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A imagem é uma montagem de três fotos que mostram o cotidiano de um laboratório de biologia ou saúde. À esquerda, em duas fotos menores, mãos com luvas azuis manipulam uma caixa com pequenos tubos de ensaio e uma placa de cultura contendo um líquido alaranjado. À direita, ocupando a maior parte da imagem, um jovem cientista de jaleco branco e máscara utiliza um microscópio digital dentro de uma cabine de segurança biológica; na tela do equipamento, é possível ver a imagem ampliada de células ou microrganismos de formato arredondado.
Experimentos realizados no Laboratório de Neuroproteômica utilizam organoides cerebrais in vitro — estruturas microscópicas que reproduzem o funcionamento do cérebro humano — para analisar o comportamento cerebral em diversos contextos
A imagem é uma montagem de três fotos que mostram o cotidiano de um laboratório de biologia ou saúde. À esquerda, em duas fotos menores, mãos com luvas azuis manipulam uma caixa com pequenos tubos de ensaio e uma placa de cultura contendo um líquido alaranjado. À direita, ocupando a maior parte da imagem, um jovem cientista de jaleco branco e máscara utiliza um microscópio digital dentro de uma cabine de segurança biológica; na tela do equipamento, é possível ver a imagem ampliada de células ou microrganismos de formato arredondado.
Experimentos realizados no Laboratório de Neuroproteômica utilizam organoides cerebrais in vitro — estruturas microscópicas que reproduzem o funcionamento do cérebro humano — para analisar o comportamento cerebral em diversos contextos
Cinco pesquisadores, três mulheres e dois homens, posam sorridentes lado a lado em um ambiente de laboratório. Todos vestem jalecos brancos com um logotipo bordado no bolso superior esquerdo. O grupo está posicionado à frente de equipamentos científicos complexos, que incluem máquinas de análise de grande porte com tubulações e fiações visíveis ao fundo, sugerindo um ambiente de pesquisa tecnológica ou bioquímica.
Da esquerda para a direita, Laura Saciloto, Caio Berdeville, Fernanda Crunfli, Julia Nacif e Vitor Silva
Um homem de cabelos escuros e barba curta grisalha aparece em primeiro plano, gesticulando com as mãos enquanto fala. Ele veste uma camiseta verde-escura e usa um relógio inteligente no pulso esquerdo. O homem está sentado em uma cadeira de escritório preta, e ao fundo há uma persiana de cor alaranjada que filtra a claridade, criando um ambiente de conversa ou entrevista.
O professor Daniel Martins-de-Souza: “Buscamos investigar os meandros moleculares para examinar uma eventual relação com o desenvolvimento da depressão”

De volta ao começo

Martins-de-Souza observa que, segundo a OMS, 50% das aposentadorias por invalidez em 2050 poderão ser causadas pela depressão. Segundo ele, isso justifica a importância de estudar o tema. Doença sem cura, porém manejável, a depressão causa sintomas que comprometem a vida familiar, as relações sociais e o desempenho profissional do indivíduo. Se não for tratada de maneira apropriada, mina a carreira e o convívio em sociedade, a ponto de, em alguns casos extremos, levá-lo a tirar a própria vida. “Isso é uma marca bastante importante, porque o suicídio, em si, acaba sendo uma comorbidade, ou seja, algo que acontece em conjunto com a depressão, e que afeta uma gama muito grande de pessoas, porque a família, os amigos, todos sofrem. Por isso, o raio de pessoas afetadas aumenta para um número muito maior do que os 4% que sofrem da doença.”

Como se não bastasse, os medicamentos antidepressivos costumavam ser desenvolvidos com base em uma “biologia antiga”, afirma. “Não foi assim: ‘Eu tomei por base a depressão, entendi como ela funciona e criei um medicamento’. Na verdade, quando um medicamento para outra doença era testado, descobria-se um efeito antidepressivo e passava-se a tratar as pessoas com aquele medicamento. Somente então descobriam seus efeitos. Ou seja, era um trabalho de ‘engenharia reversa’.”

Até hoje, primeiro cria-se a droga para somente então conferir se sua ação no organismo do paciente será realmente eficaz contra a enfermidade. Como consequência, o manejo da doença segue um protocolo de tentativa e erro, explica o bioquímico, o que pode ser angustiante e exaustivo para o paciente, a ponto de levá-lo a desistir do tratamento ainda no início. “Estamos tentando fazer o caminho lógico, ou seja, primeiro entender o problema para então atacá-lo. Por isso queremos descobrir se existe uma forma de saber, pelo sangue, qual remédio vai funcionar para cada pessoa, pois a partir desse conhecimento conseguimos pensar quais medicamentos e novas terapias podemos desenvolver.”

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