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Orides Fontela

A máquina do tempo de

Texto manuscrito em fonte cursiva que lê "Orquídeas Fontela" em tinta preta sobre fundo branco.

Estudo do IEL recupera poemas inéditos escritos pela autora aos 25 anos, guardados por seis décadas

A máquina do tempo de

Texto manuscrito em fonte cursiva que lê "Orquídeas Fontela" em tinta preta sobre fundo branco.

Estudo do IEL recupera poemas inéditos escritos pela autora aos 25 anos, guardados por seis décadas

Fotografia em preto e branco de uma pessoa usando óculos e suéter de gola alta, posicionada de perfil à esquerda, segurando um falcão empoleirado em um suporte de madeira, com um ambiente desfocado ao fundo.

Orides Fontela tinha 16 anos quando venceu, em 1956, um concurso de poesia organizado na cidade onde nasceu, São João da Boa Vista (SP), e pela primeira vez viu um poema de sua autoria publicado no tradicional jornal O Município. Até trocar o interior pela capital do estado, a jovem escritora continuaria emplacando, ali, suas composições poéticas, que destoavam dos versos assinados pelos conterrâneos, afeitos ao parnasianismo. Parte dessas criações iniciais foi aproveitada mais tarde, nos primeiros livros que lançou. No entanto, uma pesquisa promovida pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp trouxe à tona a existência de quatro obras da mesma procedência que haviam permanecido inéditas no restante do país. Mais de seis décadas após a publicação original, as gemas “Arte Plástica”, “Fruto”, “Poema do Natal” e “Cena” – a mesma premiada há exatos 70 anos – finalmente ganham o mundo.

Os quatro poemas recuperados foram apresentados pelo autor da pesquisa, o professor de língua portuguesa Fernando Tonon, na monografia de conclusão de graduação “Poeta municipal – as origens de Orides Fontela”. Eleito pelo IEL como a melhor monografia de 2025 na categoria Estudos Literários, o trabalho será lançado ainda neste ano em versão digital e gratuita pela editora-escola Asa da Palavra.

O trabalho aponta a presença de elementos que ainda seriam amadurecidos pela poeta e se tornariam algumas de suas marcas. “É como se fosse a descoberta de uma essência da Orides, que vai permanecer”, diz Tonon. Professor do Departamento de Teoria Literária do IEL e orientador da pesquisa, Eduardo Sterzi destaca a importância desse resgate para uma melhor compreensão sobre a gênese da obra e da carreira da poeta. “Temos uma visão da sua poesia já acabada, quando está nos livros, e acho importante esse deslocamento para o momento de formação de sua obra. É possível, lendo esses poemas, reconhecer o que já se sabia sobre Orides, mas, ao mesmo tempo, descobrir aspectos diferentes, possibilidades não de todo desenvolvidas.”

Jefferson Cano, membro do conselho da Asa da Palavra e também professor do IEL, afirma que a monografia ajuda a conhecer uma fase decisiva, mas praticamente desconhecida, da vida da escritora. “O trabalho do Fernando nos faz pensar sobre o ambiente de onde brotou aquela poesia, o meio em que ela vivia e como sua bagagem cultural se formou”, ressalta.

Tonon esclarece que outros poemas inéditos já haviam sido encontrados, sobretudo após a morte de Orides, em 1998. Esboços e composições finalizadas – folhas soltas, fichários, cadernos e em livros – foram recolhidos pela professora Ana Maria Salomão, prima, amiga e uma das principais interlocutoras da escritora. O poeta, crítico e editor Augusto Massi também preservou material não publicado. Atualmente, os direitos de publicação de toda a obra pertencem à editora Hedra.

(Continua em: Entre a metafísica e o poder das palavras)

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