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Atualidades Cultura e Sociedade

Exposição revela diálogo da obra de Jung com a arqueologia, a mitologia e a filologia clássicas

A mostra poderá ser visitada gratuitamente de 30 de junho a 6 de agosto, na Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho

Carl Gustav Jung costuma ser lembrado como um dos fundadores da psicologia analítica e, frequentemente, como discípulo e interlocutor de Sigmund Freud. Menos conhecida, porém, é a intensa relação que o pensador suíço manteve com o universo da Antiguidade clássica ao longo de sua trajetória intelectual.

Essa dimensão de sua obra é o tema da miniexposição As Antiguidades de Jung: Arqueologia, Mitologia, Filologia, organizada e curada pela pesquisadora Fabiana Lopes da Silveira, pós-doutoranda do Centro de Teoria da Filologia do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), sob supervisão da professora Isabella Tardin Cardoso, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A mostra convida o público a conhecer um Jung mais multifacetado do que a figura normalmente apresentada nas narrativas tradicionais da história da psicologia. Na abertura, que ocorre na próxima terça-feira (30 de junho), às 17 horas, Silveira fará uma palestra em formato híbrido.

A exposição parte da constatação de que, embora a influência da Antiguidade sobre a obra junguiana seja amplamente reconhecida, ela costuma aparecer de forma fragmentada ou secundária nos estudos dedicados ao autor. O resultado é que, frequentemente, aspectos decisivos da formação intelectual de Jung permanecem pouco explorados, entre eles seu diálogo com a filologia clássica e com estudiosos da Antiguidade.

Pessoa idosa usando óculos e gravata, trajando camisa branca de manga comprida, segurando um cachimbo na mão direita em posição elevada próximo ao rosto, com fundo desfocado em tons escuros e vegetação ao fundo em fotografia em preto e branco.
Carl Jung: mostra convida a conhecer as multifacetas do autor

Inspirada na exposição Freud’s Antiquity: Object, Idea, Desire, realizada no Freud Museum, em Londres, sob curadoria dos classicistas Miriam Leonard, Daniel Orrells e Richard Armstrong, a mostra propõe um percurso semelhante para investigar as relações de Jung com o mundo clássico. O objetivo é compreender como diferentes disciplinas ligadas à Antiguidade contribuíram para a construção de seu pensamento.

Os três eixos que dão título à exposição – arqueologia, mitologia e filologia – correspondem a formas distintas pelas quais Jung se aproximou do mundo antigo. A arqueologia aparece como metáfora para a investigação da psique e de suas camadas mais profundas. A mitologia fornece narrativas e símbolos que atravessam diferentes culturas e períodos históricos. Já a filologia oferece instrumentos de interpretação e métodos de investigação que influenciaram diretamente a obra de Jung.

A mostra reúne reproduções de documentos, cartas, fotografias e livros relacionados à trajetória intelectual de Jung. Entre os destaques, estão reproduções de correspondências entre Jung e Freud que evidenciam o papel da Antiguidade em suas reflexões teóricas, além de imagens de obras pertencentes à biblioteca pessoal do psicólogo suíço. Parte desse material foi registrada pela própria curadora durante visita de pesquisa à biblioteca de Jung, na Suíça, e inclui documentos e exemplares raramente apresentados ao público brasileiro.

A exposição contará ainda com reproduções de páginas e imagens relacionadas ao chamado Livro Vermelho, obra central na trajetória de Jung, bem como publicações dedicadas à sua vida e à sua produção intelectual. Dois itens foram produzidos especialmente para a mostra. Um deles é uma ilustração inédita do cartunista britânico Dan Sperrin, que recria o célebre sonho da casa relatado por Jung em 1909, no qual diferentes andares correspondem a camadas sucessivas da história humana – imagem que se tornou fundamental para sua metáfora arqueológica da psique. A exposição também apresenta uma recriação da figura mitológica de Fanes, inspirada em representações presentes no Livro Vermelho, reforçando a importância da mitologia clássica na construção do pensamento junguiano.

O conjunto busca oferecer uma aproximação visual e documental com as leituras, interlocuções e referências que ajudaram a moldar o pensamento junguiano e seu diálogo com a Antiguidade clássica. A exposição poderá ser visitada gratuitamente de 30 de junho a 6 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, na Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (Bora-Unicamp).

Foto de capa:

Edifício moderno de três andares com fachada em metal corrugado cinza e painéis de vidro azul, apresentando uma faixa branca horizontal com inscrição "BIBLIOTECA DE OBRAS RARAS FAUSTO CASTILHO", acessado por escadas e rampas metálicas, circundado por gramado verde, palmeira, céu parcialmente nublado e estrutura de concreto na base.
A exposição poderá ser vista até 6 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 9 às 17 horas, na Bora-Unicamp
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