A Unicamp realiza, no próximo dia 14, o primeiro simpósio “Perspectivas da Música Popular na Universidade Pública”, iniciativa que pretende discutir os caminhos do ensino, pesquisa e produção artística no campo da música popular. O evento também prestará homenagem aos professores José Roberto Zan e Rafael dos Santos, docentes aposentados que tiveram papel fundamental na consolidação da área de música popular na Universidade.
Zan e Santos estão ligados à história da modalidade de música popular na Unicamp desde seus primeiros anos. Rafael dos Santos atuou como professor de piano popular e na área de História da Música. Zan, por sua vez, contribuiu para ampliar a reflexão sobre a música industrializada e o papel social dos músicos e artistas. Os dois coordenam o grupo de pesquisa “Música Popular: História, Produção e Linguagem”, que reúne pesquisadores egressos da Universidade e atualmente vinculados a outras instituições.

A programação contará com a participação de pesquisadores de diferentes universidades. Pela manhã, integrantes do grupo de pesquisa que hoje são docentes em outras instituições participarão de uma mesa de debates. Entre os convidados estão Gabriel Rezende e Maria Beatriz Cyrino, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Adélcio Camilo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Daniela dos Santos, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP).
À tarde, a programação terá uma mesa com Walter Garcia, do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), Ivan Vilela, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), e Edson Natale, violonista, compositor, produtor e pesquisador. Na sequência, uma roda de conversa reunirá os professores homenageados, com mediação de Leandro Barsalini, docente de música popular da Unicamp.
Reflexão
De acordo com a professora Regina Machado, do Instituto de Artes (IA), uma das organizadoras do simpósio, a atividade ocorre em um momento especialmente importante para a reflexão sobre a cultura brasileira. Ela destaca a diversidade da produção musical do país. “A nossa música popular é absolutamente diversa, rica e está em constante produção”, comenta ela, ressaltando que o cenário contemporâneo é intenso e diversificado, tanto fora quanto dentro da Universidade. “Estamos formando pessoas para atuarem como artistas, produtores e pesquisadores. Temos uma produção muito intensa aqui. Então, o simpósio é uma oportunidade de discutir tanto questões internas da formação universitária quanto o papel mais amplo da música popular na sociedade”, explica a professora.
Pioneirismo
A Unicamp ocupa posição pioneira nesse campo. O curso de música popular, criado em 1989, foi o primeiro do Brasil e da América Latina voltado especificamente à formação universitária na área. Conforme conta a professora Thaís Lima Nicodemo, os professores Zan e Santos ajudaram a construir um curso inovador em um momento em que a música popular ainda começava a conquistar espaço nos estudos formais. “É um campo que alia a prática com a reflexão crítica”, ressalta ela. “Enquanto em muitos países a formação prática ocorre em conservatórios, e a pesquisa teórica, nas universidades, a Unicamp desenvolveu uma proposta que reúne as duas dimensões”, acrescenta.
Os professores homenageados, segundo Thaís, tiveram papel importante na construção desse modelo e na formação de pesquisadores e artistas que passaram a atuar em diferentes instituições brasileiras. Ela destaca que os próprios docentes atuais do curso mantêm essa dupla atuação: além de lecionarem e pesquisarem, continuam gravando discos, realizando shows e atuando profissionalmente como músicos.

A trajetória do curso também foi marcada por uma transformação de seu foco. Regina Machado explica que, nos primeiros anos, havia uma perspectiva mais concentrada no jazz. Ao longo do tempo, a música popular brasileira passou a ocupar posição central na graduação e na pós-graduação. “Hoje, a música popular brasileira é o nosso grande foco nos processos de formação”, observa. Para ela, a consolidação dessa área reforça a conexão entre a Universidade e a sociedade.
Já Cacá Machado, também professor do IA, destaca a relevância da pós-graduação da Universidade, que contribui para a formação de professores e pesquisadores que atuam em diferentes partes do Brasil. “O primeiro simpósio, portanto, pretende não apenas celebrar uma trajetória já consolidada, mas abrir espaço para novas questões sobre o futuro da música popular na universidade pública”, aponta ele.
Horizonte
A expectativa dos organizadores é de que o encontro seja também um ponto de partida para novos debates sobre a relação entre prática artística, pesquisa, ensino e diversidade cultural. Para isso, novos simpósios já estão num horizonte próximo.
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