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Três cidades, uma história: exposição revisita os 60 anos da Unicamp

Mostra reúne documentos e fotos para mostrar como Campinas, Limeira e Piracicaba cresceram junto com a Universidade

exposição fica aberta até o dia 30 de setembro
Exposição mostra o impacto que a Universidade provocou em três cidades: Campinas, Limeira e Piracicaba

A trajetória de seis décadas da Unicamp vai além das salas de aula, laboratórios e institutos de pesquisa. Também foi escrita nas ruas e nos bairros de Campinas, Limeira e Piracicaba, cidades que acolheram seus campi e que, ao longo do tempo, cresceram e se transformaram junto com a Universidade. É esse percurso compartilhado que a exposição 60 anos da Unicamp: três cidades, uma história, aberta nesta quinta-feira (6) no Museu da Cidade – Casa de Vidro, propõe revisitar.

A mostra, que encerra em Campinas um circuito iniciado em Piracicaba em dezembro de 2025, e que passou também por Limeira, integra as comemorações dos 60 anos da Universidade e pode ser visitada gratuitamente até 30 de setembro.

Na abertura da exposição, o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, representando o reitor Paulo Cesar Montagner, destacou justamente o poder de transformação exercido por uma universidade pública sobre os territórios onde se instala. Para ele, olhar para as seis décadas da instituição significa também recuperar os impactos da Universidade sobre a geração de conhecimento, a qualidade de vida e o desenvolvimento das cidades. 

exposição vai até o dia 30 de setembro
Fotografias, documentos históricos, mapas e outros materiais ajudam a contar essa história

“Quando a universidade chega, ela tem um poder de transformação absolutamente gigantesco. Vemos isso claramente em todos os lugares onde ela se instalou”, destacou Coelho. Segundo o coordenador-geral, revisitar esse passado também permite projetar o futuro e pensar em como a Universidade pode continuar contribuindo para que as cidades onde está presente se consolidem como centros de geração de conhecimento.

Uma cidade dentro das cidades

Fotografias, documentos históricos, mapas, plantas arquitetônicas, cartões-postais e outros materiais visuais ajudam a contar essa trajetória. Mais do que reconstruir a história interna da Universidade, a exposição procura mostrar de que maneira sua implantação acompanhou transformações urbanas, econômicas e sociais nas três cidades. 

Um dos curadores da mostra, Marcos Tognon, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), resume o conceito em uma imagem: “A nossa exposição é uma cidade dentro das cidades”. Tognon explica que a implantação dos campi criou novas centralidades urbanas e modificou a forma como as cidades ao seu redor passaram a se organizar e desenvolver. 

Fernando coelho conversa com crianças
O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, conversa com crianças que visitaram a exposição

Mais do que seguir uma ordem cronológica, a exposição organiza a narrativa a partir da relação da Universidade com os territórios onde se implantou. Para construir essa história, os curadores pesquisaram a cartografia histórica das três cidades e percorreram acervos fotográficos, documentos e coleções particulares. Entre as fontes consultadas estão materiais do Centro de Memória da Unicamp (CMU), do Museu da Imagem e do Som (MIS) de Campinas e coleções privadas, como a do monsenhor Jamil Nassif Abib, de Piracicaba, que reúne cerca de 300 mil cartões-postais. O resultado, explica Tognon, é uma espécie de história visual. 

Também integrante da curadoria, João Paulo Berto, servidor da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) e museólogo do Museu Histórico da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), chama a atenção para outro aspecto da construção da mostra: o envolvimento de diferentes grupos da Unicamp.

“A pesquisa, a concepção e os textos apresentados ao público foram desenvolvidos dentro da própria Universidade, envolvendo docentes, servidores e estudantes”, conta. Alunos de graduação do curso de História participaram da pesquisa e produziram os textos que acompanham o percurso expositivo. A curadoria é completada por Ana Cláudia Cermaria, responsável técnica do Museu da FOP.

A escolha do Museu da Cidade para receber a última etapa da itinerância reforça o diálogo proposto. Para a secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, a presença da Unicamp está ligada à própria transformação de Campinas ao longo das últimas décadas, seja pela formação de profissionais qualificados, pela atração de empresas e indústrias ou pela consolidação do município como polo de ciência e tecnologia.

“Todo o desenvolvimento de Campinas como uma metrópole e hoje como uma cidade que tem um alto padrão de ciência e tecnologia está relacionado também à presença da Unicamp”, aponta Caprioli. 

O diretor de Eventos da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Gabriel Rapassi, ressalta que a parceria entre Universidade e município, historicamente forte em áreas como educação e saúde, vem ganhando novas dimensões no campo cultural. “Esta exposição coroa uma relação muito intensa e longeva da Unicamp com a cidade”, afirmou. 

Duas histórias se encontram

coelho, capriolli e rapassi
Fernando Coelho (esq), Alexandra Caprioli e Gabriel Rapassi

O diálogo entre Universidade e cidade ganha ainda outro significado dentro da Casa de Vidro. Ao lado da mostra sobre a Unicamp, foi inaugurada a exposição Vila Rica: 60 anos de lutas, conquistas e identidade, dedicada à trajetória do primeiro conjunto habitacional entregue pela Companhia de Habitação (Cohab) em Campinas, também há seis décadas. 

A coordenadora do Museu da Cidade, Lilian Alvisi, destacou a coincidência temporal e, principalmente, a possibilidade de aproximar as duas histórias. A mostra sobre o bairro Vila Rica foi construída com a participação dos próprios moradores, que contribuíram com fotografias, memórias e relatos e participaram da seleção do material apresentado.

“As duas exposições dialogam”, ressalta. Para ela, ambas tratam de identidade, pertencimento e ocupação do território, a partir de experiências que se desenvolveram no mesmo período e que, em determinados momentos, chegaram a se encontrar.

Um desses encontros ocorreu ainda na década de 1970. Morador do Vila Rica e participante da construção da exposição sobre o bairro, o professor José Galdino Pereira lembrou que alunos da Unicamp passaram a frequentar a comunidade a partir de 1974, desenvolvendo atividades ligadas, entre outras áreas, à saúde pública.

Segundo Galdino, os estudantes começaram a atender moradores em um espaço comunitário do bairro, trabalhando com práticas de atenção primária à saúde, iniciativa que antecedeu a implantação do serviço público de saúde do bairro e deixou marcas na memória de seus moradores. Galdino recorda, por exemplo, relatos de pessoas que diziam ter sido aquela a primeira vez em que receberam de um futuro médico um atendimento próximo e cuidadoso.

José Galdino Pereira
José Galdino Pereira

A abertura das exposições reuniu ainda estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Violeta Dória Lins, localizada no bairro Vila Rica, muitos dos quais visitavam pela primeira vez o Museu da Cidade. O coordenador-geral da Unicamp aproveitou a presença dos jovens para fazer um convite. Depois de explicar o caráter público e gratuito da Universidade e falar sobre as políticas que buscam ampliar o acesso e a permanência de estudantes de diferentes origens, pediu que eles enxergassem a Unicamp como uma possibilidade para o próprio futuro. “A Universidade deve ser parte do sonho de vocês. Vocês têm direito a um lugar na Unicamp.”

Serviço:

Exposição 60 anos da Unicamp: três cidades, uma história 

Até 30 de setembro. De terça a sexta-feira, das 10h às 12h e das 14h às 17h; aos sábados, das 12h às 16h

Museu da Cidade – Casa de Vidro. Av. Dr. Heitor Penteado, 2.145 – Lago do Café, Parque Taquaral, Campinas

Entrada gratuita

Foto de Capa

exposição está no Museu da cidade
Exposição está aberta no Museu da Cidade
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