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Chacrinha nos Estudos Ancestrais

"!Na noite passada, o Velho Guerreiro apareceu-me no espelho. Sua imagem tão vívida, apesar de fantasmagórica, comoveu-me!"

Na noite passada, o Velho Guerreiro apareceu-me no espelho. Sua imagem tão vívida, apesar de fantasmagórica, comoveu-me. Cerrei os olhos e, ao abri-los, vestia t-shirt estampada de estrelas cadentes, bermuda e cartola reluzentes. No pescoço, levava a buzina galhofeira; em uma das mãos, o bacalhau vistoso; na outra, o abacaxi rugoso. No bolso, havia um flácido pepino. Olhei a triste figura e já ia me despindo, quando algo aconteceu.

Abri a porta do meu quarto e um imenso salão se descortinou. Todos estavam sentados, aguardando o espetáculo. Apertei a buzina com gozo. De repente, a música começou: “Abelardo Barbosa está com tudo e não está prosa…”.  Era um palhaço pronto para dizer qualquer coisa desonrosa.

 Ao olhar para o público, composto na maioria por mulheres, levantei a mão esquerda e perguntei:

“Quem quer o bacalhau da Conceição Evaristo?”

E arremessei o Gadus Macrocephalus na plateia.  Fez-se um silêncio monástico.

Não recuei. Meti a mão no bolso e, com o legume em punho, berrei:

“Quem quer o pepino do Ailton Krenak?”

E o joguei no colo de uma colega, que o pegou e o devolveu na minha testa.

Restava-me uma última cartada. Então, já sem forças, supliquei:

“Quem quer o abacaxi da Marilena Chauí?”

Com as duas mãos depositei a fruta em uma cadeira vazia e, desnudando-me, arranquei buzina, cartola e camisa.  Preparava-me para tirar a bermuda, quando, na maré de confetes e serpentinas, um grupo de chacretes invadiu o auditório. A primeira da fila era a Índia Potira, acompanhada por Rita Cadillac. Ultrapassando-a, via-se Mulatinha Mustang, seguida por Trícia Trovão. Havia também outras mulheres vestidas com maiôs de lantejoulas prateadas.

Reparei bem nas chacretes, não acreditando no que via, pois não se tratava mais de Índia Potira ou Trícia Trovão, mas todas as mulheres eram, na verdade, as prostitutas XL e xs, Dalila Capivara (meu primeiro amor feminista), Darlaine Toalhas Felpudas (a anã empreendedora), Tatiane Mini Saia (a jornalista sessentona), Brenda Toblerone (a fonoaudióloga fanhosa) e Dulcineia Barra Pesada (PHD em Plínio Marcos). Elas me cercaram como se estivessem em transe, com golpes baixos me derrubaram e gritaram:

“Quem quer um conservador babaca?” 

Acordei assustado. 

Esse texto não reflete necessariamente a opinião da Unicamp.

Foto de capa:

Chacrinha com as chacretes em apresentação do programa
Chacrinha com as chacretes em apresentação do programa
07 out 25

O amargo e o doce em uma universidade

"O que provocou meu desencanto foi uma parcela de cristãos ser chamada de idiotas por um docente em um evento acadêmico."
O amargo e o doce em uma universidade; artigo Marcos Lopes

18 set 25

O Bobo da Corte, uma Fábula

Em um exercício de imaginação, poderíamos propor esses papéis em nosso contexto. Por que não criar, por exemplo, a posição da personagem no espaço acadêmico?
Rei Lear, de Shakespeare, por George Frederick Bensell (wikipédia)

05 jan 24

Muito barulho por nada

Marcos Lopes: "Qual a razão desse hiato entre o que a escola diz ensinar e o que a universidade cobra em seus exames? Por que os alunos demonstram em suas respostas a ausência de uma experiência efetiva da literatura?"
"No espaço escolar, a literatura estava definitivamente refém do controle pedagógico e linguístico"
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