi selecionado pela Petrobras para receber investimentos oriundos da Cláusula de PD&I. O investimento viabiliza o início da fase experimental do AmazonFACE e o abastecimento do principal insumo por cerca de cinco anos. A previsão é de que o experimento se inicie após a realização dos testes necessários sob CO2 elevado, eventuais ajustes técnicos, e a contratação de fornecedores. Após acionar a infraestrutura do experimento em definitivo, a perspectiva é que o projeto siga em atividade ininterrupta pelos próximos dez anos.

O programa científico AmazonFACE se propõe a investigar uma das maiores fontes de incerteza em relação ao futuro da Amazônia: como a maior floresta tropical do mundo responderá ao eventual aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera que impulsiona as mudanças climáticas. A floresta amazônica – maior floresta tropical do mundo – é um complexo ecossistema com papel importantíssimo para regular o clima, as chuvas e outros serviços ecossistêmicos no Brasil e no mundo. A iniciativa é pioneira na investigação, em escala de ecossistema, de como o aumento da concentração atmosférica de CO₂ afetará o funcionamento das florestas tropicais, sua biodiversidade, ciclo do carbono, disponibilidade de água e capacidade de regular o clima, entre outros aspectos.

Considerado um dos experimentos ecológicos mais ambiciosos da atualidade, o AmazonFACE (acrônimo em inglês para “Free-Air CO2 Enrichment”, ou enriquecimento de CO2 ao ar livre) utiliza tecnologia capaz de simular a concentração de CO2 prevista para daqui algumas décadas. Em uma minúscula parcela da floresta, localizada em área de pesquisa o ambiente receberá um aumento de aproximadamente 50% da concentração de CO2, passando de 420 ppm (partes por milhão) para 620 ppm, sem alterar outras condições naturais do ecossistema. O laboratório a céu aberto é instrumentado do solo até o dossel das árvores para medir o todas as reações do ecossistema.

Ao financiar o fornecimento do insumo utilizado na pesquisa, a Petrobras contribui diretamente para a geração de conhecimento científico estratégico sobre os impactos das mudanças climáticas e para o fortalecimento da ciência brasileira em um tema de elevado interesse científico internacional.

O apoio ao AmazonFACE reforça o compromisso da empresa de apoiar iniciativas científicas que ampliem o conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas e contribuam para o desenvolvimento de soluções baseadas em ciência, promovendo pesquisa, inovação e colaboração entre setores. O programa reúne excelência científica, cooperação institucional e potencial para gerar conhecimento estratégico sobre os efeitos do aumento da concentração de CO₂ na Amazônia e seus impactos no clima global.

Pessoa de meia-idade sentada em cadeira preta, usando óculos de armação escura, blazer cinza-escuro sobre camisa branca, segurando microfone prateado com a mão direita enquanto gesticula com a mão esquerda, posicionada diante de mesa de madeira com papéis brancos espalhados, em ambiente com parede cinza ao fundo.
O coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho: um passo decisivo para a entrada do AmazonFACE em sua fase experimental

“A participação da Petrobras representa um passo decisivo para a entrada do AmazonFACE em sua fase experimental. O apoio assegura condições para responder questões científicas fundamentais sobre o futuro da Amazônia, reafirmando o protagonismo local, em um cenário de mudanças climáticas, preservando a independência, a transparência e o rigor científico que caracterizam iniciativas dessa magnitude”, destacou o reitor em exercício da Unicamp, Fernando Coelho.

Sobre o programa científico AmazonFACE

O AmazonFACE (Free-Air CO₂ Enrichment) é um programa científico instituído pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em 2014. A coordenação científica do programa é exercida pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O programa conta com a cooperação internacional do governo britânico desde 2021, por meio do Foreign, Commonwealth and Development Office(FCDO) e implementação técnica do órgão meteorológico oficial Met Office, configurando-se como o maior projeto de cooperação científica internacional entre Brasil e Reino Unido.

O experimento está instalado em uma estação de pesquisa do Inpa, denominada ZF2, localizada 80 km ao norte de Manaus (AM), no Brasil. A área é representativa do bioma Amazônia. Na área do experimento foram identificadas 423 espécies de árvores, sendo que mais da metade apresenta algum grau de utilização pelas populações da região amazônica. O tipo de solo da área pesquisada é o mesmo encontrado em cerca de 60% do bioma.

A expectativa é de que o programa gere dados sobre o potencial de contribuição da maior floresta tropical do mundo para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa e sobre sua vulnerabilidade frente às mudanças climáticas. A combinação da experimentação na floresta e dos modelos matemáticos da vegetação e da atmosfera tem o objetivo de trazer respostas-chave para entender o futuro da floresta Amazônica diante da mudança do clima. Os resultados contribuirão para aprimorar projeções climáticas globais, orientar políticas públicas e ampliar o conhecimento sobre o papel da Amazônia na regulação do clima da Terra.

Atualmente, o AmazonFACE reúne mais de 150 pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais e constitui uma das principais infraestruturas científicas dedicadas ao estudo das florestas tropicais em um cenário de mudanças ambientais globais. O programa conta com estrutura de governança própria e comitê científico independente. A definição das agendas de pesquisa, a condução dos estudos e a divulgação dos resultados permanecem sob responsabilidade das instituições científicas que coordenam o programa, preservando a independência, a transparência e o rigor científico que caracterizam a iniciativa.

Foto de capa:

Grupo de pessoas usando coletes e capacetes amarelos e laranja reunidas em um terreno de terra avermelhada próximo a estruturas industriais, com uma placa de madeira contendo o texto "AMAZONFACE" e logotipo em cores verde, azul e amarelo posicionada em primeiro plano à esquerda, árvores densas ao fundo, contêineres azuis à direita e uma passarela metálica cinza atravessando o solo.
Ao fundo os tanques de C02; a previsão é de que o experimento se inicie após a realização dos testes necessários sob CO2 elevado, eventuais ajustes técnicos, e a contratação de fornecedores
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