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Atualidades Cultura e Sociedade

Mostra celebra produção musical da compositora Denise Garcia

Programação sobre trabalho da professora do Instituto de Artes terá dois dias de eventos gratuitos

Serão dois dias de homenagens para a compositora Denise Garcia que, aos 70 anos, está se despedindo de suas funções atuais
Serão dois dias de homenagens para a compositora Denise Garcia que, aos 70 anos, está se despedindo de suas funções atuais

A “Mostra Denise Garcia – 70 anos de música atual” reúne, nesta quarta-feira e quinta-feira (22 e 23 de outubro), a produção musical da professora do Departamento de Música do Instituto de Artes (IA) da Unicamp Denise Garcia, com uma série de atividades, entre concertos, instalação eletroacústica, debate e mesa-redonda (veja a programação abaixo), com entrada gratuita. Serão dois dias de muitas homenagens para a compositora que, aos 70 anos, está se despedindo de suas funções atuais. Apesar de ter decidido se aposentar, porém, ela continuará presente na Universidade como professora sênior.

“Fiquei emocionada, achei extraordinária a ideia dessa grande mostra. Não foi minha, e sim de pesquisadores do CIDDIC/CDMC [Centro de Integração, Documentação e Difusão Cultural da Unicamp e Centro de Documentação de Música Contemporânea], que foram meus alunos, conhecem o meu trabalho e veem o quanto ele é pouco divulgado. Era para ser uma surpresa, mas como sou eu que tenho as partituras, eles foram obrigados a falar comigo”, conta Garcia, que acabou fazendo a curadoria do concerto desta quarta-feira. No dia seguinte, a programação terá peças orquestrais compostas por Garcia entre os anos de 2010 e 2020 e contará com a parceria da maestrina Cinthia Alireti, da Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU).

Entre as novidades dos concertos, consta uma peça composta neste ano, que Garcia batizou de Tributo a Milton Nascimento. “A composição será executada pela primeira vez pela Sinfônica da Unicamp, depois da estreia na Sinfônica de Indaiatuba”, destaca.

Na instalação eletroacústica, adianta a professora, os visitantes poderão conhecer uma playlist de 1h28min com sons de natureza, água, vozes e os barulhos da rua, na sala de cinema da Casa do Lago. “São construções musicais com uma referência extra, cuja fonte é o Poema Sujo, de Ferreira Gullar, que foi meu trabalho de mestrado. Na França, existe uma expressão, o ‘cinema de orelha’, que é para se ouvir, não para assistir, por isso, o espaço na Casa do Lago”, explica. “Posso dizer que, na gravação de campo, fui pioneira no Brasil.”

Talento natural

“Sempre encarei a composição como natural. Quando criança compunha espontaneamente, uma atividade que não era reconhecida na escola de música que frequentava. Na minha inocência infantil, confundia composição, improvisação e tocar de ouvido, o que a professora proibia”, relata.

Aos sete anos, compôs uma valsa, e sua mãe a incentivou. “Estudei piano dos seis aos 28 anos, e, durante alguns anos, também estudei clarineta, mas meu instrumento foi roubado e me desiludi. Costumo brincar que, depois de comer, dormir e respirar, o que mais fiz na vida foi tocar piano”, completa.

Graduada em música pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em artes pela Unicamp (1993) e doutorado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo (1998), Garcia se aprofundou em estudos de composição na Alemanha, na Musikakademie Detmold e na Musikhochshule, em Munique.

Na Unicamp, iniciou suas atividades no Departamento de Dança, onde atuou por 15 anos e foi co-fundadora do Lume Teatro, junto a Luiz Otávio Burnier e Carlos Simioni. Depois, ocupou cargos de liderança, como diretora do CIDDIC, entre 2010 e o final de 2017, e da Sinfônica da Unicamp. “Na época em que cheguei na Unicamp estavam precisando de professores no Departamento de Dança, mas, conforme fui fazendo minha carreira acadêmica, me aprofundei na minha área”, afirma. “Sempre gostei muito do que faço e, agora que completo 70 anos em dezembro, resolvi me aposentar, mas vou continuar na Universidade e desenvolver pesquisas no CDMC. Eles estão precisando, há muito acervo novo chegando”, completa.

Concerto com obras para orquestra sinfônica compostas por Denise Garcia
Concerto com obras para orquestra sinfônica compostas por Denise Garcia serão apresentadas no dia 23/10

Garcia foi, durante 20 anos, a única mulher professora universitária de composição. “Agora, entrou a Valéria Bonafé, na USP [Universidade de São Paulo]”, conta. Bonafé, aliás, foi convidada para comandar o relançamento do livro de Garcia O Grupo Música Nova e a Música Eletroacústica (Editora Unicamp, 2022), que integra a programação do segundo dia do evento. Sobre a participação das mulheres na música, Garcia conta que haverá, ainda, uma mesa-redonda com o tema. “Não sei porque há tão poucas mulheres compositoras, sei que houve outras antes de mim, mas que acabaram não atuando na carreira acadêmica.”

Programação

Dias 22 e 23 de outubro, na Casa do Lago e na Biblioteca Central Cesar Lattes

Dia 1

Quarta-feira (22/10)

Casa do Lago
17h – Instalação de Música Eletroacústica

19h

Concerto com obras de música de câmara compostas por Denise Garcia

Dia 2
Quinta-feira (23/10)

Biblioteca Central Cesar Lattes

14h – Relançamento do livro O Grupo Música Nova e a Música Eletroacústica (Editora Unicamp, 2022)


15h – Mesa-redonda – Mulheres na Música de Concerto Hoje

Casa do Lago
17h – Instalação de Música Eletroacústica

19h – Concerto com obras para orquestra sinfônica compostas por Denise Garcia

Confira a programação detalhada.

Foto de capa:

A programação acontece nos espaços da Casa do Lago e da Biblioteca Central Cesar Lattes
A programação acontece nos espaços da Casa do Lago e da Biblioteca Central Cesar Lattes
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