Conteúdo principal Menu principal Rodapé
Pessoa de meia-idade usando óculos de armação escura e camiseta preta, com barba e cabelo escuro, posicionada em perfil à esquerda contra um fundo neutro desfocado em tons de verde-acinzentado.
O biólogo Tiago Andrade propõe, no livro, novos estudos sobre o ritmo circadiano

Livro explora origem e evolução dos ritmos biológicos

Pesquisador aborda complexidades da cronobiologia com linguagem clara e acessível

Pessoa de meia-idade usando óculos de armação escura e camiseta preta, com barba e cabelo escuro, posicionada em perfil à esquerda contra um fundo neutro desfocado em tons de verde-acinzentado.
O biólogo Tiago Andrade propõe, no livro, novos estudos sobre o ritmo circadiano

Livro explora origem e evolução dos ritmos biológicos

Pesquisador aborda complexidades da cronobiologia com linguagem clara e acessível

As diferenças no funcionamento corporal de cada indivíduo têm uma explicação científica clara: embora vivamos as mesmas 24 horas de cada dia, o rendimento individual é determinado pelo chamado relógio biológico. Responsável por controlar nossa disposição, esse mecanismo é associado a diferentes funções, tais como a produção de hormônios e a regulação da temperatura corporal, e está associado a indicadores externos (como a incidência de luz), por meio dos quais percebemos o passar do dia. Compreender o contexto, as condições e as alterações sofridas pelos genes envolvidos nos fenômenos cíclicos é uma tarefa complexa. Afinal, nosso relógio interno levou milhares de anos para alcançar seu funcionamento adequado. 

No livro Biotempo: origem e evolução do relógio biológico, o pesquisador Tiago Gomes de Andrade explica conceitos da cronobiologia – campo da ciência que estuda os ritmos biológicos – de uma forma descomplicada, utilizando uma linguagem clara e acessível. Em entrevista ao Jornal da Unicamp, o autor explica como sua obra propõe novos rumos para os estudos do ciclo circadiano, além de apresentar reflexões relevantes sobre as relações entre o ser humano e o ambiente. Confira a seguir.

 Jornal da Unicamp – Qual é o leitor para quem seu livro foi pensado e de que forma você definiria, brevemente, o conceito de biotempo?

Tiago Andrade – Biotempo é um neologismo: uma tentativa de capturar simbólica e linguisticamente uma propriedade dos organismos vivos que é ubíqua, ou seja, está presente em todos os grupos filogenéticos – de bactérias a baleias-azuis – e que compreende os ritmos biológicos. Trata-se de um programa genético herdado evolutivamente, capaz de produzir repetições periódicas [na fisiologia e no comportamento] que são harmonizadas com os ciclos ambientais diurnos, mensais e sazonais, entre outros. O livro foi pensado para leitores interessados em biologia e evolução. Como foi escrito em linguagem acessível, pode ser compreendido como uma obra de divulgação científica, mas também traz exemplos, conceitos e hipóteses que podem ser explorados em sala de aula – do ensino médio à pós-graduação.

Jornal da Unicamp – Como a obra pode ajudar as pessoas a compreender o funcionamento do próprio corpo ao longo das 24 horas do dia? 

Tiago Andrade – Os ritmos circadianos, que produzem uma ritmicidade de aproximadamente 24 horas e são sincronizados por pistas temporais ambientais como o ciclo claro/escuro, além dos horários de alimentação e de atividade física, são produto de uma longa história evolutiva. Estamos falando, provavelmente, de bilhões de anos de evolução do relógio biológico. Compreender essa dimensão histórica da nossa biologia, forjada na interrelação com um mundo natural cíclico, amplia a compreensão dos impactos da vida moderna sobre nossa fisiologia e nossos comportamentos. 

Muitas doenças metabólicas e psiquiátricas decorrem da perturbação do relógio biológico por fatores externos, um fenômeno chamado cronodisrupção. Nosso DNA contém “genes-relógios”, que regulam pelo menos 50% do genoma. Portanto, não podemos ignorar o relógio biológico. O livro contribui para situar essa discussão em um contexto ecológico e histórico, além de descrever aspectos estruturais e funcionais do relógio biológico, na espécie humana e em outras.

Jornal da Unicamp – De que forma o livro abre caminhos para novos estudos sobre os relógios biológicos das espécies?

Tiago Andrade – A incorporação da cronobiologia à pesquisa abre perspectivas para uma melhor compreensão dos fenômenos estudados. Seja a pesquisa de natureza ecológica ou biomédica, realizada com espécies selvagens, modelos animais e pacientes – ou mesmo em comparações entre eles. O livro contribui nesse sentido formativo.

Apresento também algumas hipóteses ainda pouco exploradas na literatura científica, como a possibilidade de uma continuidade evolutiva do relógio biológico entre procariotos e eucariotos, que contrasta com a visão, talvez majoritária, da convergência evolutiva. Outro exemplo seria a contribuição potencial da endossimbiose [relação simbiótica na qual um organismo vive dentro de outro] nesse mesmo cenário. Concordando-se ou não com essas hipóteses, acredito que elas podem fomentar um debate qualificado e estimular novas pesquisas. 

Jornal da Unicamp – Como a obra pode impactar o meio acadêmico e contribuir para a formação de novos profissionais da área?

Tiago Andrade – A cronobiologia é uma disciplina que ainda carece de um espaço maior nos currículos das áreas biológicas e da saúde. Apesar da relevância da dimensão temporal para o entendimento da vida e, no contexto clínico e da fisiopatologia, de seus impactos sobre o diagnóstico e tratamento, muitos profissionais são formados sem contato com conceitos, paradigmas e terminologias da área, que vai muito além da fisiologia do sono. O livro se soma a uma literatura já existente, mas ainda escassa, especialmente no que diz respeito à temática central da obra, que é a evolução. E, como disse [Theodosius] Dobzhansky [geneticista e biólogo evolutivo ucraniano], “nada em biologia faz sentido senão à luz da evolução”. Incluindo os problemas médicos.

Jornal da Unicamp – Ao relacionar o biotempo às interações entre o ser humano e o ambiente, como podemos pensar os impactos das ações humanas nos fenômenos cíclicos das espécies?

Tiago Andrade – Essa é uma questão importante e ainda pouco refletida pela sociedade. Se a dinâmica temporal da vida social impõe impactos ao nosso organismo – tais como acordar mais cedo do que o ideal, expor-se à luz noturna e se alimentar tardiamente –, nossas cidades afetam a vida selvagem. Diversas pesquisas mostram o efeito da atividade humana, especialmente da poluição luminosa, sobre o comportamento circadiano e sazonal de diferentes espécies. Como resultado, há um deslocamento da fase de atividade desses animais. Em geral, para uma maior noturnidade.

Além disso, o aquecimento global interfere no alinhamento que deveria ocorrer entre a duração do dia e a temperatura, dois fatores cruciais para várias espécies sazonais. Tudo isso impacta a adaptabilidade dos organismos e produz consequências degradantes em larga escala, com possíveis repercussões evolutivas.


Capa de livro com fundo branco contendo padrão geométrico de linhas e círculos em tons de azul-acinzentado, apresentando no centro um quadrado com borda vermelha e interna branca contendo texto em fundo preto com tipografia em tons bege e branco, onde consta o título "BIOTEMPO" seguido de subtítulo "Origem e evolução do relógio biológico", nome do autor "TIAGO ANDRADE" em letras maiúsculas, e na base inferior a identificação da editora "EDITORA UNICAMP".
Capa de livro com fundo branco contendo padrão geométrico de linhas e círculos em tons de azul-acinzentado, apresentando no centro um quadrado com borda vermelha e interna branca contendo texto em fundo preto com tipografia em tons bege e branco, onde consta o título "BIOTEMPO" seguido de subtítulo "Origem e evolução do relógio biológico", nome do autor "TIAGO ANDRADE" em letras maiúsculas, e na base inferior a identificação da editora "EDITORA UNICAMP".

Título: Biotempo: origem e evolução do relógio biológico
Autor: Tiago Gomes de Andrade
ISBN: 9788526817333
Edição: 1ª
Ano: 2025
Páginas: 176
Dimensões: 14 cm x 21 cm

Apresentação de três lançamentos editoriais da Editora Unicamp sobre fundo vermelho, exibindo à esquerda livro com capa branca intitulado "Alternativas Sistêmicas Rumo à Sustentabilidade da Vida" de Paulo Fracalanza e Rosana Corazza com 248 páginas em dimensões 14x21 cm, ao centro livro com capa preta e texto em amarelo "Reconstrução Negra W.E.B. Du Bois" contendo 816 páginas em dimensões 16x23 cm, e à direita livro com capa branca intitulado "Princípio Educativo e Práticas Extensionistas do Programa Olhos no Futuro" de Danúsia Ferreira, Roberta Ceriani e Luiz da Silva com 392 páginas em dimensões 14x21 cm, acompanhados de informações de contato da Livraria da Editora da Unicamp localizada na R. Sérgio Buarque de Holanda 421 e endereço eletrônico www.editoraunicamp.com.br com email vendas@editora.unicamp.br, com logo da Editora Unicamp posicionado no canto inferior esquerdo.
Ir para o topo