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Pessoa usando luvas de látex brancas segura um objeto retangular com marcações em rosa e magenta na mão direita, em perfil, com fundo desfocado de ambiente laboratorial contendo superfícies claras e equipamentos ao fundo.

Anticorpos miram receptor associado à leucemia infantil

Pesquisa que identifica mutação ligada à doença abre caminho para novo tratamento e produção nacional de medicamentos biológicos

Pessoa usando luvas de látex brancas segura um objeto retangular com marcações em rosa e magenta na mão direita, em perfil, com fundo desfocado de ambiente laboratorial contendo superfícies claras e equipamentos ao fundo.
Logo da empresa SEC Unoun Inovação, composto pela palavra "sec" em vermelho, seguida pela palavra "unoun" em azul-petróleo, com a palavra "inovação" em cinza abaixo, acompanhadas de um diagrama estilizado à esquerda formado por linhas cinzas conectando pontos pretos e cinzentos, representando uma rede ou estrutura de nós interconectados.
Logo da empresa SEC Unoun Inovação, composto pela palavra "sec" em vermelho, seguida pela palavra "unoun" em azul-petróleo, com a palavra "inovação" em cinza abaixo, acompanhadas de um diagrama estilizado à esquerda formado por linhas cinzas conectando pontos pretos e cinzentos, representando uma rede ou estrutura de nós interconectados.

A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é o tipo de câncer do sangue mais comum na infância. Embora a taxa de cura supere 80%, uma parte dos pacientes não responde ao tratamento padrão ou apresenta recaída. Uma nova esperança terapêutica para esse grupo está nos anticorpos monoclonais desenvolvidos por pesquisadores da Unicamp e do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini após descobrirem um fator molecular associado à doença.

O alvo é o receptor da interleucina 7 (IL-7Rα). Os pesquisadores identificaram que cerca de 10% dos pacientes com LLA do tipo T e cerca de 2% dos pacientes com LLA do tipo B (os dois principais subtipos da doença) têm alguma mutação oncogênica no gene que codifica esse receptor.

“O receptor mutado pode ser comparado a um interruptor de luz que ficou travado na posição ligada. Mesmo sem o estímulo que normalmente seria necessário para ativá-lo, ele continua enviando estímulos de sobrevivência e proliferação para a célula, favorecendo sua multiplicação anormal. Esse comportamento contribui para o desenvolvimento da leucemia”, explica Priscila Pini Zenatti Salles, pesquisadora do Centro Boldrini e professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp na área de genética e biologia molecular.

Como atuam

Após identificarem esse mecanismo molecular alterado, os cientistas desenvolveram anticorpos monoclonais, proteínas capazes de reconhecer com alta precisão um alvo específico no organismo. Neste caso, os anticorpos reconhecem e se ligam ao receptor IL-7Rα presente na superfície das células, podendo interferir em sua sinalização, além de ajudar o sistema imunológico a reconhecer e destruir as células leucêmicas.

Em modelos pré-clínicos com camundongos que receberam células leucêmicas de pacientes, o tratamento com os anticorpos retardou a progressão da doença em comparação com os animais não tratados. Embora o tratamento isolado não tenha eliminado a doença, os resultados demonstram atividade contra a leucemia e servirão de base a novos estudos para avaliar esses anticorpos em combinação com outras terapias, incluindo a quimioterapia.

“Esses resultados são importantes porque demonstram seu potencial terapêutico e justificam novos estudos para avaliar sua utilização em combinação com tratamentos já empregados contra a leucemia, como a quimioterapia”, explica Salles.

Como o anticorpo original tem origem murina (de camundongos), seu uso terapêutico em humanos é limitado pelo risco de o organismo reconhecê-lo como estranho e desencadear uma resposta imunológica. Por isso, os pesquisadores desenvolveram também uma variante quimérica, ou seja, em que parte da estrutura do anticorpo é substituída por sequências humanas, e uma variante humanizada, em que a maior parte da estrutura é formada por sequências humanas. O resultado é uma família de anticorpos que inclui versões murina, quimérica e humanizada.

A tecnologia está protegida por pedido de patente depositado com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp. A equipe também investiga os diferentes anticorpos de forma isolada e em combinação, buscando identificar as estratégias com maior potencial terapêutico.

Duas pessoas em jalecos brancos posicionadas lado a lado em um ambiente de laboratório moderno com paredes de vidro, sendo a pessoa à esquerda portadora de óculos de armação escura, cabelos longos e castanhos, veste jaleco branco sobre roupa preta, e a pessoa à direita com cabelos grisalhos, veste jaleco branco sobre camisa amarela, ambas com as mãos repousadas à frente do corpo, com plantas verdes visíveis ao fundo e estruturas metálicas de prateleiras na parede posterior.
Priscila Pini Zenatti Salles e José Andrés Yunes integram equipe: outros 13 pesquisadores compõem o grupo do pedido de patente
Duas pessoas em jalecos brancos posicionadas lado a lado em um ambiente de laboratório moderno com paredes de vidro, sendo a pessoa à esquerda portadora de óculos de armação escura, cabelos longos e castanhos, veste jaleco branco sobre roupa preta, e a pessoa à direita com cabelos grisalhos, veste jaleco branco sobre camisa amarela, ambas com as mãos repousadas à frente do corpo, com plantas verdes visíveis ao fundo e estruturas metálicas de prateleiras na parede posterior.
Priscila Pini Zenatti Salles e José Andrés Yunes integram equipe: outros 13 pesquisadores compõem o grupo do pedido de patente

Próximos passos

Se seu potencial for confirmado nas próximas etapas de desenvolvimento e, futuramente, em estudos clínicos, os anticorpos anti-IL-7Rα poderão representar uma nova alternativa terapêutica para os pacientes com LLA, incluindo aqueles que não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis ou que apresentam recaída. A tecnologia também pode contribuir para ampliar a capacidade nacional de produção de medicamentos biológicos, como os anticorpos monoclonais, reduzindo a dependência brasileira de insumos e de etapas produtivas realizadas no exterior.

Antes de chegar aos estudos clínicos, a tecnologia ainda passará por etapas de padronização da produção, processo que já é tema de um projeto de mestrado da equipe. Outra etapa importante será estabelecer parceria com uma empresa farmacêutica ou instituição com capacidade para apoiar o desenvolvimento do processo produtivo, sua ampliação de escala e a fabricação do anticorpo em condições compatíveis com os padrões de qualidade e segurança exigidos para as etapas que antecedem os estudos em humanos.

“O que nós precisamos agora é encontrar uma empresa farmacêutica interessada em desenvolver essa tecnologia conosco e apoiar as próximas etapas de produção e desenvolvimento, para que futuramente possamos avançar para os estudos clínicos”, diz a pesquisadora.

Além de estar associado à LLA, o receptor IL-7Rα tem papel relevante em outras condições, incluindo algumas doenças autoimunes. “Por isso, no futuro, poderemos investigar se esses anticorpos também apresentam potencial nesses contextos”, diz Salles. A pesquisa é conduzida no Centro Boldrini e conta com alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado da Unicamp. Atualmente, três doutorandos e uma mestranda estão dedicados em tempo integral ao desenvolvimento dos anticorpos.

A parceria já dura dez anos e, segundo a equipe, deve seguir gerando novas tecnologias a partir da mesma linha de pesquisa. Além de Priscila Pini Zenatti Salles e do pesquisador José Andrés Yunes, o pedido de patente lista como inventores João Mateus Silva Feitoza, Joey Ramone Ferreira Fonseca, Fernando Mesquita de Sousa de Lima, Rhaissa Godoi, Diego Dávila Maldonado, Mayara Ferreira Euzébio, Aryanny Paula Sousa Ferreira, Gabriella Lima dos Reis, Gisele Olinto Libanio Rodrigues, Letícia Grillo Guimarães Pereira, Thais Rafael Guimarães e Juliana Ronchi Corrêa.

Licenciamento

A Inova Unicamp disponibiliza uma vitrine tecnológica no Portfólio de Tecnologias da Unicamp. Empresas e instituições públicas ou privadas podem licenciar, com ou sem exclusividade, a propriedade intelectual desenvolvida na Unicamp, tais como patentes, cultivares, marcas, programas de computador e know-how.

Para conhecer outras tecnologias protegidas disponíveis para licenciamento, acesse o Portfólio de Tecnologias da Unicamp ou entre em contato com a Inova via formulário.

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