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Dificuldade e resistência percorrendo caminhos poéticos

Uma pessoa está sentada em um degrau escuro, vista de cima, segurando um livro aberto com as duas mãos. Ela usa calça cinza, um relógio preto no pulso esquerdo e um tênis azul com cadarços brancos no pé direito, que está visível. O livro tem páginas brancas com texto denso e uma borda amarela na capa.
João Mostazo, autor da obra: “Ouvimos que a cultura é uma forma de resistência. Mas o que isso significa? Investigando esse conceito, descobri que ele depende de alguns pressupostos poéticos e sociais”

Livro reflete sobre a poesia brasileira a partir de conceito proposto por Alfredo Bosi

Uma pessoa está sentada em um degrau escuro, vista de cima, segurando um livro aberto com as duas mãos. Ela usa calça cinza, um relógio preto no pulso esquerdo e um tênis azul com cadarços brancos no pé direito, que está visível. O livro tem páginas brancas com texto denso e uma borda amarela na capa.
João Mostazo, autor da obra: “Ouvimos que a cultura é uma forma de resistência. Mas o que isso significa? Investigando esse conceito, descobri que ele depende de alguns pressupostos poéticos e sociais”

A obra Dificuldade da poesia: ensaios de literatura brasileira contemporânea, escrita por João Mostazo, explora as noções de “resistência” e “dificuldade” na poesia brasileira atual. Por meio de uma seleção de poemas contemporâneos, o autor analisa a forma com que esses dois conceitos são mobilizados na literatura. Entre os escritores cujas obras integram sua análise estão Edimilson de Almeida Pereira, Ana Martins Marques e Ricardo Domeneck.

Formado em Estudos Literários pela Unicamp, Mostazo é doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado pela Unicamp. É também poeta, dramaturgo e diretor da Cia. Extemporânea de Teatro. Na entrevista a seguir, o autor apresenta detalhes sobre o processo de escrita da obra e a seleção dos poemas analisados.

Jornal da Unicamp – Quais foram as principais motivações para escrever o livro e quais desafios você enfrentou ao longo do processo de criação da obra?

João Mostazo – A motivação foi o incômodo diante de um paradoxo que atravessa a nossa relação com a cultura. Ele tem a ver com o fato de que a ideia de resistência é, hoje, aquela que organiza a relação entre cultura e sociedade. Ouvimos, lemos e dizemos que a cultura “resiste”, que é uma forma de “resistência”. Mas o que isso significa? Investigando esse conceito, descobri que ele depende de alguns pressupostos poéticos e sociais que simplesmente não valem mais hoje, porque o processo histórico os varreu. Surpreendentemente, o resultado é que, no mesmo momento em que a ideia de resistência se tornou moeda corrente, resistir, no sentido forte, tornou-se impossível. Quanto aos desafios, o maior deles foi realizar a pesquisa sem financiamento.

JU – Na obra, você propõe pensar a poesia a partir da ideia de “dificuldade”. De que maneira esse conceito se relaciona com a noção de “resistência”?

João Mostazo – O conceito de resistência a que me refiro, formulado pelo [professor e crítico literário] Alfredo Bosi nos anos 1970, depende de uma dupla projeção no tempo: de um lado, projeta um passado mítico; de outro, um futuro profético. No livro, argumento que essas duas projeções se tornaram problemáticas em razão do estreitamento histórico provocado pelo atual estágio de colapso da modernidade. A esse caráter problemático que a ideia de resistência encontra no tempo presente dei o nome de dificuldade. O que chamo de dificuldade é o ponto em que o conceito de resistência emperra, torna-se opaco e perde o seu lastro histórico.

JU – Como foi feita a escolha dos autores e poemas analisados no livro? Houve algum critério específico ou intenção por trás dessas escolhas?

João Mostazo – A escolha se deu mais ou menos por acaso, motivada em parte por gosto e interesse pessoal. Mas, de um modo geral, tentei selecionar autores e autoras cujos poemas refletissem, de algum modo, o conjunto de problemas que eu buscava delinear. O único critério mais objetivo que adotei foi trabalhar apenas com obras publicadas nos últimos anos. Com algumas exceções, o livro analisa obras lançadas de 2020 para cá. A ideia era apresentar um panorama o mais contemporâneo possível. Como o livro articula análise literária e social, as obras também deveriam refletir o momento desenhado pelo quadro histórico.

JU – Além dos textos poéticos, você também expande suas análises para a prosa e a dramaturgia. Como a “dificuldade” da poesia se manifesta nesses outros gêneros literários?

João Mostazo – De fato, os dois ensaios que encerram o livro tratam de uma peça de teatro e de um romance. Ainda assim, creio que ali também seja possível identificar o que chamo de dificuldade da poesia, desde que se entenda essa dificuldade num sentido mais amplo — não restrito ao gênero lírico, mas relacionado a um impasse da literatura como um todo, que inclui também, e isso é decisivo, a crítica. Esse é o sentido em que Marcos Siscar (com cujo trabalho dialogo no início do livro) compreende o termo “poético”, ao lembrar que o apelo feito pela crítica para que a literatura resista comporta, no fim, um desejo de refundação da própria crítica.

JU – Quais são, na sua visão, as principais contribuições da obra para os estudos sobre a poesia brasileira contemporânea?

João Mostazo – Não sei dizer; isso deve ser decidido por quem lerá o livro. Minha intenção foi contribuir com a tradição crítica brasileira apresentando uma reavaliação daquele que, a meu ver, foi um dos últimos conceitos fortes dessa tradição: o conceito de resistência, na formulação de Bosi. Mobilizo essa tradição ao longo da reflexão, mas também a tomo como objeto, procurando pensar como suas formulações conceituais acompanham as transformações do país, com o objetivo de compreender, afinal, o que significa escrever poesia num país que já não vai para lugar nenhum, pois – para usar uma fórmula conhecida – sua formação se concluiu sem que nada se formasse.


A capa do livro possui um fundo roxo fosco. No topo, está escrito o nome do autor, João Mostazo. O título, centralizado e em letras grandes brancas, é "DIFICULDADE DA POESIA". Logo abaixo, há um subtítulo em letras menores: "Ensaios de literatura brasileira contemporânea". Entre o título e o subtítulo, há uma forma preta horizontal com três pequenos pontos brancos. Na parte inferior, aparece o logotipo da Editora da Unicamp.
A capa do livro possui um fundo roxo fosco. No topo, está escrito o nome do autor, João Mostazo. O título, centralizado e em letras grandes brancas, é "DIFICULDADE DA POESIA". Logo abaixo, há um subtítulo em letras menores: "Ensaios de literatura brasileira contemporânea". Entre o título e o subtítulo, há uma forma preta horizontal com três pequenos pontos brancos. Na parte inferior, aparece o logotipo da Editora da Unicamp.

Título: Dificuldade da poesia: ensaios de literatura brasileira contemporânea
Autor: João Mostazo
ISBN: 9788526817982 
Edição: 1ª 
Ano: 2025 
Páginas: 216
Dimensões: 14 cm x 21 cm

 

Este anúncio de lançamentos da Editora da Unicamp tem fundo vermelho e apresenta três livros: Os Deveres, de Marcos Túlio Cícero: uma capa em tons de azul. Possui 496 páginas e tamanho 14 x 21 cm. Quando Arrebentam os Nós, de Joice Oliveira: uma capa branca com uma foto antiga centralizada. Possui 304 páginas e tamanho 14 x 22 cm. Novo Sujeito Coletivo, de Marcio Pochmann: uma capa com divisões em marrom e bege. Possui 200 páginas e tamanho 14 x 21 cm. Na parte inferior, há o logotipo da editora, o endereço da livraria física na Cidade Universitária e os contatos de site e e-mail.
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