Exemplo de transformação constante, pioneiro em inclusão e sempre sintonizado com os rumos da sociedade. Com um evento especial realizado na quinta-feira (18), o Vestibular da Unicamp completou 40 anos. Em paralelo, a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) também celebra quatro décadas. Para marcar as datas, foi inaugurado um memorial onde é possível reviver todos os passos de uma trajetória inovadora.
O evento, que teve a estreia do documentário “A Toda Prova: 40 anos do Vestibular Unicamp” (assista abaixo), contou com a presença do reitor, Paulo Cesar Montagner, do coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho, da pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta, além de diretores que já passaram pela Comvest – incluindo o primeiro, Jocimar Archângelo –, professores, colaboradores e convidados.
Na década de 1980, a Unicamp inovou ao criar um sistema de ingresso nos cursos de graduação que representasse o espírito de uma universidade jovem, dinâmica e comprometida com o desenvolvimento educacional, social, científico, tecnológico e cultural do Brasil. No espírito de redemocratização da época, o Vestibular da Unicamp tornou-se referência ao propor um processo seletivo em que os conhecimentos científicos, o olhar crítico sobre os problemas do país e do mundo e a defesa da democracia e dos direitos humanos fossem parte do repertório exigido dos candidatos. Ao longo dos anos, várias políticas foram estabelecidas para assegurar o direito à educação superior para todos os grupos e, ao mesmo tempo, a pluralidade e a representatividade da população brasileira entre os novos alunos.
De acordo com o reitor, o evento celebrou quatro décadas de sucesso. “O Vestibular e a Comvest chegam aos 40 anos como algumas das iniciativas mais bem-sucedidas da história da Unicamp. Ao longo dessa trajetória, consolidaram-se como referências nacionais em avaliação educacional, contribuindo para aperfeiçoar os processos de seleção e ampliar o acesso ao ensino superior”, afirmou. “Mais do que selecionar candidatos, o Vestibular ajudou a fortalecer o projeto institucional da Universidade, combinando excelência acadêmica, inovação e inclusão. O trabalho da Comvest também é resultado da dedicação de gerações de profissionais que construíram um modelo respeitado em todo o país. Celebrar essa data é reafirmar nosso compromisso com a educação como instrumento de transformação social”, acrescentou Montagner.
O coordenador geral lembrou do ineditismo da iniciativa. “Celebrar os 40 anos do Vestibular é motivo de grande orgulho. Quando surgiu, sua proposta representava algo inédito no Brasil e, ao longo dessas quatro décadas, se consolidou como referência nacional pela credibilidade, inovação e compromisso com a inclusão”, apontou Coelho. “O Vestibular da Unicamp sempre se diferenciou por valorizar não apenas o conhecimento acumulado pelos estudantes, mas também sua capacidade de relacionar esse conhecimento com os desafios da sociedade. É um processo seletivo que dialoga com a realidade e estimula a reflexão crítica sobre temas contemporâneos. Além disso, a Comvest também tem um papel fundamental na construção de uma universidade cada vez mais diversa, aberta e comprometida com sua função pública”, completou.

Inovação
O atual diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, lembrou que a celebração valoriza uma parte fundamental da identidade da Unicamp, já que o Vestibular é, para muitos estudantes, o primeiro contato com a Universidade. “Justamente por isso, a seleção sempre procurou refletir os valores que marcaram a trajetória da instituição: inovação, compromisso público, excelência acadêmica e atenção aos grandes temas da sociedade. Desde sua criação, o Vestibular da Unicamp se diferenciou por valorizar a leitura, a interpretação e a capacidade crítica dos candidatos”, comentou Freitas Neto.
Ainda de acordo com o diretor, mais do que medir conteúdos, a ideia é selecionar estudantes capazes de compreender o mundo em que vivem e de contribuir para sua transformação. “Ao longo dessas quatro décadas, a Comvest também foi protagonista de importantes avanços na inclusão, com iniciativas como as cotas raciais e o Vestibular Indígena. Essas políticas ampliaram a diversidade e enriqueceram a produção de conhecimento, sem abrir mão da qualidade acadêmica que caracteriza a Unicamp”, destacou.

Cotas
As cotas foram efetivamente implantadas na Universidade a partir do Vestibular de 2019. O sistema foi aprovado pelo Conselho Universitário (Consu) em maio de 2017, passando a destinar 50% das vagas para alunos de escolas públicas e 25% especificamente para candidatos pretos e pardos. A Unicamp também instituiu, naquele mesmo ano, o Vestibular Indígena. Ao longo dos anos, o programa tem passado por atualizações. Mais recentemente, a modalidade de seleção via Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) inclui reserva de vagas para pessoas trans, travestis e não-binárias.
Memorial
O Memorial recém-inaugurado traz arquivos, entrevistas, imagens e materiais que compõem um vasto acervo, físico e digital, da Comissão de Vestibulares da Unicamp e que, agora, passam a ser disponibilizados ao público, especialmente educadores, escolas e estudantes. Além de objetos como cartazes e provas antigas, o espaço conta com totens interativos com objetivo de proporcionar uma experiência imersiva aos visitantes.
Foto de capa

Assista ao documentário “A Toda Prova: 40 anos do Vestibular Unicamp”
